‘Quero presidir uma Câmara que não se vende por 30 moedas’, diz Baleia Rossi

Candidato do MDB à presidência da Casa afirmou que vê interferência do Planalto na disputa contra Arthur Lira (PP)

Tainá Farfan, da CNN, de Brasília
28 de janeiro de 2021 às 13:50 | Atualizado 28 de janeiro de 2021 às 16:28

 

Um dos preferidos na disputa pela presidência da Câmara, deputado Baleia Rossi (MDB), nome encabeçado pelo grupo do atual presidente Rodrigo Maia (DEM), afirmou, nesta quarta-feira (28) que quer “presidir uma Câmara que não se vende por 30 moedas”, se referindo ao comentário de Maia desta quarta-feira (27) sobre o governo prometer R$ 20 bilhões em emendas em troca de votos ao adversário de Baleia, deputado Arthur Lira (PP).

“Vejo meus adversários de salto alto cantando vitória e vejo uma interferência brutal do Palácio do Planalto na tentativa de diminuir o debate na Câmara, fragilizar o trabalho dos parlamentares”, afirmou Baleia Rossi.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse, em conversa com apoiadores na saída do Alvorada na manhã de quarta-feira, que “se Deus quiser” vai “influir na presidência da Câmara”.

Ao ser questionado sobre rachas dentro de partidos do seu bloco, como o DEM, e maioria da Frente Parlamentar da Agropecuária apoiar o adversário, Baleia afirmou que vê desespero por parte dos adversários. “Vejo um desespero dos nossos adversários querendo criar factoides. Quem está tranquilo para a eleição, não precisa mentir”, disse.

O candidato do MDB ainda afirmou que o relatório da reforma tributária está pronto e, se eleito, pretende votar ainda no primeiro trimestre. Para ele, se já tivesse sido aprovado, “poderia ter evitado a saída da Ford do Brasil”.

Baleia ainda comentou que “impeachment não pode ser bandeira de uma candidatura, mas constitucionalmente cabe ao presidente fazer essa análise” e reforçou que fará “todas essas análises à luz da Constituição”.

Ele ainda comentou sobre a possível instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) para investigar a atuação do Ministério da Saúde durante a pandemia. Sobre isso, ele converge com seu principal adversário, Arthur Lira, ao defender que com as assinaturas necessárias, a CMPI poderá ser instalada.

“Uma das atribuições da Câmara é fiscalizar o Executivo, além de legislar e fiscalizar nossas bases. Para instalar uma CPI, é preciso 171 assinaturas e um fato concreto. Se tiver esses requisitos, não há porque não abrir essa CPMI”, afirmou.