Crianças não vacinadas representam 90% dos casos moderados a graves de Covid-19, diz estudo

Pesquisa revela ainda que na ausência da imunização elas liberam partículas virais por mais tempo, fator que influencia na transmissão do coronavírus

Lucas Rocha, da CNN, em São Paulo
Porto Alegre | Rio Grande do Sul
Vacinação de crianças contra a Covid-19 reduz riscos de agravamento da doença  • Cristine Rochol/PMPA
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Crianças não vacinadas são mais propensas a desenvolver sintomas graves de Covid-19, representando 90% dos casos moderados a graves da doença entre o público pediátrico. Os dados são de um estudo publicado no periódico International Journal of Infectious Diseases.

A pesquisa revela ainda que na ausência da imunização elas liberam partículas virais por mais tempo, fator que influencia na transmissão do coronavírus.

A análise foi conduzida por pesquisadores de diferentes universidades chinesas durante o surto da variante Ômicron em Xangai, entre março e maio de 2022. As crianças aptas para vacinação na época receberam Coronavac ou a vacina inativada da Sinopharm.

Segundo o estudo, entre as 2.620 crianças e adolescentes infectados, 62% não estavam vacinados – destes, mais de 80% tinham até 5 anos. Os menores de 3 anos, que no período analisado ainda não eram elegíveis para vacinação, apresentaram maior risco de ter Covid-19 grave. Crianças de outras idades que ainda não tinham recebido o imunizante também mostraram maior chance de ter sintomas moderados a graves em relação às vacinadas.

Do total de participantes do estudo, 38,6% eram assintomáticos. A maior parte dos casos sem sintomas ocorreram em crianças que estavam com o esquema completo de imunização, da faixa etária de 6 a 17 anos. Dos quadros moderados a graves, 90,6% aconteceram em não vacinados. Além da falta de imunização, sobrepeso e obesidade foram outros fatores de risco observados para o desenvolvimento de doença grave, de acordo com a pesquisa.

Um estudo anterior, também conduzido durante o surto da Ômicron na cidade chinesa, mostrou que mais de 70% das crianças com Covid-19 que manifestaram sintomas ainda não tinham tomado a vacina. A infecção sintomática foi mais frequente no grupo com idade menor que 3 anos, seguido do grupo de 3 a 5 anos.

Esquema vacinal contra a Covid-19 para crianças

No Brasil, crianças de 6 meses a 5 anos, que receberam Pfizer Baby, tem o esquema básico de três doses, com intervalo de quatro semanas após a dose 1 e oito semanas entre a dose 2 e dose 3.

Crianças de 6 anos ou mais devem receber um esquema básico de duas doses, além de um reforço. A vacina Coronavac possui duas doses, recomendação que vai em bula e é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As crianças de 3 a 5 anos que receberam, por exemplo, Coronavac, em duas doses, devem receber um reforço, uma dose a mais de Pfizer, que é o imunizante de RNA mensageiro.

Confira o esquema vacinal por faixa etária

  • Crianças de 6 meses a menores de 5 anos:
    Vacina Pfizer: 1ª dose, 2ª dose, 3ª dose
    Intervalo: 4 semanas após a dose 1 e 8 semanas após a dose 2
  • Crianças de 3 anos a menores de 5 anos:
    Vacina Coronavac: 1ª dose, 2ª dose e reforço
    Intervalo: 4 semanas entre dose 1 e dose 2 e reforço 4 meses após a dose 2, feito preferencialmente com a vacina da Pfizer
  • Crianças de 5 anos a 11 anos:
    Vacina Pfizer: 1ª dose, 2ª dose e reforço
    Intervalo: 8 semanas entre dose 1 e dose 2 e reforço 4 meses após a dose 2, feito preferencialmente com a vacina da Pfizer
    Vacina Coronavac: 1ª dose, 2ª dose e reforço
    Intervalo: 4 semanas entre dose 1 e dose 2 e reforço 4 meses após a dose 2, feito preferencialmente com a vacina da Pfizer

(Com informações do Instituto Butantan)