Governo vai punir senadores "traidores" e busca oposição para reverter derrota

Soraya Thronicke, do PSL do Mato Grosso do Sul, Izalci Lucas, do PSDB do DF, e Jorginho Mello, do PL de Santa Catarina, eram considerados votos certos

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
20 de agosto de 2020 às 18:26 | Atualizado 20 de agosto de 2020 às 18:43

O governo vai retaliar os senadores que considera que o traíram na votação de ontem do Senado que derrubou o veto à medida que permitia aumento de salário para servidores públicos.  

São eles: Soraya Thronicke, do PSL do Mato Grosso do Sul, Izalci Lucas, do PSDB do Distrito Federal, e Jorginho Mello, do PL de Santa Catarina. No mapa feito pelo governo para a votação, os três eram contados como votos certos pela manutenção do veto e que, desse modo, dariam a vitória no placar de ontem. 

O voto do senador Izalci Lucas foi o que mais irritou o presidente Jair Bolsonaro. Em razão disso, ele deverá ser destituído do posto nesta sexta-feira. Soraya e Jorginho deverão perder os cargos que, segundo fontes, ambos detêm na administração federal. 

A ideia é fazer com que a derrota no Senado sirva de  alerta para eventuais traições futuras. Por isso, o governo que usar o caso como exemplar na retaliação.

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Plenário do Senado
Foto: Adriano Machado/Reuters

A expectativa agora é para reverter a derrota na Câmara. No mapeamento do governo, há entre 290 e 300 votos favoráveis á manutenção do veto na casa. Um primeiro termômetro da casa já foi verificado na votação de um requerimento para adiamento da sessão que a base acabou derrubando com ampla maioria de 341 votos. Para o veto ser mantido, bastam 257 votos.

A avaliação é a de que os deputados irão corresponder à articulação que se iniciou na noite de ontem, após a derrota no Senado. Primeiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, operaram para que a sessão ocorresse na tarde desta quinta-feira, contrariando parte dos deputados que já queria a votação ontem mesmo.

Com mais tempo para negociar, o Centrão e especialmente o novo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, entraram em operação, junto com o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. 

Barros operou diretamente com deputados. Ramos procurou governadores da base e até mesmo da oposição:  Camilo Santana, do PT do Ceará; Rui Costa, do PT da Bahia, e Paulo Câmara, do PSB de Pernambuco. Também foram procurados Romeu Zema, do Novo de Minas Gerais, Ratinho Júnior do PSD do Paraná e Eduardo Leite do PSDB do Rio Grande do Sul. O pedido foi para que conversassem com as bancadas de deputados para manter o veto, uma vez que a queda poderia impactar nas contas dos estados.