Análise: Governo tenta blindar Planalto da CPI do Master em ano eleitoral

Julliana Lopes, no Hora H, avalia a mudança na estratégia do governo federal, que agora busca evitar comissão parlamentar de inquérito sobre o caso Master para não criar palco político em 2026

Da CNN Brasil
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O governo federal está tentando proteger o Palácio do Planalto diante da tentativa de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso do Banco Master, em meio a um ano eleitoral. Análise é de Julliana Lopes no Hora H.

A especialista destacou uma mudança significativa na estratégia de comunicação do governo. Enquanto anteriormente figuras como Randolfo Rodrigues e Alessandro Vieira, considerados próximos ao governo, haviam se manifestado favoráveis a qualquer tipo de investigação sobre o caso Master, agora José Guimarães, líder do governo na Câmara dos Deputados, expressou posição contrária à abertura da CPI.

Segundo a analista de Política da CNN, o argumento utilizado por Guimarães é que a comissão poderia se transformar em um "palco eleitoral". "É claro que esse risco é evidente em qualquer CPI. O governo não tem voto, tem uma quantidade muito significativa de integrantes do Centrão e da oposição que conseguem fazer pressão quando a composição é favorável", explicou Lopes.

A mudança de postura ocorre após o próprio Daniel Vorcaro, do Banco Master, ter assumido perante o Supremo Tribunal Federal que usar o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) fazia parte de seu modelo de negócio. Esta revelação contraria o discurso inicial que tentava associar o caso a um embate contra o mercado financeiro.

A jornalista também mencionou que o governo está tentando "reembalar o discurso" sobre o caso. Na semana anterior, Lula havia feito pronunciamento em tom eleitoral, tentando conectar o caso Master à sua bandeira de combate à desigualdade entre ricos e pobres no Brasil.

"Está evidente que o governo está tentando driblar esse discurso, tentando fazer uma proteção do Palácio do Planalto em meio a um ano eleitoral. Melhor não ter CPI, porque em ano eleitoral isso vai virar um palco para quem quer se projetar para as eleições de 2026", concluiu Julliana Lopes.

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