“Uma festa cancelada é melhor do que uma vida perdida”, diz líder da OMS

Tedros Adhanom Ghebreyesus reconheceu que as pessoas estão "cansadas dessa pandemia", mas que o momento exige decisões difíceis

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra 18/10/2021 Fabrice Coffrini/ Pool via REUTERS/File Photo

Ivana KottasováVirginia Langmaidda CNN

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Talvez seja a hora de repensar os planos para as festas de fim de ano, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em meio a um aumento de casos da Covid-19 causados pela variante Ômicron.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a pandemia pode causar o cancelamento de eventos presenciais durante o período de festas de fim de ano, acrescentando que “uma festa cancelada é melhor do que uma vida perdida”.

A variante Ômicron está tomando o mundo em uma velocidade que ainda não havia se visto. Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20), Tedros apontou que há apenas um mês, a África estava registrando seu menor número de casos em 18 meses. Na semana passada, a região apontou o quatro maior númeor de casos em uma única semana desde o início da pandemia.

Nos Estados Unidos, a variante tornou-se dominante menos de vinte dias depois de ser registrada pela primeira vez no local.

“Há evidência consistente agora de que a Ômicron está se espalhando significativamente mais rápido do que a variante Delta, e é mais provável que pessoas que foram vacinadas ou já se recuperaram da Covid-19 possam ser infectadas ou reinfectadas”, disse Tedros.

Vários países ao redor do mundo já impuseram novas restrições a reuniões.

A Holanda introduziu um novo lockdown restrito com início no domingo (19), que permite um máximo de dois convidados em qualquer reunião, fora o Natal e a véspera de Ano-Novo, quando quatro convidados serão permitidos.

A província canadense de Ontário impôs novos limites a reuniões em locais fechados, cortando o número de pessoas permitidas de 25 para 10.

O recém-formado Conselho Especialista em Covid-19 da Alemanha disse na segunda-feira que o governo deve tomar “medidas nacionais, bem coordenadas e bem comunicadas de redução de contato” para combater o espalhamento da variante.

A França também anunciou que grandes eventos externos serão banidos na véspera de Ano-Novo, e Paris não terá sua queima de fogos tradicional.

Fila para testagem da Covid-19 em Nova York / Getty Images

Na Coreia do Sul, o governo reverteu seu plano em fases para aliviar as restrições na semana passada, e reinstaurou medidas de distanciamento social, incluindo um toque de recolher nacional às 21h para restaurantes e cafés.

A Nova Zelândia disse na terça-feira (21) que irá adiar sua abertura gradual das fronteiras até o final de fevereiro por conta de precauções com a Ômicron.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse na segunda-feira que deve tomar ações para prevenir o aumento do coronavírus e da nova variante no Reino Unido – mas ainda não anunciou novas restrições.

No entanto, a Rainha Elizabeth II já cancelou sua reunião familiar tradicional de Natal em meio ao surto de Ômicron. Enquanto isso, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, declarou no sábado um “incidente grave” na capital devido ao número de casos em rápido crescimento. O termo “incidente grave” é usado para se referir a um evento que requer arranjos especiais entre os serviços de emergência e as autoridades locais.

Falando na segunda-feira, Tedros reconheceu que as pessoas estão “cansadas dessa pandemia”.

“Todos nós queremos passar tempo com nossos amigos e família. Todos queremos que volte ao normal. A forma mais rápida de fazer isso é se todos nós – líderes e indivíduos – fizermos decisões difíceis para proteger-nos e proteger aos outros”, disse.

“É melhor cancelar agora e celebrar depois, do que celebrar agora e estar enlutado depois. Nenhum de nós quer estar aqui de novo em 12 meses, falando sobre oportunidades perdidas, desigualdade contínua ou novas variantes”, acrescentou.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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