O Grande Debate: Mudança na PF do RJ é interferência de Bolsonaro?

Gisele Soares e Thiago Anastácio ainda discutiram a volta do maestro Dante Henrique Mantovani ao comando da Fundação Nacional de Artes (Funarte)

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O Grande Debate da manhã desta terça-feira (5) abordou a mudança na superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. Como adiantado pela CNN, o atual ocupante do cargo, Carlos Henrique Oliveira, irá substituir Disney Rossetti como diretor executivo da PF, o segundo cargo mais importante dessa polícia.

A troca de cargos foi confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quando falou com jornalistas na saída do Palácio do Alvorada nesta manhã. Bolsonaro declarou que não interfere na instituição, não pediu a troca do superintendente e que não iria promovê-lo se tivesse algo contra ele.

No quadro da CNN, os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares repercutiram o assunto. O mediador do debate, Reinaldo Gottino, questionou os debatores se essa mudança na PF do Rio é uma interferência do presidente. 

Para Thiago Anastácio, a situação é complexa. “O sujeito ‘cai para cima’? Parece interessante. Bolsonaro apresentou um argumento que me faz pensar, pois sabemos que, muitas vezes, a forma de isolar alguém é dar a aparência de promoção”, disse ele sugerindo que a promoção poderia ser uma forma mais discreta de afastar o servidor do cargo que ocupava. 

Gisele Soares diz que a mudança na superintendência é um ato rotineiro e que tem sido questionado dentro do contexto do depoimento do ex-ministro Sergio Moro. Ela defende que “não necessariamente [uma interferência] possa ter acontecido”, já que mudanças de cargo seriam esperadas após a nomeação de Rolando Alexandre como novo diretor-geral da PF.

Mudança na Funarte

Gisele Soares e Thiago Anastácio também falaram sobre a renomeação de Dante Henrique Mantovani à frente da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Ele havia sido exonerado em 4 de março, o mesmo dia em que a atriz Regina Duarte assumiu a Secretaria Especial da Cultura. Nesta terça, ele foi reconduzido por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto.

A decisão pode significar uma fritura de Regina Duarte, segundo apontado pela analista de polícia Basília Rodrigues, da CNN. Em dezembro de 2019, o maestro se envolveu em uma polêmica ao publicar um vídeo em que associava o Rock a aborto e satanismo.

Thiago Anastácio avaliou que a renomeação é negativa e evidencia uma nova crise. “Se quando chegou à Secretaria de Cultura, ela o demitiu, então o retorno dele mostra desorientação e desrespeito às diretrizes dela”, avaliou ele, que ainda criticou o retorno. “É muito ruim que essas figuras estejam voltando ao governo depois de serem extirpadas. Se voltou é porque o problema não era sentido como real pelo governo”, completou.

Gisele Soares defendeu o lado técnico de Mantovani e pediu cautela. “Nomeações das pastas da cultura e educação sempre causam muita discussão. O maestro é uma pessoa que vem das artes e da cultura, portanto reúne conhecimento técnico para estar na Funarte”, disse. “É preciso que se analise com cautela e entenda qual foi a relação da secretária com essa nomeação antes que faça uma avaliação mais profunda e tome uma posição. Pode ser que ela tenha reavaliado. E precisamos conseguir separar as condutas pessoais das profissionais. A melhor resposta será dada pela secretária”, concluiu.

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