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    Conheça os critérios para doar sangue

    Período festivo é um desafio para os hemocentros, pois o número de doadores costuma diminuir

    Ministério da Saúde reforça a importância da doação de sangue, iniciativa que pode ajudar a salvar vidas
    Ministério da Saúde reforça a importância da doação de sangue, iniciativa que pode ajudar a salvar vidas Raimundo Valentim/Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O período das festas de fim de ano é um desafio para os hemocentros, pois o número de doadores de sangue costuma diminuir. O Ministério da Saúde reforça a importância da doação de sangue, iniciativa que pode ajudar a salvar vidas.

    A diretora de relações externas e intercâmbios da Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo, Carla Luana Dinardo, explica que a falta de reserva no hemocentro pode causar adiamento de cirurgias.

    “Os familiares sabem a dor que é cancelar uma cirurgia cardíaca, oncológica ou de paciente crônico de quimioterapia porque não temos bolsa de sangue. Fica o apelo para que as pessoas levem o espírito de natal e não tirem férias da doação: aproveitem esse tempo para doar sangue”, afirma.

    Segundo a especialista, a doação voluntária de sangue garante o abastecimento seguro e contínuo para suporte de transfusões e atendimento de diversos pacientes que dependem de tratamentos relacionados.

    Grupos sanguíneos

    A compatibilidade do sistema ABO e o fator Rh, que indica se o sangue é positivo ou negativo, estão entre os critérios indispensáveis para uma transfusão sanguínea segura e eficaz.

    Além do sistema ABO, o mais conhecido de divisão sanguínea, existem pelo menos 43 grupos com mais de 378 antígenos. A especialista explica essas tipificações, que se referem à presença ou não de uma substância na membrana do glóbulo vermelho.

    “Nessa membrana celular podemos encontrar o antígeno A, o antígeno B ou até mesmo o antígeno A e B. Mas também é possível que esse glóbulo vermelho não tenha antígeno nenhum, nesse caso ele será o que chamamos de sangue O”, diz Carla.

    A compatibilidade é parte fundamental para o sucesso das transfusões. “Transfusão incompatível no sistema ABO pode levar à morte do paciente, pois as defesas do nosso corpo são muito fortes e uma vez que detectam sangue incompatível, vão destruir os glóbulos vermelhos com o outro tipo de antígeno, causando lesão pulmonar e outros quadros graves”, esclarece.

    O que são sangues raros?

    Além dos grupos sanguíneos de maior importância, como os sistemas ABO, Rh, Kell, Duffy e Kidd, há os chamados sangues raros, que são mais difíceis de encontrar na população de doadores e pacientes.

    Quando há um doador com esse tipo sanguíneo, ele deve seguir as orientações do hemocentro quanto à frequência de suas doações. “O que mais precisamos no nosso país é o chamado antígeno U negativo. Em segundo lugar, temos a substância Vel negativo e o Kidd nulo”, afirma Carla.

    Devido à dificuldade de encontrar esses grupos sanguíneos, os hemocentros, em parceria com o Ministério da Saúde, abastecem um banco de dados de diversos sangues raros em nível nacional no Brasil, chamado Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR). Depois que o hemocentro identifica integrantes de sangue raro, inicia-se uma busca ativa entre os familiares desses indivíduos.

    “É um trabalho de formiguinha que fazemos e de apelo, porque o Brasil é gigantesco e é difícil conseguir acionar essas raridades quando precisamos, por isso o banco de dados do CNSR e o suporte da Coordenação de Sangue é tão importante para levar insumos ao paciente que precisa”, diz.

    Saiba como doar sangue

    Interessados devem procurar um Hemocentro (lista de hemocentros no Brasil) para checar os requisitos necessários e conferir os impedimentos temporários e definitivos – veja abaixo.

    O intervalo de doação é de dois meses para homens, restrito a quatro doações por ano.

    Para mulheres, as doações podem ser feitas de três em três meses, sendo no máximo três doações anuais.

    Requisitos para doação

    • Ter entre 16 e 69 anos;
    • Ter mais de 50kg;
    • Já ter doado alguma vez, no caso de pessoas entre 60 e 69 anos, para repetir o procedimento;
    • Apresentar o consentimento formal dos pais, se menor de 18 anos.
    • Identificação oficial com foto (carteira de identidade, carteira nacional de habilitação, carteira de trabalho, passaporte, registro nacional de estrangeiro, certificado de reservista e carteira profissional ou documentos digitais com fotos

    No dia da doação

    • Dormir ao menos seis horas nas 24h anteriores à doação;
    • Alimentar-se bem;
    • Evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação de sangue;
    • Aguardar pelo menos duas horas para doar sangue após o almoço.

    Impedimentos temporários

    • Pessoas com gripe, resfriados ou com quadro de febre (necessário aguardar sete dias até o desaparecimento dos sintomas);
    • Mulheres no período gestacional, no pós-parto (esperar 90 dias se parto normal e 180 se cesárea), ou em amamentação (aguardar primeiro ano de aleitamento materno do bebê);
    • Consumo de bebida alcoólica: esperar 12h após a ingestão;
    • Tatuagem e/ou piercing: esperar doze meses para doar (no entanto, se o piercing for em cavidade oral ou região genital, a pessoa não pode mais ser doadora); se as condições de realização desses procedimentos forem seguras (após avaliação da entrevista) o período pode ser menor;
    • Extração dentária: aguardar 72h;
    • Casos de apendicite, hérnia, amigdalectomia (retirada das amígdalas palatinas) e varizes: esperar 3 meses;
    • Colecistectomia (retirada da vesícula biliar), histerectomia (retirada do útero ou do colo do útero), nefrectomia (retirada de um dos rins), redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia (remoção da glândula tireoide), colectomia (retirada de parte ou de todo o intestino grosso): aguardar 6 meses;
    • Transfusão de sangue: esperar 1 ano;
    • Vacinação: tempo de impedimento varia de acordo com a vacina;
    • Exames ou procedimentos com aparelhos endoscópicos: aguardar seis meses;
    • Expostos a situações de risco acrescido de infecções sexualmente transmissíveis: esperar 12 meses após o contato.

    Quem não pode doar?

    • Pacientes que tiveram hepatite após os 11 anos de idade;
    • Suspeita ou evidência clínica/laboratorial de hepatites B e C, do HIV, do HTLV e doença de Chagas;
    • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
    • Malária (depende do tipo de agente causador, do tempo após o tratamento e a completa cura; na maioria dos casos o tempo de impedimento é de um ano).