Blocos de rua de SP divulgam manifesto desistindo do Carnaval neste ano

Organizações afirmam que não foram incluídas pelo poder público nas discussões para organização da festa

Douglas PortoDenise Ribeiroda CNN

em São Paulo

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Os blocos de rua de São Paulo divulgaram um manifesto, nesta quarta-feira (5), desistindo do Carnaval deste ano. As entidades afirmam que não foram incluídas pelo poder público nas discussões para organização da festa.

“Lamentamos muito não termos tido a oportunidade de contribuir em ações públicas com nosso ‘expertise difuso’, que sabe quantos carnavais de rua existem dentro do Carnaval de São Paulo, e como fazer cada nicho ser atendido”, diz o texto assinado pelo Fórum de Blocos de SP, União dos Blocos de Carnaval de Rua do Estado de São Paulo (UBCRESP) e a Comissão Feminina de Carnaval de São Paulo.

As mais de 600 organizações citadas no comunicado culpam as incertezas criadas pelas organizações municipal, estadual e federal para a “pouca condição sanitária” que não possibilita a ida dos foliões às ruas.

“Isso é notório há mais de ano, e ainda hoje, São Paulo não tem um ‘plano B’ para o nosso Carnaval de rua. Mas deveria, pois, há diversas maneiras de se colocar o carnaval para ‘andar’, economicamente falando, e suprir as necessidades que milhares de paulistanos tem de gerarem emprego e renda, nessa retomada ao ‘normal possível’, explicam.

Ainda não é admitida pelos blocos a hipótese da realização de eventos em locais fechados, como o Autódromo de Interlagos, Memorial da América Latina, Jockey Club, Sambódromo do Anhembi, entre outros. Eles justificam que essa é uma alternativa proposta pelo setor privado.

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou, na terça-feira (4), em entrevista à CNN, que a discussão sobre a realização do Carnaval deve comportar apenas a realização de eventos que possam ter o controle de pessoas, descartando os blocos de rua.

“Isso é um tema que vamos discutir lá para frente. Sempre temos novidades em relação à Covid-19, sempre há uma cepa nova circulando, em setembro tivemos a Delta, em dezembro a Ômicron. Nós temos tempo para discutir. As aglomerações de rua, esses eventos que fazem com que as pessoas se aglomerem sem máscara, com ‘bebibidinha’ na mão, beijando um ao outro, não podem acontecer”, declarou Gorinchteyn.

 

 

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