FAB coleta amostra de combustível que abasteceu avião de Marília Mendonça

Investigadores estiveram na sede da empresa operadora da aeronave PT-ONJ, em Goiânia; documentos sobre manutenção e registros operacionais também foram coletados

Rafaela Larada CNN

em São Paulo

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Investigadores da Força Aérea Brasileira (FAB) coletaram uma amostra do combustível do caminhão que abasteceu a aeronave que transportava a cantora Marília Mendonça.

O avião que levava a artista e outras quatro pessoas caiu em Piedade de Caratinga, no Vale do Rio Doce, no oeste de Minas Gerais, a uma distância de três quilômetros do aeroporto de Caratinga, cidade onde a cantora faria um show na noite desta sexta-feira. Todos os ocupantes, incluindo piloto e copiloto, morreram no acidente aéreo.

Além da amostra do combustível, os profissionais coletaram documentos sobre manutenção da aeronave e registros operacionais.

“Investigadores do SERIPA VI da FAB compareceram na sede da empresa operadora da aeronave PT-ONJ, em Goiânia/GO, e coletaram documentos de manutenção, registros operacionais dos tripulantes e uma amostra de combustível do caminhão que reabasteceu o “King Air” antes da decolagem”, diz o órgão.

O Seripa VI é o serviço regional de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos que atende o Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

A FAB e a Polícia Civil de Minas Gerais investigam o acidente. Neste sábado (6), os investigadores do Seripa III, do Rio de Janeiro, estiveram no local do acidente aéreo para “identificar indícios, fotografar as cenas, retirar partes da aeronave para análise, ouvir relatos de testemunhas, reunir documentos etc. Não existe um tempo previsto para essa atividade ocorrer, dependendo sempre da complexidade da ocorrência”.

A ação do Seripa VI é complementar às investigações já iniciadas pelo Seripa III e a FAB informa que a investigação será célere. “A ação acontece em complemento às atividades realizadas pelo SERIPA III no local do acidente, em Caratinga/MG. Informamos que a conclusão da investigação terá o menor prazo possível, dependendo da complexidade do acidente e da necessidade de descobrir os fatores contribuintes.”

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que a aeronave não possuía caixa preta, conjunto de aparelhos que grava dados sobre o funcionamento do avião, seus sistemas e as conversas da tripulação.

Segundo o órgão, na aeronave foi encontrado apenas um geolocalizador que pode ser utilizado para confrontar o plano de voo. O dispositivo é umas das evidências para se compreender as causas do acidente

O acidente

A aeronave caiu em um curso d’água próximo de um acesso da rodovia BR-474. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que o avião bateu cabos de energia de uma torre de distribuição da companhia em Caratinga.

Neste sábado, a Cemig informou que a torre atingida pela aeronave está fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga.

Cemig diz que torre de distribuição atingida pelo avião de Marília Mendonça está fora de área de proteção do Aeródromo de Caratinga
Cemig diz que torre de distribuição atingida pelo avião de Marília Mendonça está fora de área de proteção do Aeródromo de Caratinga / Foto: Cemig

Conforme informou a analista da CNN Basília Rodrigues, o sistema usado pelo piloto não mostrava a rede de fios. No entanto, não está descartado que o piloto, experiente na profissão, pudesse ter conhecimento por outra fonte da existência dos fios, o que somente a investigação da FAB irá constatar.

Em nota, a empresa PEC Táxi Aéreo, dona da aeronave, informou que o avião era homologado na Agência Nacional de Aviação (Anac) para transporte aéreo de passageiros e “estava plenamente aeronavegável”.

“A tripulação engajada na operação tinha grande experiência de voo e também estava devidamente habilidade pela Anac, com todos os treinamentos atualizados. As condições meteorológicas eram favoráveis”, diz a nota.

“As causas do evento ainda são incertas e serão devidamente apuradas pelas autoridades aeronáuticas. A PEC se coloca à disposição das autoridades e prestará os devidos auxílios aos familiares das vítimas.”

A cantora Marília Mendonça, de 26 anos, e seu tio, Abicieli, foram sepultados na tarde deste sábado em Goiânia. Já o corpo do produtor Henrique Ribeiro foi levado para Salvador, na Bahia, onde foi velado e enterrado. O piloto e copiloto também foram velados em cerimônias particulares restritas aos familiares.

O velório da cantora foi aberto ao público e diversos artistas, amigos, fãs e familiares acompanharam a cerimônia durante a tarde de ontem no ginásio Goiânia Arena.

*Com informações de Adriana De Luca, Anna Gabriela Costa, Caroline Rosito e Murillo Ferrari, da CNN

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