Anvisa deve liberar vacina da Astrazeneca antes da Coronavac

Ambas fizeram o pedido oficial de registro nesta sexta-feira (8), mas a farmacêutica inglesa estava já muito à frente da chinesa na apresentação de documentos

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
08 de janeiro de 2021 às 19:37 | Atualizado 08 de janeiro de 2021 às 19:50

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deverá liberar o uso emergencial da vacina da Astrazeneca antes da Coronavac. Ambas fizeram o pedido oficial de registro nesta sexta-feira (8), mas a farmacêutica inglesa estava já muito à frente da chinesa na apresentação de documentos prévios.

Mas esse não é o único motivo. A Astrazeneca tem pedidos de uso emergencial já aprovados em outros países - Inglaterra e Argentina. A Coronavac tem uso aprovado na China, mas com base nos estudos da fase 2, e não da 3, como a legislação brasileira exige. 

A forma como o Butantan apresentou seu pedido também integra a avaliação. O instituto anunciou que apresentaria nesta quinta-feira (7) a solicitação, após uma primeira reunião com a Anvisa. O instituto agendou uma nova reunião para as 17h com o objetivo de apresentar o pedido, que inclusive chegou a ser anunciado pelas autoridades paulistas, que depois recuaram. 

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Uma nova reunião foi agendada para as 10h desta manhã para que fosse apresentada, mas o instituto preferiu apresentar primeiro o pedido para depois se reunir com as autoridades paulistas. 

Um outro motivo é a forma como foram apresentados à imprensa os dados. Faltaram, por exemplo, dados sobre efeitos colaterais ou subgrupos específicos. Ou ainda como se chegou ao cálculo de 78% de eficácia. 

Se esses dados, comuns nas apresentações mundo afora, faltarem, o processo será paralisado.

As análises dos documentos das duas farmacêuticas, apresentados pela Fiocruz (Astrazeneca) e pelo Butantan (Coronavac), estão sendo feitas, e uma primeira avaliação sobre eventuais omissões, pela lei, é preciso ser apresentada em até 24 horas a partir do pedido. 

Se isso ocorrer com alguma delas, o processo de autorização na Anvisa é paralisado até que a questão seja sanada.  

A expectativa é de que já na semana que vem o país já tenha a primeira vacina com uso emergencial liberada para utilização. 

O problema é que, se for a Astrazeneca, ainda não haverá vacina para ser aplicada, uma vez que, ao contrário da Coronavac, elas não estão em solo brasileiro. 

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O Itamaraty tem negociado com a Índia a remessa de 2 milhões de doses, mas a negociação está lenta e não houve avanços até agora. 

Por outro lado, se a Coronavac já for liberada, o Butantan já tem mais de 10 milhões de doses para serem aplicadas na população.