Conheça os megaspas da China, com buffets ilimitados e diversão 24 horas

Abertos dia e noite, espaços combinam piscinas, massagens e uma ampla gama de entretenimento, atraindo uma nova geração de frequentadores e visitantes estrangeiros

Amy Gunia e Laura Lou, da CNN

Quando Jinzu Wang e seus amigos procuram algo para fazer, eles costumam ir a um grande complexo de spa perto de sua universidade em Pequim. Após um banho quente relaxante, o jovem de 22 anos pode optar por uma massagem. Há também algumas atividades de spa menos convencionais na programação, como sinuca e karaokê. No intervalo, ele se esbalda no buffet de frutas à vontade.

Ele costuma passar a noite toda lá para ter um pouco de descanso do dormitório. Custando entre 300 e 350 renminbi (cerca de R$ 226 a R$ 264) por uma noite, é uma pechincha em comparação com muitos hotéis da capital.

Por toda a China, pessoas como Wang estão visitando amplas instalações de vários andares, abertas 24 horas, que combinam comodidades de spa com entretenimento de todo tipo.

Muitos oferecem jogos de fliperama, cinemas e cápsulas para cochilos. Um deles tem um tanque para mergulho autônomo. Outro oferece toboáguas.

O Shuiguo+, na megacidade de Shenzhen, oferece caviar e lagosta ilimitados em seu buffet de frutos do mar. Nas proximidades, os visitantes do spa Tangqi Tangquan Life TENZ, que ocupa cerca de 40 mil m², tem sorvetes Häagen-Dazs à vontade.

Um spa em Harbin, capital da Província de Heilongjiang, conta com uma banheira de hidromassagem que se assemelha a uma panela de hotpot, com pimentas flutuando nela.

A China tem uma longa história de casas de banho públicas, onde pessoas sem banheiros ou água quente se reuniam para se lavar, relaxar e socializar com os vizinhos. A tradição é particularmente forte no nordeste do país, onde os invernos gelados e áridos incentivavam as pessoas a visitar para tomar um banho quente, para fazer uma esfoliação e remover a pele seca.

As casas de banho tradicionais — que são em grande parte funcionais, mas às vezes também abrigam atividades sociais como brigas de grilos ou mahjong — são populares entre os mais velhos na China.

Mas, nos últimos anos, elas evoluíram para espaços enormes, multiuso e feitos para as redes sociais, que estão atraindo uma nova geração de fãs, tanto moradores locais quanto turistas.

"Relaxamento eficiente"

As pessoas vão aos spas para retiros corporativos, festas de aniversário e noites entre amigas. Às vezes, jovens os frequentam para estudar. Há inúmeras razões para o aumento da popularidade, além da viralização online.

Segundo uma pesquisa publicada em 2025 pela McKinsey & Company, 94% dos consumidores chineses afirmaram que o bem-estar era uma prioridade "principal" ou "importante".

Além disso, frequentar spas é visto como uma forma aceitável de autocuidado em um país onde a terapia está se tornando cada vez mais popular entre a classe média urbana, mas ainda é estigmatizada, disse a Dra. Anna Iskra, que pesquisa culturas terapêuticas e saúde mental na China, na Universidade Politécnica de Hong Kong. "As pessoas vão para descomprimir", disse ela.

Além disso, há o apelo do bom preço, em um momento em que a economia da China está enfraquecendo. A entrada em muitos dos megaspas começa em torno de 300 yuans (cerca de R$ 226). Serviços como massagens geralmente custam à parte. "Você paga tão pouco e, ainda assim, recebe muito", disse Iskra.

Isso também pode estar relacionado à mudança nos hábitos de viagem. A demanda por "microférias urbanas" explodiu, disse Xinyi Zheng, que lidera a equipe de branding e marketing do Xiangshanghui Group, à CNN por e-mail. O grupo administra spas em todo o país, sob as marcas Qushui Lanting, Shuiguo e Shuiguo+.

"Com um ritmo de vida cada vez mais acelerado, as pessoas não têm grandes períodos de tempo para viagens de longa distância, mas precisam de um lugar para se desligar completamente do trabalho e relaxar", disse Zheng.

Os megaspas oferecem um serviço completo para um "relaxamento eficiente", acrescentou ela, o que é "particularmente atraente para os moradores urbanos ocupados".

Wang disse que vai para se divertir e relaxar. Jovens como ele têm motivos para estar estressados. Os estudantes chineses passam anos estudando para o exame de admissão universitária, considerado "o mais difícil do mundo". Eles enfrentam uma concorrência acirrada por empregos após a formatura.

"Os universitários realmente têm muita pressão", disse Wang. "Acho que ir a um megaspa com amigos é muito relaxante."

Megaspas estão na programação dos turistas

A cultura dos spas há muito tempo atrai turistas que visitam países asiáticos: os jjimjilbangs da Coreia do Sul encantam visitantes que param para um mergulho em piscinas aquecidas e uma esfoliação corporal completa. Os onsens do Japão são tão populares entre os turistas que o abastecimento de água está sob pressão em algumas estâncias de fontes termais.

Agora, os megaspas da China estão ganhando popularidade entre visitantes estrangeiros, que estão retornando em massa enquanto o governo tenta trazer os turistas de volta com medidas como a isenção generalizada de visto, após anos de restrições relacionadas à pandemia.

As redes sociais ajudaram a impulsionar os megaspas, perfeitos para o Instagram e o TikTok, ao topo dos roteiros turísticos.

Em 2026, cidades chinesas ocuparam quatro das cinco primeiras posições no ranking de cidades com spas mais procurados, de acordo com uma análise da SpaSeekers, agência britânica de reservas de spas. As buscas por spas em Xangai aumentaram 67% em relação ao ano anterior.

Sasha, uma fotógrafa de San Francisco que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome, visitou o spa Aqila Hot Spring, em Shenzhen, em julho. Ela disse à CNN que sua filha de 10 anos adorou os jogos de fliperama, e ela aproveitou as massagens. "Foi uma boa forma de passar algumas horas, já que choveu o dia todo." A entrada custou cerca de US$ 75 (aproximadamente R$ 377), incluindo uma massagem e frutas e bebidas, disse ela.

A tecnologia está ajudando os turistas a desfrutar dos megaspas da China, onde não é comum que os funcionários falem inglês. A entrada e os serviços em muitos desses estabelecimentos podem ser reservados online por meio de plataformas como o Klook, e os pagamentos são majoritariamente digitais, por aplicativos como Alipay e WeChat Pay — que a maioria dos viajantes baixa antes mesmo de chegar ao país. Alguns têm cardápios em inglês e, quando tudo falha, os visitantes recorrem a aplicativos de tradução.

Às vezes, o clima zen deixa a desejar. Vários turistas que visitaram megaspas recentemente relataram que outros frequentadores assistiam a vídeos no celular sem fone de ouvido, e o som de roncos às vezes escapava das cápsulas de descanso. Alguns spas têm salas para fumantes.

O conceito está se expandindo para fora da China. Em maio, o Bubble House Plus, uma instalação 24 horas que se autodenomina "um santuário de recarga urbana", abriu suas portas em Singapura. O espaço conta com piscinas de imersão, saunas a vapor, uma sala de meditação, cápsulas de descanso, um cinema e uma sala de e-sports. A entrada de 24 horas mais o almoço custa 129 dólares de Singapura (R$ 508).

Os megaspas podem oferecer um espaço para o autocuidado, mas a variedade de opções disponíveis parece ser um grande atrativo para seus novos fãs.

"Muitos spas hoje em dia combinam instalações de entretenimento", disse Wang. "Isso resolve o problema de diferentes amigos quererem ir a lugares diferentes."

inglês
Acompanhe Viagens e Turismo nas Redes Sociais