Profundamente gratos, diz família de Juliana Marins a voluntários no vulcão

"Sabemos das condições extremamente adversas", escreveu a família da brasileira, que morreu enquanto fazia uma trilha no vulcão na Indonésia

Thomaz Coelho, da CNN*, em São Paulo
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Em uma nova publicação nas redes sociais, a família de Juliana Marins, de 24 anos, que morreu enquanto fazia uma trilha no vulcão Rinjani, em Lombok, na Indonésia, agradeceu aos voluntários pelo trabalho na tentativa de resgate.

"Somos profundamente gratos aos voluntários que, com coragem, se dispuseram a colaborar para que o processo de resgate de Juliana fosse agilizado", disse a família na publicação.

Mensagens foram enviadas a dois voluntários que participaram dos trabalhos. No texto, a família diz que entende sobre as condições adversas e dos riscos que os voluntários enfrentaram.

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Morte de Juliana Marins

O corpo da brasileira Juliana Marins, de 24 anos, que morreu enquanto fazia uma trilha no vulcão Rinjani, em Lombok, na Indonésia, foi resgatado pela Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia, na manhã desta quarta-feira (25).

De acordo com o chefe da Basarnas (Agência Nacional de Busca e Resgate), Marechal do Ar TNI Muhammad Syafi’i, o corpo foi içado por socorristas, levado até uma base e, posteriormente, deve ser encaminhado até um hospital.

A brasileira foi encontrada morta nesta terça-feira (24), após quatro dias desaparecida no vulcão Rinjani, na Indonésia. A jovem, natural de Niterói (RJ), caiu durante uma trilha na última sexta-feira (20), sofrendo uma queda de aproximadamente 300 metros da trilha.

A médica especialista em resgate de emergência, Karina Oliani, avalia que a hipotermia pode ter sido um fator fatal.

Local do acidente e resgate

Juliana tropeçou, escorregou e caiu a uma distância de cerca de 300 metros da trilha. O Monte Rinjani possui um "terreno atípico", composto por cinzas vulcânicas compactadas que se comportam como um "lubrificante sólido".

Portela explica que isso torna as "partículas muito escorregadias", fazendo com que Juliana continuasse "escorregando" montanha abaixo após a queda inicial.

Os desafios do resgate foram imensos. A região do vulcão é de difícil acesso, com muita neblina que reduzia severamente a visibilidade e sereno que deixava as pedras escorregadias. O uso de helicópteros, considerado a "última esperança" pela família, foi inviabilizado pelas condições.

Histórico

O Parque Nacional do Monte Rinjani registra um histórico preocupante: "oito pessoas morreram e cerca de 180 sofreram acidentes desde 2020". Quase todos os anos ocorrem acidentes nas trilhas do parque, sendo quedas e torções os mais frequentes.

Um turista brasileiro, Vinicius dos Santos, que desistiu de subir o vulcão em 2023, relatou que "não havia qualquer estrutura de segurança", descrevendo o turismo na região como "por sua conta e risco" devido à "falta de sinalização, com socorro lento e escasso" e guias sem equipamentos adequados.

O geólogo Marcelo Gramani criticou a "demora no resgate e a falta de planejamento adequado no parque". Ele questionou a ausência de "medidas até de estruturas que de fato orientem o caminho do turista nesse trecho", especialmente porque a área já possui um histórico de problemas.

Gramani ressaltou que "a norma é não deixar ninguém sozinho em uma trilha ou em uma situação de risco". O governo indonésio reconheceu o aumento de acidentes e emitiu um pedido para a criação de um "Procedimento Operacional Padrão (POP) de Busca, Socorro e Evacuação".

A família de Juliana, que estava "vivendo um sonho de viajar pela Ásia", também enfrentou dificuldades para acompanhar o resgate devido a conflitos de informações e problemas de logística, como o pai de Juliana que ficou preso em aeroporto por conta de ataques em outra região.