Ibama e Receita Federal investigam carga de lixo internacional no porto de Santos

Cargas são provenientes dos Estados Unidos, República Dominicana e Honduras, e chegaram declaradas como material para reciclagem

Lixo foi encontrado prensado em papelões e foi declarado como material para reciclagem
Lixo foi encontrado prensado em papelões e foi declarado como material para reciclagem Divulgação/Ibama

Anna Gabriela Costada CNN

em São Paulo

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Mais de 70 contêineres com lixo prensado em papelões, incluindo lixo hospitalar, foram encontrados no porto de Santos (SP) nesta semana. As cargas são provenientes dos Estados Unidos, da República Dominicana e de Honduras, e chegaram declaradas como material para reciclagem.

Somadas, as cargas chegam a quase 1.800 toneladas. A atividade é proibida e o caso está sendo investigados como tráfico ilegal de resíduos perigosos e outros resíduos. A investigação envolve o Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Polícia Federal e Receita Federal.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em agosto foram fiscalizados 68 contêineres retidos pela Receita Federal no porto de Santos. Apenas nesta semana, mais três cargas contendo lixo foram descobertas.

As cargas traziam diversos tipos de resíduos como máscaras, luvas, copos plásticos, pratos, embalagens, ferragens e itens de uso individual com suspeita de contaminação.

Nos últimos três contêineres flagrados e bloqueados pela Receita Federal no porto de Santos, o Ibama  encontrou os resíduos nas mesmas condições das cargas anteriores: prensados em papelões.

De acordo com o Ibama, estas cargas apresentavam máscaras, papel higiênico utilizado, caixas de alimentos já consumidos, garrafas pets, e outros itens em meio aos papelões deteriorados. “Apresentando bactérias, fungos, mofo e umidade visíveis”, destacou o Ibama.

Cargas irregulares vieram dos EUA, Honduras e República Dominicana / Divulgação/Ibama

As autoridades sanitárias também alertam para o medo da entrada da peste suína africana, uma doença viral que não oferece risco à saúde humana, mas às criações de animais.

Segundo a chefe do Ibama em Santos, Ana Angélica Alabarce, serão aplicadas as multas e exigida a devolução imediata ao país de origem, tanto pelo Ibama como pela Receita Federal, podendo ser necessário o acionamento do Itamarati.

“É inadmissível tal importação, e principalmente nas atuais condições sanitárias. Temos que dar uma resposta para a sociedade, estamos atentos, é uma falta de respeito com o nosso país”, disse.

As multas aplicadas somam R$ 40 milhões e as empresas responsáveis foram notificadas para realizar a devolução das cargas às suas origens. O Ibama manteve em sigilo o nome das empresas responsáveis pelos contêineres devido ao inquérito.

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