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    HTLV: O que é, sintomas, causas e possíveis tratamentos

    Saiba como acontece a transmissão e prevenção do HTLV e entenda sobre as manifestações clínicas desse retrovírus

    O que é HTLV, sintomas e possíveis tratamentos
    O que é HTLV, sintomas e possíveis tratamentos Divulgação/Opas

    Da CNN

    em São Paulo

    O HTLV — que pertence à mesma família do HIV — tem a capacidade de infectar células fundamentais para o sistema de defesa do organismo. O desafio do vírus ainda é atual para a ciência, mais de 40 anos depois de quando foi descoberto.

    A infecção, por exemplo, pode ser silenciosa. Entre 5% e 10% das pessoas infectadas pelo vírus podem manifestar quadros graves como doenças da medula espinhal, doença neurológica degenerativa grave ou leucemia das células T.

    No Brasil, entre 800 mil e 2,5 milhões de pessoas vivem com o vírus, segundo estimativas do Ministério da Saúde.

    No entanto, o número de casos pode ser ainda maior uma vez que o diagnóstico acontece na maior parte das vezes durante a doação de sangue.

    A seguir, entenda como acontece a transmissão, quais são os sintomas, qual é o tratamento e como se prevenir.

    O que é HTLV?

    O HTLV, chamado tecnicamente de vírus linfotrópico de células T humanas, é um tipo de retrovírus, assim como o HIV, vírus da imunodeficiência humana.

    Esse retrovírus infecta células T do sistema imunológico humano. Ele foi o primeiro retrovírus humano com capacidade de levar ao desenvolvimento de câncer descoberto na década de 1980.

    Como o vírus é classificado?

    O vírus possui 4 subtipos: HTLV-1, HTLV-2, HTLV-3 e HTLV-4, sendo o primeiro sendo o mais comum e clinicamente relevante.

    O HTLV-1 é o causador de doenças como a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL) e a mielopatia associada ao HTLV-1, também conhecida como paraparesia espástica tropical (PET).

    Essa infecção ocorre principalmente através do contato com sangue contaminado, como transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas infectadas e de mãe para filho durante a amamentação.

    O HTLV-2, por sua vez, está associado a algumas doenças neurológicas e imunológicas, embora seja geralmente menos patogênico que o HTLV-1.

    Tanto o 3 como 4 subtipos foram encontrados em pessoas na África Subsaariana, segundo o Ministério da Saúde, como um resultado de infecção zoonótica.

    Por que ele é o “primo” do HIV?

    O HTLV é frequentemente chamado de “primo” do HIV devido a algumas semelhanças em suas características e classificação viral.

    Ambos os vírus são retrovírus, o que significa que têm a capacidade de converter seu RNA em DNA usando uma enzima chamada transcriptase reversa e, em seguida, integrar esse DNA no genoma da célula hospedeira.

    Isso permite que esses vírus se replicam dentro das células humanas e persistam no organismo.

    Além disso, tanto o HTLV quanto o HIV infectam células do sistema imunológico, especificamente as células T, que são importantes para a defesa do organismo contra infecções.

    A infecção dessas células compromete a função do sistema imunológico e pode levar a problemas de saúde mais graves.

    Apesar dessas semelhanças, é importante destacar que o HTLV e o HIV são vírus distintos com características e podem ter impactos diferentes no organismo humano.

    O HTLV é associado principalmente a doenças neurológicas e hematológicas, enquanto o HIV é responsável pela síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e causa um comprometimento mais amplo e grave do sistema imunológico.

    Como acontece a transmissão do HTLV?

    A transmissão do HTLV ocorre através do contato direto com fluidos corporais infectados, principalmente o sangue, mas também pode ocorrer por meio de outras vias.

    As principais formas de transmissão do HTLV são, segundo o Ministério da Saúde:

    • Contato sexual desprotegido: a transmissão sexual é uma das vias mais comuns de disseminação do HTLV, principalmente através do contato íntimo sem o uso de preservativos com uma pessoa infectada;
    • Uso compartilhado de agulhas e seringas: o compartilhamento de equipamentos contaminados entre usuários de drogas injetáveis é uma rota;
    • Transmissão vertical: o HTLV pode ser transmitido de mãe para filho durante a amamentação, se a mãe estiver infectada. A transmissão também pode ocorrer durante a gravidez ou o parto, embora seja menos comum do que a transmissão pelo leite materno.

    Quais são os sintomas do HTLV?

    Sintomas do HTLV
    Sintomas do HTLV / Imagem: Shutterstock

    Os sintomas do HTLV podem se apresentar de forma não perceptível em muitas pessoas, o que significa que elas não têm manifestações visíveis da presença do vírus e nem problemas de saúde relacionados ao vírus.

    Segundo a Fundação Hemominas, 9 em cada 10 pessoas portadoras do HTLV-1 nunca apresentarão qualquer problema decorrente a esse subtipo.

    No entanto, em outros casos, a infecção pode levar ao desenvolvimento de sintomas e doenças específicas.

    “O vírus infecta células do sistema de defesa chamadas linfócitos T e pode causar diversas síndromes”, explica a pesquisadora Ana Carolina Paulo Vicente, do Laboratório de Genética Molecular e Microrganismos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

    Entre as mais graves está a mielopatia associada ao HTLV, também chamada de paraparesia espástica tropical, que afeta a medula espinhal, provocando dificuldades de movimento, até mesmo com perda da locomoção”.

    “Outro quadro importante é a leucemia de células T humana do adulto, um tipo de câncer sanguíneo associado ao vírus. Além disso, o vírus está ligado a síndromes dermatológicas, oftalmológicas e urológicas”, completa.

    Uma das manifestações que afeta cerca de 5% dos indivíduos infectados pelo HTLV-1 é a HAM, uma doença neuro inflamatória crônica que resulta em uma progressiva desmielinização da medula espinhal.

    Clinicamente, ela se caracteriza por paraparesia espástica, incontinência urinária e distúrbios sensitivos, o que pode dificultar a realização das atividades diárias do paciente.

    Além disso, foram relatadas anormalidades na sensibilidade e na marcha, bem como disfunção vesical isolada, disfunção erétil e síndrome sicca em indivíduos infectados pelo HTLV-1.

    A infecção também pode levar ao desenvolvimento da síndrome de Sjögren, uma doença autoimune que destrói as glândulas que produzem a lágrima e a saliva.

    Como é feito o diagnóstico?

    Diagnóstico do HTLV
    Diagnóstico do HTLV / Imagem: shutterstock

    O diagnóstico da infecção pelo HTLV acontece por meio de testes laboratoriais que detectam a presença de anticorpos específicos contra o vírus.

    Os principais métodos utilizados incluem testes imunoenzimáticos (EIA), quimioluminescência e aglutinação de micropartículas de látex sensibilizadas, que são direcionados aos constituintes antigênicos das regiões do coração e do envelope viral.

    Após a obtenção de um resultado positivo no teste de triagem (ELISA ou quimioluminescência), é necessária a confirmação do diagnóstico.

    Ela pode ser feita por meio de diferentes técnicas complementares, tais como teste de Western-blot (WB), INNOLIA, reação de polimerase em cadeia (PCR) ou imunofluorescência indireta.

    O uso do Western-blot e da PCR, além de confirmar a infecção, possibilita a distinção entre a infecção causada pelo HTLV-1 e pelo HTLV-2, permitindo uma avaliação mais precisa e específica do tipo de vírus presente no paciente.

    Segundo informações também do Ministério da Saúde, a detecção do HTLV tornou-se possível a partir de 1983, quando testes sorológicos foram introduzidos para avaliar a disseminação do vírus.

    No Brasil, esses testes foram implementados 10 anos depois e tornaram-se obrigatórios em todos os bancos de sangue.

    Durante os processos de fertilização in vitro no Brasil, também é feita a triagem para o vírus.

    E o tratamento?

    O tratamento para a infecção pelo HTLV é direcionado de acordo com a doença associada ao vírus.

    O Ministério da Saúde orienta que os indivíduos devem ser acompanhados nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Se for preciso, essas pessoas devem seguir em serviços especializados para o diagnóstico — e, consequentemente, algum tratamento precoce para qualquer problema associado ao vírus.

    Em relação às manifestações neurológicas do HTLV-1, como a paraparesia espástica tropical (HAM), ainda que não exista um tratamento curativo, é altamente recomendado que os pacientes recebam acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

    Ou seja, devem ser envolvidos médicos especialistas (neurologista, infectologista, urologista, dermatologista, oftalmologista), fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e psicólogos.

    O objetivo é oferecer suporte e cuidados para melhorar a qualidade de vida do paciente e controlar os sintomas associados à doença.

    Em casos de leucemia ou linfoma de células T do adulto (ATLL), o tratamento visa alcançar uma resposta completa ou parcial. Mas vale dizer que ainda não existe um consenso sobre as opções de tratamento de primeira linha.

    Cada caso é avaliado individualmente, e a escolha do tratamento dependerá da gravidade da doença, do estado de saúde geral do paciente e de outros fatores específicos.

    Assim como para o HIV, até hoje não foi descoberta uma solução terapêutica definitiva para eliminar o vírus completamente do organismo infectado.

    Porém, é importante ressaltar que o acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a evolução da infecção pelo HTLV e detectar quaisquer complicações ou sintomas o mais cedo possível.

    O tratamento oportuno e adequado pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes e controlar as complicações associadas ao HTLV.

    Principais recomendações de prevenção contra o HTLV

    A pesquisadora Ana Carolina destaca que medidas podem ser adotadas com potencial de reduzir significativamente os novos casos.

    “Uma das ações fundamentais é incluir a triagem para o HTLV nos exames do pré-natal em países com transmissão do vírus”, explica.

    Nesses casos, a amamentação está contra indicada. “Dessa forma, é possível fazer o aconselhamento das gestantes com relação ao aleitamento materno, que é a via de transmissão mais expressiva atualmente”, afirma.

    O Ministério de Saúde recomenda o uso de inibidores de lactação e de fórmulas lácteas infantis.

    Nos bancos de sangue, o Brasil foi um dos pioneiros ao implantar a triagem para o HTLV ainda no começo dos anos 1990, mas essa ainda é uma questão em alguns países.

    “Medidas como o não compartilhamento de seringas e uso da camisinha nas relações sexuais também são importantes para a proteção, da mesma forma que ocorre com o HIV”, pontua Ana.

    A prevenção é fundamental para reduzir a disseminação do HTLV e suas consequências associadas.

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