Azeites brasileiros conquistam 127 medalhas em premiação internacional
Além das medalhas de ouro e prata, produtores da Serra da Mantiqueira e do Rio Grande do Sul conquistaram prêmios especiais no 11º EVO IOOC Italy

Azeites brasileiros conquistaram 98 medalhas de ouro e 29 medalhas de prata na 11ª edição do EVO IOOC Italy, uma das premiações mais respeitadas de azeites extravirgens do mundo. O Brasil enviou 139 amostras ao concurso, ficando atrás apenas da Itália, que enviou 144.
A cerimônia de premiação aconteceu na semana passada em Palmi, na região da Calábria, e reuniu produtores do Brasil, Líbia, Estados Unidos, Grécia, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Turquia, Tunísia e Itália. Neste ano, o EVO IOOC Italy teve recorde de participações, com 786 azeites de 32 nações.
Os azeites passaram pelo crivo de um painel formado por 32 jurados de diversos países, responsáveis por avaliar a produção da safra 2025/2026.
Das 139 amostras nacionais enviadas, 127 foram premiadas com medalhas, com uma taxa de sucesso de 91,4%. Para efeitos de comparação, a Itália, que enviou 144 amostras, conseguiu um total de 110 medalhas, sendo 80 de ouro. A taxa de sucesso foi de 76,4%.
Azeites brasileiros em destaque

Além das medalhas de ouro e prata, os azeites brasileiros conquistaram os seguintes prêmios:
- Melhor Azeite do Hemisfério Sul: Coratina - Azeite Sabiá (Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul)
- Melhor Azeite do Brasil: Estância das Oliveiras Blend La Mamma - Estância das Oliveiras (Viamão, Rio Grande do Sul)
- Melhor Azeite Monovarietal do Hemisfério Sul: Estância das Oliveiras Frantoio - Estância das Oliveiras (Viamão, Rio Grande do Sul)
- Melhor Azeite Coupage (blend) do Hemisfério Sul: Milonga "Ana Terra" 1835 - Azeite Milonga (Triunfo, Rio Grande do Sul)
- Troféu Melhor da América do Sul "Raúl C. Castellani": Azeite Carcará - Azeite Carcará (Aiuruoca, Minas Gerais)
O Melhor Azeite do Hemisfério Sul foi para o Coratina, do Azeite Sabiá, produzido na Fazenda Sabiá da Vigia, em Encruzilhada do Sul (RS) - a Sabiá também mantém uma fazenda, uma pizzaria e um centro de visitantes em Santo Antônio do Pinhal (SP), na Mantiqueira. O Coratina é feito com azeitona de origem italiana, da região da Puglia, e tem média intensidade, com toques de alcachofra fresca, alface, amêndoas e rúcula, com amargor e picância mais intensos.
Segundo o concurso, o prêmio é "um triunfo para o Brasil, que comprova o espetacular avanço do país e seu protagonismo na produção de azeites de alta gama". O troféu foi recebido por Nicolangelo Marsicani, mestre na produção de azeites da marca.
Por sua vez, o Estância das Oliveiras Blend La Mamma levou o título de Melhor Azeite Extravirgem do Brasil. Segundo a Estância das Oliveiras, o azeite gaúcho leva as varidades Coratina, Picual, Leccino e Galega, apresentando média intensidade, com "frutado intenso, picância e amargor presentes".
O EVO IOOC ainda determinou campeões para cada categoria de produção. Entre os azeites monovarietais, o Brasil levou o prêmio de Melhor do Hemisfério Sul com o Estância das Oliveiras Frantoio.
Segundo o produtor, o azeite tem média intensidade, altos índices de frutado, picância e amargor, com notas de especiarias, erva-doce, amêndoa verde, manjericão, aipo, coentro, banana, tomilho, melão e pimenta jalapeño.
Entre os azeites coupage (blend), o Milonga Ana Terra 1835 foi o grande vencedor. A Milonga, do Rio Grande do Sul, produz o azeite com frutos colhidos manualmente e processados rapidamente. O azeite leva as variedades Picual e Frantoio, e o nome faz uma referência ao início da Revolução Farroupilha.
"A ideia é fazer uma alusão a uma revolução do azeite. É sobre passar para o público que essa revolução que fazemos é baseada na tecnologia, no conhecimento e na educação dos clientes. Quando ensinamos aos clientes o que é um azeite de alta qualidade, eles não voltam atrás e, assim, passam a conhecer melhor o mercado nacional", diz Christian Vogt, sócio e sommelier da marca Milonga, ao CNN Viagem & Gastronomia.
Segundo Vogt, o prêmio mostra a consistência na qualidade do azeite e o amadurecimento do produto. Em 2022, um outro azeite da Milonga conquistou o posto de melhor do Hemisfério Sul na mesma premiação.

Por fim, o Azeite Carcará, da Serra da Mantiqueira mineira, levou o prêmio especial de Melhor da América do Sul "Raúl C. Castellani", título que presta uma homenagem a Raúl Castellani, referência internacional na degustação de azeites.
Além dos títulos especiais, a lista com os vencedores das medalhas de ouro e prata pode ser conferida no site.
O avanço da olivicultura brasileira
Christian Vogt, por trás dos azeites da Milonga, comenta que houve uma quebra de safra nos dois últimos anos em razão do El Niño e das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, afetando o clima e a produção.
"Neste ano, porém, tivemos uma matéria-prima melhor, tanto em volume quanto em qualidade. O clima mais seco favoreceu uma produção de azeites de maior qualidade", explica.
O desempenho do Brasil na competição é uma consequência do mercado que vem se desenvolvendo há cerca de 20 anos. A primeira extração de um azeite extravirgem 100% nacional foi em 2008, em Minas Gerais. No ano seguinte ocorreu a primeira extração para venda comercial, no Rio Grande do Sul. Desde então, foram realizados trabalhos de base, adaptações das oliveiras e investimentos de tempo e dinheiro. Agora, o país começa a colher os frutos dessa dedicação.
"Ficamos surpresos e felizes com a quantidade de medalhas do Brasil na premiação. Nossos azeites precisam se destacar pela qualidade. Por isso os submetemos ao prêmio. Eles são reconhecidos pela qualidade, pois partimos de uma tecnologia nova. Os modelos de pomares são mais jovens e mais bem formados, os equipamentos são de ponta e os lagares são de última geração. Já partimos de uma cultura de que temos que fazer um azeite de qualidade, pensando em colher a azeitona num ponto de maturação melhor e de fazer um processamento mais rápido", comenta Christian Vogt.


