Cidade do Rio passa a exigir passaporte da vacina para maiores de 40 anos

Balanço do município aponta mais de 300 mil 'atrasados' da vacinação, que podem ser barrados em estabelecimentos

Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro
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O Rio de Janeiro tornou obrigatória a apresentação do passaporte da vacina para uso de espaços coletivos para pessoas de 40 anos ou mais a partir desta sexta-feira (1º). Até então, a exigência valia apenas para a faixa etária a partir de 50 anos. A decisão entra em vigor em um cenário no qual a cidade tem quase 325 mil pessoas a partir deste grupo etário em atraso na campanha de imunização.

Deste total, mais de 18 mil pessoas não receberam qualquer dose de imunizante contra a Covid-19. A maioria, no entanto, recebeu a primeira aplicação e, apesar de o calendário já ter determinado o retorno, não voltaram aos postos para concluir a imunização. Elas somam 306,3 mil cariocas. No grupo de 40 a 49 anos, há 183,8 mil cariocas em atraso.

A cobrança do esquema vacinal completo tem sido gradativa no Rio de Janeiro que, aos poucos, amplia a exigência por faixa etária. A partir de 1º de novembro, a norma valerá também para pessoas entre 30 e 39 anos e, na segunda quinzena do mês, todos os maiores de 18 anos precisarão comprovar a imunização completa.

Para que isto aconteça, será necessário correr contra o tempo. A cidade tem 1,2 milhão de pessoas entre 18 e 39 anos que ainda não receberam a segunda dose, e outras 46,5 mil que não apareceram nos postos ne mesmo para a primeira. O comprovante de vacinação permite frequentar ambientes como academias de ginástica, piscinas, centros de treinamento e condicionamento físicos, museus, cinemas, galerias e pontos turísticos.

Para alcançar os atrasados, a prefeitura do Rio de Janeiro fará esse mês vacinação em locais onde há grande circulação de pessoas, como estações dos corredores BRT e estações do metrô. De acordo com o município, a maioria dos pacientes internados com Covid-19 na rede SUS é formada por quem não recebeu sequer uma dose da vacina ou que apresenta esquema vacinal incompleto.

Na quinta-feira (30), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux reestabeleceu o passaporte da vacina, que tinha sido derrubado por uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Atraso vacinal por faixa etária na cidade do Rio de Janeiro:

  • 12 a 17 anos: 63.843 (1ª dose)
  • 18 e 19: 5.514 (1ª) e 131.263 (2ª)
  • 20 a 29: 9.080 (1ª) e 588.093 (2ª)
  • 30 a 39: 31.981 (1ª) e 528.692 (2ª)
  • 40 a 49: sem atraso (1ª) e 183.847 (2ª)
  • 50 a 59: sem atraso (1ª) e 68.996 (2ª)
  • 60 a 64: sem atraso (1ª) e 30.109 (2ª)
  • 65 a 69: sem atraso para as duas doses ou dose única
  • 70 a 74: 9.208 (1ª) e 2.391 (2ª)
  • 75 a 79: sem atraso (1ª) e 13.491 (2ª)
  • 80 ou mais: 9.170 (1ª) e 7.486 (2ª)

Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e estão disponíveis no Painel Covid-19. O número de pessoas com a segunda dose em atraso contabiliza apenas aquelas que receberam a primeira e não retornaram para concluir a imunização.

A aplicação da segunda dose para o público de 12 a 17 anos ainda não começou e, por isto, não há atraso para esse grupo etário.