16% dos comércios mudaram de endereço durante a pandemia, aponta pesquisa

Redução do valor do aluguel e trabalho remoto foram os principais fatores que contribuíram para a migração

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
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Uma pesquisa nacional, encomendada pela VR, empresa de cartões de benefícios, ao Instituto Locomotiva, revelou que 16% dos estabelecimentos afirmaram que foi preciso mudar de endereço na pandemia.

Dentre as causas que levaram à decisão estão a redução do valor do aluguel (45%), o aumento das atividades no modelo remoto de trabalho (16%), a mudança para mais perto de casa (15%) e a redução do fluxo de pessoas (15%). O estudo aponta que, para 59% dos estabelecimentos, o novo endereço foi para bairros residenciais.

Os dados de deslocamento acompanham outro indicador: o aumento de responsáveis de estabelecimentos que passam a residir no interior. O patamar chega a 30% e, no ano passado, se mantinha em 16%. O movimento aponta não apenas uma expansão significativa, como a retomada necessária do setor.

“Com o aumento de empresas que mudaram o formato de trabalho para híbrido ou 100% remoto, as regiões comerciais perderam um pouco da força por depender da circulação dos consumidores,” explica Priscila Abondanza, diretora executiva de Experiência do Cliente da VR. “Essa mudança no comportamento e hábitos de consumo permitiu que estabelecimentos migrassem para outras regiões e pudessem obter uma redução de custos”, continua.

O estudo ainda mostra que, das 760 entrevistas, 58% dos responsáveis pelos estabelecimentos são homens e 65% têm 40 anos ou mais.

Outro recorte do estudo mostra que, além da mudança do local, a pandemia causou outros impactos para os comércios. A movimentação, por exemplo, diminuiu: 98% dos estabelecimentos comerciais entrevistados estão funcionando desde antes da pandemia, contudo, 44% estão com movimento menor, principalmente restaurantes e lanchonetes e padarias.

O estudo ouviu responsáveis pela gestão de estabelecimentos comerciais em todo o Brasil, de 28 de julho a 25 de agosto deste ano sobre o que os comércios fizeram no período que englobou toda a pandemia, o cenário atual e o que pretendem fazer futuramente.

Questionado a respeito de como isso deve afetar as margens da companhia, Vinícius Porto, diretor de Experiência do Cliente, afirmou que a estratégia leva em conta essa questão e tem mecanismos para melhorar esse indicador.