ANS diz fazer “apuração rigorosa” sobre denúncias contra a Prevent Senior

Agência Nacional de Saúde Suplementar solicitou informações à operadora de saúde sobre os tratamentos realizados no combate à Covid-19

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou nesta sexta-feira (1º) que está fazendo uma “apuração rigorosa e cuidadosa” sobre as acusações que envolvem a Prevent Senior e foram divulgadas pela CPI da Pandemia. O diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Vanderlei Rebello Filho, irá prestar depoimento à Comissão na próxima quarta-feira (6).

“ANS está tomando todas as providências possíveis para apuração dos indícios de infrações à legislação da saúde suplementar e está atuando para um rápido retorno à sociedade dentro de suas atribuições”, diz a agência em nota.

A Prevent Senior é acusada, em um dossiê elaborado por médicos que fazem ou faziam parte de seu quadro de funcionários, de fazer testes com cloroquina no tratamento contra a Covid-19, que não possui comprovação científica, e ocultar as informações dos pacientes.

Entre as denúncias apresentadas, está a pressão exercida pela operadora de saúde para a prescrição indiscriminada de medicamentos do “kit covid”, como cloroquina, azitromicina e ivermectina. A empresa ainda teria assediado pacientes para aceitarem o tratamento precoce.

A estratégia foi adotada, segundo os documentos, para o governo federal influenciar a população a consumir os medicamentos. Os documentos ainda dizem que a empresa Vitamedic lucrava com a venda dos fármacos, e a Prevent Senior com novas adesões ao plano de saúde.

De acordo com a ANS, assim que foram divulgadas as ações da operadora, instaurou processos de apuração. A agência solicitou informações para a operadora sobre os procedimentos realizados, e realizou uma reunião com seus representantes. Também foram enviados ofícios aos funcionários que conceberam o dossiê. As análises estão em curso e segundo a ANS “são necessárias para subsidiar as decisões sobre medidas que venham a ser tomadas”.

Bruna Morato, representante dos médicos que fizeram o dossiê, afirmou durante seu depoimento à CPI, em 28 de setembro, que a operadora de saúde se uniu ao “gabinete paralelo”, que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas questões relacionadas à pandemia, e intimidou médicos para prescreverem os remédios sem comprovação científica.

Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, admitiu durante seu depoimento à CPI, em 22 de setembro, que a empresa orientou médicos a alterarem o CID — o código utilizado mundialmente para identificar e diferenciar as doenças — de pacientes com Covid-19 após um período de internação, o que teria resultado em um número subdimensionado de mortes em razão da doença na rede da operadora.

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