Bahia pode ter novos temporais no Natal e em janeiro, diz professor da USP

Fortes chuvas que atingiram a região sul do estado nos últimos dias já deixaram 11 mortos e ao menos 267 pessoas feridas

João de Marida CNN

Em São Paulo

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O professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Cortês, afirmou à CNN nesta terça-feira (14) que a Bahia pode ter novos temporais no Natal e no mês de janeiro. As fortes chuvas que atingiram a região sul do estado nos últimos dias já deixaram 11 mortos e ao menos 267 pessoas feridas.

“Nos próximos dias teremos uma redução dessas chuvas, mas não vão parar por completo. Chegando no fim de semana isso vai chegar a volumes muito significativos nessa região [sul da Bahia]. Não descartamos a recorrência de novos problemas nessa área. É um cenário [novos temporais] que pode voltar a acontecer em janeiro, uma época de muita chuva”, afirmou.

Embora as fortes chuvas sejam eventos naturais, o professor acredita que as ocorrências têm sido potencializadas pelas mudanças climáticas.

“Temporais como o da Bahia se tornarão cada vez mais extremos. Quando tivermos estiagens, serão muito acentuada; as chuvas serão muito concentradas”, avaliou. “Isso é muito mais intenso do que em décadas anteriores.”

Mais cedo, em entrevista à CNN, o governador da Bahia Rui Costa (PT) disse que, em apenas dois dias, a região registrou 500 mm de volume de chuva. A quantidade, segundo o professor da USP, é o equivalente para o volume de chuva para um estado inteiro no período de um mês.

“Foi um volume de chuva extraordinário, 500 mm em apenas dois dias. Houve também rompimento de barragens no norte de Minas Gerais. Foi uma verdadeira maré arrastando tudo que estava pela frente. O desastre é enorme”, disse o governador.

Consequências das mudanças no clima

O professor Pedro Cortês chamou atenção para o que classificou como “consequências das mudanças climáticas”. Segundo ele, eventos dessa natureza não são isolados e vêm se somando “um após o outro”.

“Antigamente falávamos do que podia acontecer diante das mudanças climáticas, mas hoje temos um número muito maior de exemplos: saímos da fase de possibilidades e entramos na fase de consequências”, afirmou.

“Não é só a chuva na Bahia. Temos um problema hídrico muito significativo no Centro-sul, eventos de frio na região Sul, eventos se mostrando cada vez com mais intensidade. Não são isolados, eles vêm se somando um evento apos o outro.”

De acordo com a Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado da Bahia (Sudec), 267 pessoas ficaram feridas pelas tempestades, mais de 15 mil foram desalojadas e 6.371 ficaram desabrigados.

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