Brasil está completamente indefeso na questão militar, diz professor
Gunther Rudzit avalia fala de Lula sobre investimentos em defesa e aponta contradição entre discurso e prática orçamentária
O Brasil está completamente indefeso do ponto de vista militar. A afirmação foi feita pelo professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit em entrevista ao Hora H desta sexta-feira (24), ao comentar declarações de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de investimentos na área de defesa para, nas palavras do próprio, "não deixar ninguém meter o nariz no país".
Segundo Rudzit, a melhor síntese da situação atual das Forças Armadas Brasileiras já havia sido feita de forma transparente pelo próprio ministro da Defesa, que assumiu publicamente a vulnerabilidade do país.
"Alguns talvez diriam sincericídio, mas não", avaliou o especialista. "Ele foi ao extremo de assumir essa realidade brasileira para ver se desperta a classe política para a situação que as Forças Armadas Brasileiras estão diante de um mundo que se transformou completamente."
Necessidade de reforma, não apenas de investimento
Para Rudzit, não basta aumentar os recursos destinados à defesa. É preciso, antes de tudo, reformar a estrutura do setor. "Não adianta só jogar mais dinheiro e continuar mais do mesmo", afirmou.
O especialista citou os conflitos na Ucrânia e no Golfo como exemplos de que o cenário global exige modernização e planejamento central — elementos que, segundo ele, o Brasil ainda não possui.
Contradição entre discurso e prática
Rudzit também apontou uma contradição significativa no governo de Lula. Apesar do discurso em favor dos investimentos em defesa, o ministério da área foi justamente o que sofreu a maior retenção no último corte orçamentário realizado pelo governo."Ou seja, a prática é um e o discurso dele é outro", concluiu o especialista.
Além disso, Rudzit comentou a questão das terras raras e o posicionamento do Brasil frente à China, maior refinadora do mineral no mundo. Para ele, o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nessa área levará décadas e exigirá uma política de Estado contínua, que transcenda governos.
O especialista também destacou que o processo de industrialização das terras raras gera grande impacto ambiental — um ponto que, segundo ele, ainda está ausente do debate nacional.


