Plasma convalescente: como funciona a técnica no combate à Covid-19


Karla Chaves e Luana Franzão da CNN, em São Paulo
17 de agosto de 2020 às 06:00

A pandemia do novo coronavírus provocou grande agitação no mundo da ciência. Vacinas, medicamentos e outros métodos de combate ao vírus estão em teste no mundo todo.

Uma das técnicas mais comentadas, recentemente, tem sido a que utiliza plasma em organismos infectados. O plasma é a parte líquida do sangue, onde estão os linfócitos, estruturas importantes de defesa do corpo humano.

Quando uma pessoa é infectada por um vírus e se cura, na maioria dos casos, o sistema imunológico produziu células de defesa eficazes, como anticorpos e células T. Estas ficam alojadas no plasma sanguíneo após sua produção.

Pesquisas estudam qual o possível efeito de realizar transfusões de plasma convalescente entre pessoas que se curaram da Covid-19 e aquelas que estão infectadas pelo vírus.

A técnica espera fazer com que células de defesa presentes no plasma de uma pessoa já recuperada possam ajudar um sistema sobrecarregado pela infecção do vírus a se defender e diminuir a gravidade da doença.

Estudos recentes mostraram que essa técnica foi efetiva no tratamento de pacientes em estágio grave da Covid-19.

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Esse não é um método inédito e já foi usado na tentativa de combater inclusive a pandemia de gripe espanhola no século XX.

Segundo o imunologista Gustavo Cabral – formado em Oxford, Reino Unido e Berna, na Suíça – "é preciso entender que [o método] é só uma ação imediata, pois ele [o plasma] age e depois é inutilizado no organismo".

Em entrevista à repórter Karla Chaves, Cabral explicou que o plasma não age como uma vacina por exemplo, que induz a produção da imunidade contra a doença. A técnica que utiliza o plasma seria um jeito de tentar combater o vírus quando este já penetrou o organismo.

Dr. Gustavo Cabral e Karla Chaves conversam em frente à fundo com coronavírus

Gustavo Cabral responde à perguntas acerca das pesquisas em vacinas contra a Covid-19

Foto: CNN Brasil