De Barcelona a Xangai: os incríveis cenários dos desfiles da temporada

Grifes internacionais apresentaram suas coleções resort em impressionantes locações mundo afora, algumas delas abertas a visitantes

Parque Güell, em Barcelona, na Espanha, foi cenário para o desfile Cruise 2025 da Louis Vuitton
Parque Güell, em Barcelona, na Espanha, foi cenário para o desfile Cruise 2025 da Louis Vuitton Unsplash

Saulo Tafarelodo Viagem & Gastronomia

A temporada de desfiles cruise, conhecida também como resort, ocorre anualmente entre os meses de maio e junho e se revela como uma oportunidade ímpar para que importantes grifes apresentem suas coleções em cenários para lá de especiais mundo afora.

Foi o que aconteceu com os shows mais recentes: da Espanha, passando pela Escócia, indo até a China e chegando até a costa da Itália no Mar Tirreno, os desfiles ocuparam espaços emblemáticos e conquistaram o público não somente pelas coleções, mas sim por todo o apelo visual.

A seguir, confira 6 cenários dos desfiles da temporada e saiba quanto custam e como visitá-los:

  • Dior – Drummond Castle (Perthshire, Escócia)

A Dior levou seus convidados famosos, incluindo Jennifer Lawrence, Anya Taylor-Joy e Lilly Collins, para o interior da Escócia. O desfile Cruise 2025 se deu nos jardins do Castelo Drummond, na área rural de Perthshire, que já foi até cenário para a série “Outlander”.

Os jardins remetem ao século 17 e foram redesenhados no século 19. A área atual foi replantada na década de 1950, mas, de acordo com a administração do castelo, preserva muitas das características originais. Em 1842, a Rainha Vitória fez um passeio por ali e rasgou elogios ao local.

Apesar de ser uma atração turística, o castelo não está aberto ao público. A entrada garante acesso somente aos jardins e terraços sob um preço de £ 10 (cerca de R$ 68) para adultos.

  • Balenciaga – Museu de Arte de Pudong (Xangai, China)

Debaixo de uma fina chuva, a Balenciaga mostrou sua coleção resort primavera 2025 em Xangai, na China, mais especificamente ao longo do jardim do Museu de Arte de Pudong (MAP). O museu foi aberto em 2021 e tem por trás do projeto o escritório do francês Jean Nouvel, mesmo arquiteto que assina a Torre Mata Atlântica do Rosewood São Paulo.

O museu fica em um terreno de cerca de 40 mil m² nas margens do rio Huangpu e sedia exposições de nível mundial, bem como apresenta artistas nacionais. As entradas saem a partir de ¥ 100 (cerca de R$ 73) nos dias de semana e ¥ 150 (R$ 110) aos finais de semana.

Enquanto ocorria o desfile, a paisagem futurista da cidade foi complementada por projeções em neon em vários arranha-céus com o logotipo da Balenciaga. O próprio convite foi enviado dentro de uma cesta de bambu e tinha o formato de um bolinho tradicional, o xiaolongbao.

  • Louis Vuitton – Parque Güell (Barcelona, Espanha)

Um dos cartões-postais de Barcelona, o Parque Güell foi o cenário escolhido para o desfile Cruise 2025 da Louis Vuitton. A coleção prestou uma homenagem à Espanha e a algumas de suas figuras artísticas, como Velázquez, Goya e Zurbarán. A coleção foi apresentada na Sala Hipostila do parque, originalmente pensada para ser um mercado.

Ao todo, a colunata possui 86 colunas e um teto de mosaico. Situado no Monte Carmelo e virado para o Mar Mediterrâneo, o Parque Güell é uma obra do arquiteto Antoni Gaudí recheada de mosaicos, torres e de paisagens sinuosas. É um Patrimônio da Humanidade da Unesco desde 1984 e recebeu no ano passado mais de 5 milhões de visitantes, entre turistas e moradores. Visitantes pagam uma taxa de entrada 10 € (cerca de R$ 57).

Vale lembrar que a Louis Vuitton já apresentou sua coleção Cruise 2017 no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, obra de Oscar Niemeyer no Rio.

  • Gucci – Tate Modern (Londres, Inglaterra)

O italiano Sabato de Sarno, diretor criativo da Gucci, apresentou sua primeira coleção cruise para a marca dentro do Tate Modern, museu britânico de arte moderna à beira do Rio Tamisa, em Londres. O espaço subterrâneo onde foram apresentados os looks servia antes como tanques de óleo e foi preenchido com mais de 10 mil plantas para a ocasião.

Aberto em 2000, o Tate Modern ocupa uma antiga estação geradora de eletricidade e ajudou a revitalizar os arredores. A entrada no museu é gratuita.

Vale lembrar que o italiano Guccio Gucci, fundador da marca, tem uma ligação especial com Londres, já que trabalhou como carregador de malas no The Savoy Hotel, o que o levou a criar uma linha de bagagens na década de 1920. Hoje, o hotel possui até um quarto em parceria com a marca italiana.

  • Chanel – Cité Radieuse (Marselha, França)

A Chanel apresentou sua coleção Cruise 2024/25 em Marselha, cidade portuária que é capital da Provence e a segunda maior de toda a França, ficando atrás somente de Paris. O local escolhido para o show foi a cobertura da Cité Radieuse, a “cidade vertical” proposta pelo arquiteto modernista Le Corbusier nos anos 1950.

A edificação é uma unidade habitacional inscrita na lista dos Patrimônios Mundiais da Unesco. O conjunto de apartamentos individuais é cercado de restaurante, hotel, creche, livraria, bem como escritórios e edifícios públicos. A cobertura é acessível ao público e abriga um parque infantil, um centro de arte contemporânea e uma pista de atletismo.

É possível visitar o local a partir de 15 € (cerca de R$ 86) junto de um guia do órgão de turismo da cidade. O desfile da Chanel marcou ainda um dos últimos desfiles da diretora artística Virginie Viard para a marca.

  • Jacquemus – Casa Malaparte (Capri, Itália)

Em comemoração aos 15 anos de sua marca, o estilista francês Simon Porte Jacquemus levou 40 convidados para o extremo leste da ilha italiana de Capri, no Golfo de Nápoles. Entre águas azuis e penhascos cinematográficos, o desfile outono/inverno 2024 ocorreu na Casa Malaparte, villa projetada pelo arquiteto Adalberto Libera para o escritor Curzio Malaparte na década de 1930.

A casa é símbolo da arquitetura modernista italiana e serviu como local das gravações de “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard, filme que inspirou o nascimento da marca Jacquemus, segundo seu próprio criador. Atualmente não é possível visitar a construção, mas vários passeios de barco são ofertados ao redor do local.