ANS escolhe diretora que irá monitorar processos na Prevent Senior

Diretora irá acompanhar processos dentro da operadora, que é alvo de denúncias de pressão por prescrição de medicamentos sem eficácia

Prevent Senior é suspeita de usar pacientes como cobaia em "kit covid" e fraudar mortes pela doença
Prevent Senior é suspeita de usar pacientes como cobaia em "kit covid" e fraudar mortes pela doença RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Giovanna GalvaniDouglas Portoda CNN

em São Paulo

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou, nesta quinta-feira (14), que a diretora técnica Daniela Kinoshita Ota acompanhe processos dentro da operadora Prevent Senior, investigada pela agência. A direção técnica tem o prazo máximo de 365 dias e não irá alterar os serviços oferecidos pela companhia.

Ota será responsável por identificar anormalidades que possam colocar em risco o atendimento aos beneficiários e irá fazer um diagnóstico geral da situação da empresa. A partir de seu parecer, a Prevent Senior deverá elaborar o Programa de Saneamento Assistencial (PSA), definindo as ações e prazos para a resolução dos problemas.

A diretoria colegiada da ANS já havia dado o aval à instauração do regime especial de direção técnica na quarta-feira (13). O anúncio de que a Prevent seria notificada com tal regime foi feito pelo diretor-presidente da ANS, Paulo Rebello Filho, à CPI da Pandemia na última semana.

Segundo ele, o regime especial permite que a agência tenha um funcionário “para acompanhar diariamente os processos dentro da operadora”, um monitoramento mais próximo da ANS com “objetivo de garantir qualidade assistencial”, declarou na ocasião.

Após denúncias de restrição à liberdade de prescrição médica e suspeitas de que a Prevent Senior tenha orientado seus profissionais a darem medicamentos sem eficácia contra a Covid-19 aos pacientes, a operadora passou a ser investigada na ANS e em outras instâncias.

Em um dossiê enviado para a CPI, ex-médicos empregados em hospitais da operadora denunciaram a pressão exercida para a prescrição indiscriminada de medicamentos do “kit covid”, como cloroquina, azitromicina e ivermectina. A empresa ainda teria assediado pacientes para aceitarem o tratamento precoce e não informado a prescrição dos fármacos.

Segundo declarou Rebello ao Senado, as diligências feitas até o momento e os pedidos de esclarecimento à operadora levantaram indícios condizentes com as denúncias. A Prevent Senior já foi notificada duas vezes pela ANS.

O Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP) abriu uma força-tarefa para investigar as acusações, e a Câmara dos Vereadores de São Paulo instaurou uma CPI própria para apurar condutas dentro dos hospitais da operadora na capital paulista.

A Prevent Senior ainda não se manifestou em relação ao início do período de direção técnica, mas, até o momento, nega que tenha cometido pressão sobre os profissionais ou pacientes como constam nos relatos das denúncias.

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