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    Ministra de Lula apaga das redes vídeo em que apoia acusado de chefiar milícia

    Episódio envolvendo Daniela Carneiro gerou críticas ao presidente, que foi crítico da suposta associação de aliados de Jair Bolsonaro (PL) milicianos no RJ

    A ministra Daniela Carneiro (ao centro, de azul) durante cerimônia no Planalto
    A ministra Daniela Carneiro (ao centro, de azul) durante cerimônia no Planalto Wilton Junior/Estadão Conteúdo - 05.jan.2023

    Gabriel HirabahasiEmanuelle Leonesda CNN

    A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, apagou de suas redes sociais um vídeo em que recebe o apoio eleitoral de um acusado de chefiar uma milícia na Baixada Fluminense.

    Até a tarde desta quinta-feira (5), o vídeo ainda constava no canal da ministra no YouTube. O vídeo é de 2018 e se refere à primeira campanha de Daniela Carneiro, quando ela disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. À época, a então candidata estava filiada ao MDB.

    Márcio Pagniez, que aparece no vídeo no canal de Daniela Carneiro, é conhecido como Marcinho Bombeiro. Em 2019, ele foi preso preventivamente, acusado de homicídio e de liderar uma milícia na região. Sua prisão foi justificada porque ele estaria agindo “com extrema violência e ostentando armas de fogo de grosso calibre pela localidade”, segundo a Promotoria.

    À época, Pagniez era presidente da Câmara de Vereadores de Belford Roxo (RJ), cidade comandada por Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, marido de Daniela.

    “Muito obrigada pelo apoio e confiança, meu amigo Marcinho Bombeiro, presidente da Câmara Municipal de Belford Roxo. Juntos vamos mudar a realidade de toda a Baixada Fluminense, em especial da nossa querida cidade”, escreveu a ministra na publicação.

    Após a repercussão do vídeo, a publicação foi apagada –como já havia sido feito em outras redes sociais.

    O episódio envolvendo Daniela iniciou uma onda de críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi um crítico da suposta associação de aliados de Jair Bolsonaro (PL) com a milícia no Rio de Janeiro.

    A CNN entrou em contato com a assessoria de empresa do Ministério do Turismo, mas não recebeu resposta até o momento

    Pagamentos a empresa ligada a caixa 2

    Além da ligação apontada com acusados de chefiar milícias no Rio, Daniela Carneiro também enfrenta problemas com a Justiça em casa. Seu marido, o atual prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro (o Waguinho), foi alvo de uma ação do Ministério Público do Rio de Janeiro em 2016 por suposto caixa dois e sua campanha à prefeitura à época.

    De acordo com o Ministério Público, Waguinho teria usado dinheiro não contabilizado para produzir material gráfico de campanha.

    “Segundo consta do relatório de fiscalização, em 27 de julho de 2016, a fiscalização do TRE-RJ apreendeu os folhetos, que são apenas alguns dos milhares de exemplares desse material de propaganda que foi produzido e pago antes da abertura da conta de campanha. Além disso, milhares de exemplares do luxuoso material de propaganda foram distribuídos nessa cidade, cujo exemplar foi apreendido pelo TRE-RJ em 3 de agosto de 2016, conforme relatório de fiscalização. Todavia, compulsando-se os autos da prestação de contas apresentada pelos réus, observa-se que a conta bancária específica do réu Wagner foi aberta em 11 de agosto de 2016 e começou ser efetivamente movimentada em 05 de setembro de 2016”, afirmou o Ministério Público na ação.

    A gráfica Lastro Indústria Gráficas confirmou que prestou os serviços para a campanha de Waguinho, mas não soube informar o valor. O sócio-administrador da imprensa disse, apenas, que “tirou mais de R$ 200 mil em notas fiscais”, segundo o MP.

    A mesma gráfica recebeu, em 2018 e em 2022, recursos da campanha de Daniela Carneiro –desta vez, declarados conforme manda a Justiça Eleitoral. Foram R$ 370 mil pagos em 2018 e R$ 64 mil em 2022, de acordo com sua prestação de contas.

    O caso envolvendo Waguinho acabou resultando na condenação na Justiça Eleitoral e na perda de seu mandato, decisão que acabou revertida na Justiça e arquivada após o fim do mandato encerrado em 2020.