Colaborar com a CPI é dever cívico, diz secretário de Saúde de São Paulo

Jean Gorinchteyn foi convocado à Comissão para esclarecer a subnotificação de mortes após diretor da Prevent Senior dizer que empresa alterava código de diagnósticos da Covid-19

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (24), que vê sua convocação para a CPI da Pandemia como um dever cívico para colaborar com esclarecimentos sobre a condução da Covid-19 no estado.

“Eu vejo isso como um dever cívico, como gestor público de colaborar com esclarecimentos que possam realmente trazer maiores informações a respeito até de outras condições e seguimentos que tem sidos travados por São Paulo para enfrentamento da pandemia”, explicou o secretário.

Gorinchteyn foi convocado para a Comissão por requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), para esclarecer a subnotificação de mortes no estado, após o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, alegar que os códigos de diagnósticos da Covid-19 eram alterados pela operadora.

Segundo Pedro Júnior, o código era mudado para “tirar o paciente do isolamento”, mas a causa da morte — neste caso, a Covid-19 — era mantida na certidão de óbito que seria enviada à Vigilância Sanitária, e contabilizada por autoridades de Saúde.

De acordo com o secretário, o governo de São Paulo realizou uma força-tarefa na Prevent Senior a partir do momento “que o numero de mortes saltou aos olhos de todo o país”.

Entretanto, Gorinchteyn alegou que “naquele momento não foi achado nenhum dado que desabonasse a instituição”, onde foram avaliados os hospitais e as condutas dos médicos da rede.

Em um dossiê entregue à CPI, a Prevent Senior é acusada de fazer testes com cloroquina no tratamento da Covid-19 e ocultar as informações dos pacientes.

Médicos que trabalham ou trabalhavam na empresa reuniram uma série de irregularidades e encaminharam ao senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da Comissão.

Entre as denúncias, está a pressão exercida pela companhia para que fosse prescrito indiscriminadamente cloroquina, azitromicina e ivermectina.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) criou uma força-tarefa para apurar possíveis irregularidades na operadora de saúde.

O procurador-geral do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Mario Sarrubbo, afirmou que com a conduta da Prevent Senior, a investigação pode estar lidando com crimes contra a vida.

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