Indícios de fuga e tese de surto de Bolsonaro; especialista analisa prisão

Especialista em Direito Penal analisa tentativa de violação do equipamento de monitoramento e aponta que confissão prejudica possibilidade de defesa

Da CNN Brasil
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O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na madrugada de sábado (22), em Brasília, após danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A confissão do próprio Bolsonaro sobre a tentativa de violação do equipamento de monitoramento eletrônico complica significativamente sua situação jurídica.

A professora de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas, Luisa Ferreira, destaca em entrevista à CNN que o ato configura um grave indício de tentativa de fuga.

A especialista ressalta que, embora inicialmente pudesse haver argumentos defensáveis contra a prisão preventiva baseada em atos de terceiros, a confissão do próprio Bolsonaro mudou substancialmente o cenário.

"No primeiro momento, quando não se sabia exatamente o que tinha acontecido com a tornozeleira, tinha um argumento forte da defesa contra essa prisão. Quando vem a confissão, a gente tem o ato do ex-presidente Jair Bolsonaro, um grave indício de tentativa de fuga. Agora o ônus é da defesa", afirma Ferreira.

Impacto na defesa e possibilidades jurídicas

A situação atual compromete significativamente as chances de revogação da prisão preventiva e fragiliza possíveis pedidos de prisão domiciliar humanitária. Mesmo com a previsão legal para casos de doença grave, a tentativa de violação do equipamento de monitoramento torna mais difícil a concessão de benefícios.

"Não vejo muita saída para a defesa agora pedir a revogação da prisão preventiva. Tem esse argumento de surto, mas aí a defesa vai ter que provar. Complica também o pedido de prisão domiciliar humanitária", diz a jurista.

Quanto ao local de cumprimento da pena após o trânsito em julgado, a tendência é que Bolsonaro seja transferido para uma penitenciária. No entanto, considerando sua condição de saúde, a transferência pode não ser imediata, mantendo-o temporariamente na cela especial da Superintendência da Polícia Federal.

Em relação às visitas durante o período de detenção, as regras são mais restritas do que na prisão domiciliar. Apenas advogados constituídos têm acesso livre, enquanto familiares e amigos precisam passar por cadastro prévio e seguir horários específicos de visitação, com número limitado de visitantes por vez.

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