Bolsonaro diz acreditar em arquivamento de inquérito sobre interferência na PF

A mensagem do presidente veio a público após uma reunião com o procurador-geral da República, Augusto Aras

Da CNN, em Brasília e São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou nota nesta segunda-feira (25) em que volta a negar que tenha interferido politicamente na Polícia Federal e afirma que “por questão de Justiça”, diz acreditar “no arquivamento natural do inquérito que motivou a divulgação do vídeo”. Por “vídeo”, o presidente se refere à gravação da reunião ministerial de 22 de abril, liberada por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A mensagem do presidente veio a público após uma reunião com o procurador-geral da República, Augusto Aras. Indicado por Bolsonaro em 2019, Aras é quem vai ter a responsabilidade de decidir se o presidente deve ou não ser denunciado a partir da investigação sobre as declarações de Sergio Moro, que pediu demissão do Ministério da Justiça acusando o presidente de pretender interferir na PF.

“Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles”, disse o presidente.

A gravação da reunião foi considerada peça importante do inquérito após o ex-ministro ter relatado o que interpretou como uma pressão do presidente durante o encontro. Na transcrição do diálogo, há momentos em que o presidente cobra informações da PF e diz que não pode ser “surpreendido com notícias”.

Em um outro ponto considerado chave, Bolsonaro também diz que teria tentado trocar “gente da segurança nossa no Rio de Janeiro” e que não teria conseguido. O ex-ministro Sergio Moro afirma que o presidente gostaria de ter ingerência na superintendência da corporação no Rio de Janeiro.

“Não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.

Poderes

Após críticas recentes a ministros do STF, o presidente afirmou esperar “responsabilidade e serenidade no trato do assunto”. Neste domingo (24), Bolsonaro publicou nas redes sociais uma mensagem com um trecho da Lei de Abuso de Autoridade, especificamente do artigo que trata de “divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir”.

Na nota divulgada, o presidente disse que “reafirma” seu compromisso e respeito “com a democracia e membros dos poderes Legislativo e Judiciário”. Na sequência, Bolsonaro fala em “respeito mútuo”.

“É momento de todos se unirem. Para tanto, devemos atuar para termos uma verdadeira independência e harmonia entre as instituições da República, com respeito mútuo”, diz Bolsonaro, em trecho da nota.

O presidente já criticou decisões recentes que considerou desrespeitosas, em especial a decisão do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, que suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal.

Mais recentemente, causou tensão institucional um pedido apresentado por parlamentares para que o Supremo determine a apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro. O ministro Celso de Mello enviou o pleito para um parecer de Augusto Aras.

A possibilidade de a diligência vir a ser adotada levou a uma nota em que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, fala sobre “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Íntegra da nota divulgada:

“Diante da recente divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril do corrente ano, pontuo o seguinte:

1. Mantenho-me fiel à proteção e à defesa irrestritas do povo brasileiro, especialmente os mais humildes e aos que mais precisam. Sinto-me bem ao seu lado e jamais abrirei mão disso.

2. Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles.

3. Espero responsabilidade e serenidade no trato do assunto.

4. Por questão de Justiça, acredito no arquivamento natural do Inquérito que motivou a divulgação do vídeo.

5. Reafirmo meu compromisso e respeito com a Democracia e membros dos Poderes Legislativo e Judiciário.

6. É momento de todos se unirem. Para tanto, devemos atuar para termos uma verdadeira independência e harmonia entre as instituições da República, com respeito mútuo.

7. Por fim, ao povo brasileiro, reitero minha lealdade e compromisso com os valores e ideais democráticos que me conduziram à Presidência da República. Sempre estarei ao seu lado e jamais desistirei de lutar pela liberdade e pela democracia.

Jair Messias Bolsonaro
Presidente da República”

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