Deolane Bezerra e PCC: entenda como transportadora era usada de "laranja"

"Lado a Lado" fazia parte de uma estrutura criada e dirigida internamente por membros da organização criminosa como forma de blindagem patrimonial

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, Beto Souza, Renan Fiuza e Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, em São Paulo
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A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). As investigações reveleram que uma empresa de nome fantasia "Lado a Lado" funcionava como elo entre a criadora de conteúdo e a facção. 

Segundo os apuradores, a transportadora não tinha apenas a função de prestadora de serviços, mas também fazia parte de uma estrutura criada e dirigida internamente por membros da organização criminosa como forma de blindagem patrimonial. 

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"Lado a Lado", a vizinha da prisão

Sediada em Presidente Venceslau (SP), a transportadora ficava localizada a cerca de 300 metros da Penintenciária II, onde a cúpula da facção estava presa antes de ser transferida para o sistema federal.

Os investigadores classificaram como "irônico" e "sugestivo" o nome fantasia "Lado a Lado", dada a proximimidade física com o presídio. A Justiça reconheceu que a empresa era um instrumento de lavagem de dinheiro do crime organizado. 

As investigações provaram que os verdadeiros donos eram os irmãos Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) e Alejandro Camacho (Gordão). Eles tomavam decisões sobre a compra de ativos e estratégias de negócio a partir da prisão.

Contas de Deolane, comprovantes e depósitos

De acordo com as investigações, o vínculo direto com Deolane foi comprovado após a apreensão do celular do administrador da empresa, que atuava como operador "laranja". 

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No aparelho, a polícia encontrou comprovantes de depóstios diretos para duas contas de Deolane.

As conversas apontavam que um homem identificado como Everton de Souza, o "Player", atuava como gestor financeiro e orientava o "dono" da "Lado a Lado" sobre quais contas deveriam receber a parte dos lucros pertencentes aos líderes Marcola e "Gordão". 

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Os repasses para a influenciadora ocorriam no contexto de "fechamento de contas" ou "balancetes" mensais do PCC, e não como pagamento por serviços advocatícios legais. A investigação ainda apontou que Deolane emprestava sua "aparente respeitabilidade social" para a fase de integração, inserindo o dinheiro "sujo" da transportadora na economia formal.

Outro lado

O que diz a família de Deolane

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."

Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.

É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.

A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.

As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.

É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.

Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.

 A CNN Brasil tenta contato com os outros citados. O espaço segue aberto.