Ministério é criticado em abaixo-assinado e carta da Associação Médica Brasileira

Após profissionais e pesquisadores de saúde levantarem 65 mil assinaturas em carta repúdio à nota pró-cloroquina, AMB se manifesta contra Queiroga alegando "erros de conduta e deslizes éticos" na gestão da pandemia

Renata Souzada CNN

em São Paulo

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A Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou, nesse domingo (23), um boletim manifestando “erros de conduta e deslizes éticos” do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na gestão da pandemia de Covid-19.

No documento, a AMB defende que Queiroga deve, como ministro, garantir o direito à Saúde, conforme a Constituição, e respeitar o Código de Ética da Medicina, enquanto médico.

A Associação enumera uma série de “fatos contundentes” e “preocupantes” da gestão do ministro.

Dentre eles, o grupo ressalta que, em agosto do ano passado, o ministro posicionou-se contrário ao uso obrigatório de máscaras; e no mês seguinte, Queiroga recomendou a paralisação da campanha de vacinação na faixa etária dos 12 aos 17 anos para jovens sem comorbidades.

A AMB também pontuou a atuação recente do ministro da Saúde na vacinação de crianças.

A associação usou como argumento, a demora para início da vacinação de crianças de 5 a 11 anos — em dezembro do ano passado, a Anvisa autorizou o uso do imunizante da Pfizer para esse grupo, mas a campanha começou no país somente em 14 de janeiro deste ano.

Além disso, a AMB criticou a convocação de consulta pública referente à vacinação infantil feita pelo Ministério da Saúde.

A entidade finaliza dizendo que “o Brasil está em alerta e pede mudanças na gestão da saúde. Nós, do grupo CEM COVID_AMB, conclamamos ao senhor Ministro a cumprir os preceitos constitucionais que lhe cabem no exercício de sua nobre missão”.

A pasta posicionou-se por meio de nota:

“O Ministério da Saúde esclarece que em nenhum momento afirmou que medicamentos contra Covid são seguros para tratamento da doença, nem questionou a segurança das vacinas, que é atestada pela agência reguladora.”

Segundo o Ministério, “a interpretação foi retirada erroneamente de uma manifestação de nota técnica da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (SCTIE). A secretaria informou que observada isoladamente não traduz o real contexto, explicitado no próprio texto. A interpretação de que ela afirma existência de evidências para o medicamento cloroquina e não existência de evidências para vacinas é errada e descontextualizada”.

Nesta segunda-feira (24), a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, enviou à Procuradoria Geral da República um pedido de apuração em relação à demora na inclusão das crianças no plano de imunização contra a Covid-19. A ministra do STF defende que o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro da Saúde podem ter prevaricado.

Abaixo-assinado

Já na última sexta-feira (21), o Ministério da Saúde publicou uma nota-técnica contendo uma tabela que indica que a hidroxicloroquina tem efetividade no tratamento da Covid. Em contrariedade à Anvisa, o documento afirma ainda que as vacinas não possuem efetividade.

Em repúdio à tal nota, docentes, profissionais da Saúde e pesquisadores brasileiros criaram um abaixo-assinado que já conta com quase 65 mil assinaturas.

O manifesto afirma que “o comportamento do Ministério da Saúde transgride não somente os princípios da boa Ciência, mas avança a passos largos para consolidar a prática sistemática de destruição de todo um sistema de saúde”.

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