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    Estado de exceção, 100 mil agentes: como é o esquema de segurança do Equador para a eleição

    Forças Armadas estão mobilizadas em todo o território nacional desde o assassinato de um dos candidatos

    Tiago Tortellada CNN

    São Paulo

    Após os assassinatos de dois políticos, cerca de 100 mil agentes de forças de segurança estarão mobilizados para garantir a segurança das eleições presidenciais e legislativas do Equador, que acontecem no dia 20 de agosto.

    A Polícia Nacional contará com um contingente de 53.707 tropas em todo o território, segundo informou o ministro do Interior, Juan Zapata. Também serão montados três postos de comando unificados para acompanhamento “minuto a minuto” do pleito.

    Zapata também observou que 44 candidatos solicitaram segurança, especialmente nas províncias de Esmeraldas, Santo Domingo, Guayas, Manabí e Cañar.

    Se juntam ao efetivo policial 43 mil membros das Forças Armadas. Na quarta-feira (16), agentes foram destacados para 4.390 recintos eleitorais de todo o país.

    Autoridades também reforçaram que a segurança será garantida no pleito. Em coletiva de imprensa na quarta, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador, Diana Atamaint, destacou que haverá trabalho coordenado para garantir o “normal desenvolvimento deste processo democrático”.

    Anteriormente, o ministro da Defesa do Equador, Luis Lara Jaramillo, afirmou que “os cidadãos têm a garantia de que as Forças Armadas darão a segurança necessária para a realização dos comícios”. A fala aconteceu um dia após o assassinato do candidato Fernando Villavicencio,

    “O voto equatoriano será a melhor resposta às máfias e seus aliados. Vamos agir com total decisão, com absoluta firmeza, com o maior patriotismo”, adicionou.

    VÍDEO – Equador: vídeo mostra momento do ataque que matou Fernando Villavicencio

    Forças Armadas mobilizadas

    O Exército do Equador realiza ações nas ruas do país desde o assassinato de Villavicencio, incluindo revista de carros e de cidadãos.

    As Forças Armadas estão mobilizadas em todo o território nacional por um período de 60 dias, conforme o decreto de estado de exceção assinado pelo presidente Guillermo Lasso.

    No anúncio do decreto, Lasso pontuou que a medida visa a “segurança dos cidadãos, a tranquilidade do país e das eleições livres e democráticas”.

    O decreto 841 também limita a liberdade de reunião e suspende a inviolabilidade do domicílio e a inviolabilidade da correspondência enviada ou recebida.

    O prazo de 60 dias baseia-se, segundo o decreto, em “manter a presença reforçada do Estado no território nacional por tempo suficiente para poder proteger e fortalecer a ordem pública, a paz social, a ordem estabelecida e limitar as cenas de violência contra pessoas e bens públicos e privados”.

    Assassinato de Villavicencio

    Villavicencio, ex-parlamentar e jornalista investigativo com histórico de denunciar corrupção, foi morto a tiros ao deixar um comício no Anderson College, em Quito, capital do Equador, no dia 9 de agosto. Ele foi baleado várias vezes na cabeça após entrar no carro no qual sairia do local.

    Seis colombianos foram acusados pelo assassinato e permanecem sob custódia. A polícia os acusa de ligações com grupos criminosos.

    O Equador, país com 18 milhões de habitantes, tem visto uma onda crescente de violência nos últimos anos, incluindo aumento acentuado de assassinatos.

    Embora as cédulas para a eleição convocada pelo presidente cessante Guillermo Lasso já tivessem sido impressas antes do assassinato de Villavicencio, os votos para ele serão automaticamente transferidos para o substituto do partido.

    VÍDEO – Quem era Fernando Villavicencio, político morto a tiros no Equador

    Entenda a eleição presidencial do Equador

    A eleição presidencial do Equador está marcada para ocorrer no domingo (20), tendo sido antecipada pelo presidente Guillermo Lasso.

    A antecipação foi feita depois que o chefe de Estado decretou a chamada “morte cruzada” — a dissolução da Assembleia Nacional –, reduzindo o tempo de seu próprio mandato.

    Após o assassinato de Villavicencio, os principais postulantes à Presidência do Equador se pronunciaram nas redes sociais, sendo que alguns informaram a suspensão de suas campanhas. Eles também lamentaram o ocorrido e pediram apuração do crime.