Vídeo: Defesa e MP trocam ofensas durante júri sobre morte de Leandro Lo
Em uma briga generalizada durante Tribunal do Júri, a defesa do PM Velozo discutiu com membros do MP e amigos da vítima que acompanhavam a sessão

Uma discussão generalizada durante o depoimento de uma das testemunhas do caso Leandro Lo terminou em troca de ofensas entre a defesa do PM Henrique Velozo, acusado de matar o octacampeão mundial de jiu-jitsu, e membros do Ministério Público, além de amigos do atleta que acompanhavam a sessão.
Segundo o advogado Mauro Ribas, integrante da defesa do tenente, a confusão começou após o depoimento de Pedro, amigo de Lo e presente no dia do crime. Um representante do Ministério Público teria dirigido a expressão “fiscais da lei” aos advogados, o que deu início ao desentendimento.
Leandro Lo: veja linha do tempo sobre morte de ex-lutador em SP
Ribas afirma que rebateu a provocação mencionando supostas falhas do órgão, inclusive críticas ao comportamento de Leandro Lo por consumir bebida alcoólica e se envolver em agressões em festas.
A partir daí, segundo o advogado, “os ânimos se acaloraram”, levando a juíza a suspender a audiência e mandar esvaziar o plenário.
Veja trecho da briga:
A oitiva da testemunha foi retomada cerca de uma hora após o tumulto.
Em uma nota pública divulgada nesta segunda-feira (24), o Ministério público de São Paulo informou que as declarações apontadas são falsas e ofensivas.
"Declarações difundidas em ambientes virtuais imputando ao Ministério Público comportamentos “mentirosos” ou motivações alheias à verdade dos autos são falsas e ofensivas. Elas não se limitam ao direito de crítica — inerente a qualquer Estado Democrático de Direito—, mas buscam deslegitimar a atuação do Ministério Público e afetar sua credibilidade perante a sociedade." afirmam.
Na parte final do comunicado, o órgão reforça que não realizará disputas retóricas, bem como "não permanecerá silente diante de tentativas de abalar sua integridade institucional ou moral."
"A instituição seguirá desempenhando seu dever constitucional com firmeza, serenidade e independência, sem se intimidar por ataques ou tentativas de deslegitimação de sua atuação." completam.
Absolvição pelo júri
O ex-tenente da PM Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado pelo homicídio do lutador Leandro Lo, foi absolvido pelo júri nesta sexta-feira (14). O Conselho de Sentença entendeu que o militar agiu em legitíma defesa.
Leandro Lô Pereira do Nascimento morreu após ser baleado na cabeça em um show na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do dia 7 de agosto de 2022, no Esporte Clube Sírio.
A defesa do réu alegou, desde o início da ação penal, que o policial se defendeu do lutador e apontou contradições nos relatos das testemunhas, o que contribuiu para a decisão do júri.
Fátima Lo, mãe do campeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo, usou as redes sociais para repudiar a decisão.
"Ontem eu enterrei o Leandro pela segunda vez. Esse é o meu sentimento. O sentimento da gente, porque foi uma tristeza tão grande. A gente foi tão humilhado lá, tão massacrado pela defesa lá, aquele advogado e a bancada dele. Eles o tempo todo provocavam a gente, humilhavam, né? E a gente não podia falar nada. Não podia se manifestar, né? Eu passei mal", afirmou.
Fátima Lo também acusa a defesa de mentir diante do tribunal e afirma que eles "inventaram história" para garantir a impunidade do policial. A família afirma que vai recorrer da decisão.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo


