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    Colapso em mina de Maceió: especialista afirma que meio ambiente já sofre as consequências

    Pelo menos 15 hectares de manguezal foram perdidos devido ao afundamento

    Duda Cambraiada CNN

    Em entrevista à CNN, a especialista em Biodiversidade e Manejo de Unidades de Conservação pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Neirevane Nunes, alerta sobre os impactos na flora e na fauna causados pelo afundamento da região da lagoa Mundaú, próximo da mina 18 da Braskem, que corre risco de colapso iminente.

    “Com esse afundamento, já perdemos cerca de 15 hectares de manguezal, isso impacta muito a cadeia produtiva, o pescado e a produção do molusco sururu”.

    Segundo a pesquisadora, 60% da mina 18 já está dentro da lagoa. “O processo de movimentação do solo é dinâmico. Mesmo tendo observado uma diminuição na velocidade do afundamento, ele continua, é permanente. Aquela área vai continuar sentindo os tremores”.

    A especialista defende que para amenizar os riscos, deve-se continuar monitorando e estudando a área. “A gente precisa de um monitoramento em relação aos impactos da fauna e da flora. Além da mina 18, temos outras minas com riso de colapso. Pelo menos duas minas já se fundiram, a gente precisa continuar com essas pesquisas e publicar esses dados”.

    Sucessão de erros

    A especialista em biodiversidade cita uma sucessão de erros que culminou no riso de colapso:

    • A instalação da empresa mineradora em uma área urbana;
    • Abertura de 35 minas ao longo da margem da lagoa sem respeitar os limites de segurança. “O diâmetro deveria ser de 70 metros e a distância de uma parede de uma mina para outra deveria ser de 100m”;
    • As minas foram abertas em cima de uma falha geológica;
    • Falha no monitoramento e fiscalização;
    • Areia utilizada no preenchimento das minas veio de uma área de preservação permanente.

    “Não temos acesso ao estudo dos impactos ambientais dessas minas. Poderíamos ter evitado chegar a esse estado crítico, foi uma sucessão de crimes ambientais”, afirma Neirevane.

    Entenda o caso

    A Prefeitura de Maceió decretou situação de emergência, na última quarta-feira (29), por risco iminimente de colapso de uma mina da petroquímica Braskem na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange. Segundo o governo do estado, houve cinco abalos sísmicos na área no mês de novembro, e o possível desabamento pode ocasionar a formação de grandes crateras na região.

    Defesa Civil de Alagoas alertou que uma ruptura no local pode ter um efeito cascata em outras minas.

    O que diz a empresa

    A Braskem informou que continua mobilizada e monitorando a situação da mina 18, localizada no bairro do Mutange, em Maceió. A petroquímica diz que utiliza de equipamentos de última geração para garantir a detecção de qualquer movimento do solo. A região de risco está isolada desde terça-feira (28) e a empresa vem apoiando a realocação dos moradores de 23 imóveis da região.

    “A extração de sal-gema em Maceió foi totalmente encerrada em maio de 2019, e a Braskem vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025”, pontuou a companhia.

    Minas de Maceió

    As minas da Braskem em Maceió são cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração na região. Essas cavernas estavam sendo fechadas desde 2019, quando o Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirmou que a atividade realizada havia provocado o fenômeno de afundamento do solo na região, o que obrigou a interdição de uma série de bairros da capital alagoana.

    Ainda em 2018, foram identificados danos semelhantes em imóveis e ruas do bairro do Mutange, localizado abaixo do Pinheiro e à margem da Lagoa Mundaú; e no bairro do Bebedouro vizinho aos outros dois. Em junho de 2019, moradores do bairro do Bom Parto relataram danos graves em imóveis.

    Desde então, o Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL) acompanha o caso, tendo assumido, em dezembro de 2018, a apuração dos fatos e iniciado atuação preventiva em favor dos moradores.

    Em julho deste ano, a prefeitura da cidade fechou um acordo com a empresa assegurando ao município uma indenização de R$ 1,7 bilhão em razão do afundamento dos bairros, que teve início em 2018.

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