Entenda por que os testes de eficácia de vacinas podem dar resultados diferentes

Coronavac alcançou 91,25% de eficácia na Turquia; o resultado não deve se repetir no Brasil

da CNN, em São Paulo
25 de dezembro de 2020 às 10:08


A Turquia anunciou que a Coronavac -- vacina contra a Covid-19 produzida pela chinesa Sinovac --, que também está em teste por lá, alcançou 91,25% de eficácia. Por outro lado, o resultado não deve se repetir no Brasil. À CNN, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que não espera 90% de eficácia

A biomédica Mellanie Fontes-Durta explica como é possível que a Coronavac tenha resultados diferentes nos dois países. “A Turquia liberou os resultados preliminares, provavelmente fruto de uma análise interina, conduzida ao longo do estudo. Esse resultado contou com a análise de 1.322 participantes, onde 29 eventos foram contabilizados para se chegar nesse valor de eficácia”, diz.

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O médico Dennis Noronha, de 38 anos, recebe injeção durante teste da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan e pela Sinovac
Foto: Acervo pessoal

“O ponto que o Brasil está, segundo anúncios dos próprios envolvidos, como o Instituto Butantan, é que já teríamos completado o número de eventos necessários. Já foi divulgado que cerca de 170 eventos foram analisados, e já vacinamos cerca de 13 mil pessoas. Então, são pontos diferentes desse desenvolvimento”, afirma. 

Além disso, de acordo com a especialista, é preciso prestar atenção em várias variáveis, pois podem alterar a eficácia do imunizante, como a distribuição demográfica da população e a idade da pessoa que foi imunizada.

“Se os idosos não foram incluídos, o valor da eficácia é impactado. Estudos na Indonésia e Turquia estão testando pessoas entre 18 e 59 anos. Aqui, a gente já incluiu idosos porque já estamos em um ponto diferente de desenvolvimento.”

(Publicado por Thâmara Kaoru)