SP deve chegar a 80% de vacinados com 1ª dose no sábado (24), diz secretário

Com avanço da vacinação na capital paulista, cidade vai reabrir Vale do Anhangabaú a partir de domingo (25)

Avenida Paulista foi reaberta para lazer no último domingo (18)
Avenida Paulista foi reaberta para lazer no último domingo (18) Foto: Ettore Chiereguini/Agif/Estadão Conteúdo

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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A cidade de São Paulo deve atingir a marca de 80% dos adultos vacinados com a primeira dose do imunizante contra a Covid-19 neste sábado (24), afirmou à CNN nesta sexta-feira (23) o secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido. Segundo ele, até esta sexta-feira o índice estava próximo de 79,3%. 

Neste sábado, o calendário de vacinação da cidade prevê repescagem para o público entre 30 e 34 anos, que pôde ser vacinado contra a Covid-19 ao longo da semana. A repescagem para essa faixa etária também será feita na segunda-feira (26).

Com o avanço do processo de imunização na maior cidade do país, a prefeitura anunciou que vai reabrir o Vale do Anhangabaú já no domingo (25), entre às 8h e às 12h. A mesma medida foi tomada na domingo anterior (18) em relação à avenida Paulista, quando a cidade chegou a 70% dos adultos imunizados com a primeira dose. Parques municipais retomarão no sábado seus horários de funcionamento de antes da pandemia

À CNN, Edson Aparecido disse contar com os repasses de vacinas do governo federal e do governo do estado para ampliar a vacinação na cidade. Na terça (27) e na quarta-feira (28) pessoas com 29 poderão ser vacinadas. Na quinta (29) e na sexta-feira (30) será a vez dos jovens com 28 anos. 

“A vacina é fundamental”, diz Aparecido. “Qualquer uma delas. Estamos chegando a 80% dos adultos vacinados com a primeira dose, mas só 30% com a segunda dose, e mesmo assim derrubamos as internações por Covid na cidade de São Paulo”, pontuou o secretário.

Nesta sexta-feira, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital ficou em 48%, segundo Aparecido, sendo que “três meses atrás era de 93%”. “Caiu pela vacinação”, destaca.

Produção de vacina Coronavac no Butantan
Produção de vacina Coronavac no Instituto Butantan – 22/1/2021
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Novas variantes não permitem relaxamento de regras, diz epidemiologista

A médica epidemiologista Ana Maria de Brito, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco, disse ser preocupante um possível relaxamento nas regras de distanciamento conforme avança a cobertura vacinal da primeira dose.

Segundo ela, a vacinação com a primeira dose, além de não diminuir a circulação do vírus, pode criar ambiente propício para o surgimento de novas variantes do vírus causador da Covid-19 caso as pessoas deixem de seguir as devidas medidas sanitárias. 

“Quando você deixa uma população com uma cobertura só de uma dose, que não é capaz de interromper a circulação do vírus, há mais chance de se desenvolver novas variantes de preocupação”, explica a médica.

“Há uma falsa sensação de que tem proteção. Vacinação só dá proteção individual quando a segunda dose chega entre 70% e 75% da população”, pontua Ana Maria, citando o Projeto S, pesquisa do Instituto Butantan em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) feita na cidade de Serrana, no interior de São Paulo. 

Segundo a especialista, a vacinação com a primeira dose já ajuda a minimizar os riscos associados a uma contaminação pela Covid-19, mas a circulação de variantes do coronavírus aumenta a possibilidade de infecção, inclusive entre aqueles que já tiveram Covid-19 antes. 

“Eu não recomendaria uma celebração por chegar aos 80% vacinados com a primeira dose. É um marco importante, mas paralelamente tem que se avançar com a segunda dose”, afirma. Segundo a epidemiologista da Fiocruz, uma cobertura de 80% com a primeira dose associada a uma cobertura entre 50% e 60% com a segunda aplicação “já levaria a um impacto muito grande sobre a mortalidade”. 

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