'Não há desmatamento descontrolado na Amazônia', afirma Aldo Rebelo

Ex-ministro da defesa e relator do Código Florestal, Aldo Rebelo avaliou ações do governo federal diante de aumento do desmatamento na Amazônia

Da CNN
15 de julho de 2020 às 10:34 | Atualizado 15 de julho de 2020 às 10:52

Ex-ministro da defesa e relator do Código Florestal, Aldo Rebelo (Solidariedade) falou à CNN, nesta quarta-feira (15) sobre as ações do governo federal no combate ao desmatamento da Amazônia. As declarações foram feitas em meio a uma nova reunião do Conselho da Amazônia, que é presidido pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB).

Na contramão das críticas internacionais sobre a destruição da floresta, Rebelo afirmou que "não há desmatamento descontrolado na Amazônia" e que as modalidades ilegais dessa prática devem ser reprimidas, mas que o que acontece na floresta é "uma tragédia de erros e equívocos". 

"É a região mais incompreendida do nosso país e hoje está sob em uma grande pressão internacional", avaliou Rebelo. "Não há, em todo o planeta ,um hectare mais protegido do que o que o Brasil tem na Amazônia", acrescentou.

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Rebelo ainda citou que a região tornou-se alvo de disputas políticas e disse que a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "acerta, por um lado, ao repudiar qualquer tipo de limitação da soberania sobre a Amazônia e qualquer tentativa por parte de governos europeus de interferência".

Apesar das declarações de Rebelo, até junho, o desmatamento da Amazônia registrou a maior taxa em maio desde 2016. A plataforma de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já detectou 6.562 km² de desmatamento em 2020. Apenas em maio, o valor foi de 828,91 km².

Desde a divulgação dos dados, o governo federal iniciou uma ofensiva para tentar melhorar a imagem do Brasil no exterior e tenta dar uma resposta a uma carta redigida por investidores de nove países, em que demonstraram preocupação com o desmatamento da Amazônia.

Recentemente, a pesquisadora responsável pelos programas que monitoram o desmatamento da Amazônia Legal (Prodes e Deter) foi exonerada do cargo pelo governo após a divulgação dos novos dados. Lubia Vinhas era coordenadora-geral de Observação da Terra no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Ex-diretor do Inpe e também exonerado em meio à alta do desmatamento, Ricardo Galvão disse, em conversa com a CNN, na terça-feira (14), ter visto com preocupação a exoneração de Lubia.

(Edição: Sinara Peixoto)