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    Com UTIs lotadas, pacientes recorrem a Unidades de Pronto Atendimento em SP

    De acordo com um levantamento da CNN, pelo menos 82 pessoas morreram enquanto aguardavam por um leito no estado

    Bruno Oliveira, Isabella Faria e Itamar Jr., da CNN, em São Paulo

    Recordes de mortes e de casos de Covid-19 e ocupação de leitos de UTI acima de 90% em pelo menos 17 estados. Para pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil vive o maior colapso sanitário e hospitalar da história do país

    São Paulo é um dos estados que alcançou a marca de 90% de ocupação de leitos de UTI. De acordo com um levantamento da CNN, pelo menos 82 pessoas morreram enquanto aguardavam por um leito no estado. 

    Um levantamento da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo junto a 25 hospitais estaduais com caráter regional situados no estado apontou que 24 deles estão com 100% de ocupação de leitos de UTI exclusivos para Covid-19. 

    Com os hospitais lotados, muitos pacientes com Covid-19 têm procurado as Unidades de Pronto Atendimento (UPA). É o caso da consultora de vendas Rita Veroneze, que esteve na UPA de Itaquera, na zona leste de São Paulo, em busca de atendimento para o sobrinho. 

    “A febre dele não passa. Muita tosse, dor de cabeça, sem paladar, sem olfato, sem nada. Ele está muito fraco. Indicaram essa UPA e nós trouxemos. Graças a Deus ele está sendo atendido. Está demorado? Está demorado. Quando nós chegamos avisaram que ia demorar em média cinco horas para o atendimento”, contou Rita. 

    Segundo a família, o sobrinho de Rita foi atendido, mas não conseguiu um leito. Debilitado, ele voltou para casa e está tomando remédios. 

    Na Unidade de Pronto Atendimento do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, a situação não era diferente. Diego Silva demorou mais de sete horas para conseguir realizar o teste para Covid-19. 

    Pessoas aguardam vagas para leitos de UTI em São Paulo
    Com a taxa de ocupação dos leitos de UTI em São Paulo em 90%, diversas pessoas aguardam uma vaga
    Foto: Reprodução / CNN

    “Minha mãe está infectada e cinco pessoas foram afastadas do meu trabalho essa semana. Vim fazer o teste e encontrei uma UPA lotada, sem atendimento ou informações”, disse o consultor de vendas.

    Em meio a tanta espera, porém, um alívio. José Reginaldo Ferreira conseguiu um leito de internação para sua mãe, que foi transferida para o Hospital da Brasilândia. “Ela está lúcida, mas com oxigenação baixa e usando máscara de oxigênio; mas, graças a Deus, um leito está vago”, contou. 

    Grande São Paulo

    Já em Franco da Rocha, município da Grande São Paulo, a auxiliar de limpeza Eliana Patricia Sales da Silva esperava em frente à UPA da cidade notícias sobre sua irmã, que aguardava por uma vaga em um leito de UTI. “Eu já chorei, não estou me sentindo bem, não estou comendo direito. É muito triste. Não só para a minha irmã, mas para todos que estão nessa situação”, contou.

    Eliana diz que foi informada pelo médico que o estado de saúde da irmã é estável, mas, como a saturação está baixa, é necessário mais oxigênio. 

    O prefeito de Franco da Rocha, Nivaldo da Silva Santos (PTB), explicou que ainda existem leitos de baixa complexidade disponíveis no município, mas que o problema é quando o paciente precisa de mais cuidados. 

    “O estado não está conseguindo atender todos os casos que necessitam de um tratamento de UTI. Infelizmente, a situação é gravíssima. Nós hoje temos 25 pacientes aguardando essas vagas no sistema Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde).

    De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a demanda de transferências para casos de Covid-19 registradas na Cross cresceu 117% em comparação ao pico da pandemia: atualmente, são 1,5 mil pedidos por dia, contra 690 em junho de 2020. Já houve mais de 180,3 mil regulações desde março do ano passado. 

    Ainda segundo a secretaria, a regulação depende da disponibilidade de leitos e de condição clínica adequada para que o paciente seja deslocado com segurança até o hospital de destino.