Dr. Kalil e especialistas explicam quando a insônia exige tratamento

Especialistas explicam ao CNN Sinais Vitais os tipos de insônia, seus impactos na longevidade e as terapias disponíveis para quem sofre com o distúrbio do sono

Da CNN Brasil
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A insônia deixa de ser um problema ocasional e passa a exigir tratamento quando começa a prejudicar a qualidade de vida durante o dia. Essa é a avaliação de especialistas entrevistados pelo Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais deste sábado (2). Eles discutiram os tipos de insônia, seus efeitos sobre a saúde e as opções terapêuticas disponíveis.

Segundo o pneumologista Geraldo Lorenzi-Filho, diretor do Laboratório do Sono do InCor, é natural que situações de estresse pontual, como a preparação para uma prova, gerem alguns dias de dificuldade para dormir. O problema surge quando esse quadro se estende por semanas e começa a comprometer o funcionamento do indivíduo ao longo do dia.

"Se isso se estende por semanas e começa a causar prejuízo para o seu dia, aí você tem que procurar ajuda, porque isso é uma insônia que está causando sintomas", afirmou.

Geraldo explicou que o diagnóstico da insônia é essencialmente clínico e que o distúrbio se manifesta de três formas distintas. A primeira é a dificuldade de iniciar o sono, mais frequente em pessoas ansiosas.

A segunda é a dificuldade de manter o sono, quando o indivíduo adormece, mas não consegue permanecer dormindo. A terceira é o despertar precoce, quando a pessoa acorda muito antes do horário desejado e não consegue voltar a dormir, acumulando prejuízos ao longo do tempo.

Sono e longevidade

O cardiologista Luciano Drager, da Unidade de Hipertensão do InCor, destacou a relação direta entre a qualidade do sono e a expectativa de vida. "As pessoas que estão com distúrbios do sono de forma importante, como ter uma apneia, como ter uma insônia, ter uma privação do sono, elas encurtam a vida", afirmou.

Segundo ele, respeitar a qualidade, a quantidade, a regularidade do sono e tratar eventuais distúrbios pode contribuir para prolongar a vida. Luciano também ressaltou a importância do sono para a saúde cerebral, especialmente na terceira idade.

De acordo com o cardiologista, pesquisas indicam que é durante o sono que o organismo realiza a remoção de substâncias tóxicas que se acumulam no cérebro e estão associadas a doenças como o Alzheimer e outras formas de demência. "Dormir bem vai ser essencial para a longevidade e, digo mais, com qualidade", concluiu.

Tratamentos disponíveis

Geraldo Lorenzi-Filho apontou que a terapia cognitivo-comportamental ainda é considerada a melhor abordagem para o tratamento da insônia, por trabalhar hábitos como horários regulares para dormir e acordar e a prática de exercícios físicos.

O especialista também mencionou avanços recentes, como o uso de medicações para perda de peso, que demonstraram reduzir significativamente a apneia obstrutiva do sono em pacientes obesos.

"Cada 10% do peso que você perde, por causa da deposição de gordura, você melhora a apneia em 30%", explicou. Além disso, existem medicamentos tanto para induzir quanto para manter o sono, embora o pneumologista alerte que seu uso deve ser feito com cautela, sempre acompanhado de uma avaliação dos hábitos que contribuem para o sono de má qualidade.

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