Onde comer no Carnaval de Belo Horizonte, do tropeiro à pizza

Perguntamos a um time de belo-horizontinos quais são os seus lugares preferidos para comer nos dias de folia; confira sugestões

Carolina Daher, colaboração para o Viagem & Gastronomia
Tropeiro dona Lucinha
O tradicional tropeiro do restaurante Dona Lucinha, que vem com arroz, linguiça, torresmo, ovo e couve  • Fernanda Neves
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Seiscentos e doze blocos e mais de 660 cortejos distribuídos pelas dez regiões da cidade. A Belotur (Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte) projeta que cerca de 20% do público total do Carnaval será de turistas. Ou seja, a capital se prepara para receber mais de 6,5 milhões de pessoas nas ruas nos dias de folia.

É um mundaréu de gente que vem principalmente do interior de Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná. Há também os que vem de mais longe, já que existe uma crescente presença de turistas internacionais.

Depois de matar a fome de folia, nada como encher a barriguinha entre um bloco e outro. Para isso, fomos atrás de quem entende do assunto: ouvimos oito belo-horizontinos que sabem tudo sobre a cidade e que deram dicas incríveis de como devorar BH sem perder o ritmo.

Aline Calixto, cantora e compositora

A cantora e compositora Aline Calixto comanda o Bloco da Calixto com o tema Minas com Bahia (sábado, 14/02, concentração a partir das 12h na Avenida Amazonas, esquina com São Paulo) e é cofundadora do bloco Filhas de Clara, em homenagem a Clara Nunes. Sua recomendação é o restaurante Dona Lucinha.

“É um lugar carregado de tradição e consegue traduzir a cozinha mineira de verdade. É uma ótima parada durante o Carnaval para comer um bom tropeiro e recarregar as energias. Além disso, fica na Savassi, perto de vários blocos, o que facilita a vida dos foliões”, diz.

  • Dona Lucinha

Inaugurado em 1990, o restaurante nasceu do trabalho e da pesquisa de Dona Lucinha, referência na preservação da cozinha mineira tradicional. A casa conta com um cardápio baseado em técnicas e influências afro-indígenas e portuguesas, valorizando ingredientes regionais.

Hoje, sob o comando da filha da fundadora Márcia Nunes, o local continua servindo as receitas das Minas Gerais em sua essência. Assim que chega, o cliente é recebido com uma caneca de canjiquinha. Como tira-gosto, a combinação de linguiça com torresmo à pururuca (R$ 44) faz bonito. O feijão tropeiro (R$ 71) vem acompanhado de arroz, linguiça, torresmo, ovo e couve. Para acompanhar, caipirinha de rapadura (R$ 26).

Dona Lucinha: Rua Padre Odorico, 38, Savassi - Belo Horizonte / Tel.: (31) 99764-0808 / Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 11h às 22h, e aos domingos, das 11h às 17h / Mais informações no Instagram.

Virgínia Sasdelli, jornalista e influenciadora

Virgínia é a pessoa a frente do perfil BH Dicas, que oferece o mais completo guia com a programação de blocos e experiências na cidade. Para se abastecer durante a folia, ela sugere o Pirex e a Padaria Colombina.

“O Pirex costuma fazer uns petiscos bem práticos para comer entre um bloco e outro. A Padaria Colombina, no Floresta, tem um bufê de lanche que já me salvou várias vezes”, explica.

  • Bar Pirex

Localizado na Galeria São Vicente, no Centro, o Pirex traz clássicos de boteco com comidas de estufas e batidinhas • Lucas Cancela
Localizado na Galeria São Vicente, no Centro, o Pirex traz clássicos de boteco com comidas de estufas e batidinhas • Lucas Cancela

O espaço fica na Galeria São Vicente, no Centro, e tem uma vista bacana para a Praça Raul Soares. É moderninho e tem uma estufa repleta de petiscos clássicos como barquete de salpicão (R$ 24,70) e mix de azeitonas com conserva de pimenta biquinho e pele de frango crocante (R$ 22,80). Preparado na hora, o coraçãozinho com purê de batata, vinagrete e farofa de pão é uma boa opção.

Além de cerveja gelada, o cliente ainda pode tomar umas batidinhas especiais como a de pina colada (R$ 18,80), cachaça prata, abacaxi, leite de coco, leite condensado e syrup de tangerina.

Bar Pirex: Galeria São Vicente (Avenida Amazonas, 1049, loja 54) - Belo Horizonte / Horário de funcionamento no Carnaval: sábado (14/02), das 12h à 0h; domingo (15/02), das 12h às 18h; segunda-feira, fechado; terça-feira (17/02), das 12h às 18h; quarta-feira (18/02), das 12h às 15h e das 18h à 0h.

  • Panificadora Colombina

Com bufê self-service de café da manhã, almoço e café da tarde, padaria atrai pela diversidade de itens ofertados durante todo o dia • Divulgação
Com bufê self-service de café da manhã, almoço e café da tarde, padaria atrai pela diversidade de itens ofertados durante todo o dia • Divulgação

Fundada em 1992, é uma das padarias mais tradicionais do bairro Floresta. Durante o Carnaval, a casa funciona normalmente e atrai o público com a variedade dos itens oferecidos.

Logo cedo, das 7h às 10h40, tem bufê de café da manhã com pães, bolos, roscas, salgados, patês e frutas (R$ 99,90, o quilo). Das 11h às 15h, o bufê abre para almoço (R$ 89,90), com saladas, frios, sushi e comida mineira. Já das 16h às 20h, bufê de café da tarde. E a partir de 14h, a clientela ainda conta com pizzas assadas na hora no forno a lenha.

Panificadora Colombina: Rua Itajubá, 551, Floresta - Belo Horizonte / Tel.: (31) 3516 9614 e (31) 3370 0800 / Horário de funcionamento: diariamente, das 7h às 20h / Mais informações no Instagram.

Di Souza, cantor e compositor

Di Souza é fundador e cofundador dos blocos Então, Brilha! (sábado, 14/02, concentração às 6h na Avenida do Contorno com Curitiba), que é um dos pioneiros do movimento carnavalesco contemporâneo de BH; e do É o Amô (domingo, 15/02, concentração às 14h, na Avenida dos Andradas, 3700). Ele ainda é diretor artístico do Volta Belchior (sábado, 14/02, concentração às 13h, Avenida dos Andradas, 3700) e do Havayanas Usadas (segunda, 16/02, concentração às 10h na Avenida dos Andradas, 3700). Sua recomendação é o Forno da Saudade.

“O Forno da Saudade fica numa praça bastante simbólica para a folia, no bairro Carlos Prates. Ali foi fundado o bloco Pisa na Fulô. O estabelecimento fica ao ar livre, com cadeiras espalhadas pela praça e serve bebidas e pizzas bem gostosas. Lá também costumam rolar alguns shows carnavalescos, uma espécie de ''after'' dos blocos”, comentou.

  • Forno da Saudade

No Forno da Saudade, no bairro Carlos Prates, os foliões encontram pizzas assadas no forno a lenha • Luiz Siqueira
No Forno da Saudade, no bairro Carlos Prates, os foliões encontram pizzas assadas no forno a lenha • Luiz Siqueira

Instalado em um casarão da década de 1930, o Forno da Saudade tem pizzas de massa artesanal assadas na pedra em forno a lenha. No cardápio há desde as clássicas, como a Marguerita, molho de tomate defumado, tomate cereja defumado, muçarela de búfala e parmesão, até a autoral Linguiça com couve e gema curada. Apesar de ter outras comidinhas, o menu estará reduzido durante o Carnaval e se restringirá a pizzas individuais de 22 cm que custará R$ 55, ou duas por R$ 100.

A clientela se espalha pela Praça Zigue-Zague, onde vira e mexe tem música ao vivo.

Forno da Saudade: Rua Patrocínio, 1, Carlos Prates - Belo Horizonte / Horário de funcionamento no Carnaval: sábado (14/02), segunda (16/02) e terça (17/02), das 16h30 à 0h30; domingo (15/02), das 15h30 às 23h30; quarta (18/02) não abre / Mais informações no Instagram.

Nenel, jornalista

Criador do Baixa Gastronomia e com quase 900 mil seguidores no Instagram, Nenel é um dos principais influenciadores de Belo Horizonte, com dicas que valorizam a cultura culinária popular, especialmente a comida de boteco. Ele recomenda o Minheirinho 1 para os dias de folia.

“Nem precisei pensar muito. Indico o Mineirinho 1, já conhecido e um lugar muito interessante. Ele fecha tarde, é popular, costumo brincar que é a Casa dos Contos do povão, porque tem aqueles pratos fartos que muitas vezes dá até para dividir. Comida gostosa, bem-feita, tem muito giro, então está sempre fresquinha e é barata. E não é só rango, a pessoa pode comer porções e sanduíches. Então atende desde quem quer comer um pratão até quem quer um tira-gosto com cerveja.”

  • Mineirinho 1

Dono de um dos balcões mais democráticos da cidade, o Mineirinho 1 serve desde PFs fartos a tira-gostos mineiros  • Divulgação
Dono de um dos balcões mais democráticos da cidade, o Mineirinho 1 serve desde PFs fartos a tira-gostos mineiros  • Divulgação

O fundador José Alves da Silva continua à frente do balcão. Inaugurado em janeiro de 1986, Mineirinho 1 nasceu com o propósito de servir comida mineira de verdade, farta, saborosa e acessível para quem vive o cotidiano do centro da cidade.

Com um prato por dia, sábado de Carnaval é a vez da feijoada (R$ 25, porção pequena, e R$ 30, a grande). No domingo, arroz, feijão, frango assado, maionese e salada (de R$ 24,50 a R$ 29). Além disso, são mais de 30 opções de refeições, algumas especiais como bife de boi, tropeiro, arroz, couve ou macarrão ou fritas (de R$ 26 a R$ 33). A porção de carne de sol com mandioca sai a R$ 49.

Mineirinho 1: Rua Espírito Santo, 310, Centro - Belo Horizonte / Tel.: (31) 3245 1236 / Horário de funcionamento: diariamente, das 11h às 2h / Mais informações no Instagram.

Cris Pàz, comunicadora e escritora

Cris Pàz é palestrante e escritora. Assina oito livros, entre eles "Moda intuitiva", "Que ninguém nos ouça" e "O menino que engoliu o choro". Seu trabalho pode ser acompanhado pelo perfil no Instagram.

“Minha dica é o Pacato. Acho que o Caio Soter tem criatividade e sofisticação em uma cozinha contemporânea surpreendente, trazendo os ingredientes mineiros de um jeito que ninguém faz igual. É um jeito de tirar essa imagem arraigada de que mineiro só come costelinha com canjiquinha. Recomendo sem medo e acho uma experiência obrigatória”, comenta.

  • Pacato

Aos finais de semana, Pacato serve pratos para serem compartilhados, o que pode ser uma boa saída para quem está em grupo • Victor Schwaner
Aos finais de semana, Pacato serve pratos para serem compartilhados, o que pode ser uma boa saída para quem está em grupo • Victor Schwaner

É uma casa que carrega a identidade mineira na veia. A cada menu, o chef Caio Soter se desafia a transformar ingredientes tão comuns nas cozinhas de Minas em algo contemporâneo. Aos finais de semana, a casa abre para almoço com um menu compartilhado ideal para quem está em grupo.

A picanha de sereno para duas pessoas custa R$ 386,80; para quatro, R$ 589,80. As guarnições – que podem ser repetidas! - são arroz de cebola com cebola crocante; tubérculos na brasa com creme de requeijão moreno, semente de abóbora e folhas frescas; e salada Caesar com queijo Alagoa e telha de pão de queijo.

Pacato: Rua Rio de Janeiro, 2735, Bairro Lourdes - Belo Horizonte / Horário de funcionamento no Carnaval: sábado (14/02), das 12h às 16h e das 19h às 23h; domingo (15/02), das 12h às 17h; segunda e terça-feira (16 e 17/02), fechado; quarta-feira (18/02), das 12h às 15h e das 19h às 23h / Mais informações no Instagram.

Pedro Lobo, empresário gastronômico

Empresário gastronômico e um dos principais agentes de iniciativas culturais e projetos de revitalização do centro da cidade, Pedro Lobo recomenda o Terraço Niê.

“Vou puxar sardinha para o meu lado. Estou no epicentro do Carnaval, na Praça Sete, onde tudo acontece. Minha dica para o turista é ver a folia acontecer lá do alto do Terraço Niê enquanto toma um drinque, almoça ou come um petisco para não perder o melhor da festa”, indica o empresário.

  • Terraço Niê

Instalado no 15º andar de um prédio assinado por Oscar Niemeyer, Terraço Niê oferece vistas para todo hipercentro de BH • Divulgação
Instalado no 15º andar de um prédio assinado por Oscar Niemeyer, Terraço Niê oferece vistas para todo hipercentro de BH • Divulgação

No topo do icônico prédio projetado por Oscar Niemeyer, na Praça Sete, o Niê conta com uma vista panorâmica que abraça todo o hipercentro. Assinado pelo chef Victor Zulliani, o cardápio faz uma viagem por países onde o arquiteto mais famoso do Brasil deixou sua marca, como Itália, Argélia e França.

Entre os principais, homenageando o Brasil está o camarão com pupunha (R$ 88). Para um lanche rápido, vale o croissant de salmão defumado e rúcula (R$ 32) ou o sanduíche de linguiça caipira, servida na baguete com fonduta de queijo Minas e geleia de goiabada com vinho e aceto (R$ 29).

Terraço Niê: P7 Criativo (Rua Rio de Janeiro, 471, Centro) - Belo Horizonte / Horário de funcionamento: segunda e terça, das 11h às 19h; quarta e quinta, das 11h30 à 0h; sexta, das 11h30 às 2h; sábado, das 12h às 2h; domingo, das 12h30 às 19h / Mais informações no Instagram.

Bruna Rezende, chef e proprietária do A Porca Voadora

Chef e proprietária do bar e armazém A Porca Voadora, Bruna Rezende recomenda o Bar do Antônio e Marcão, no bairro de Vera Cruz. “Torresmo é bom o ano todo, não é? Mas no Carnaval é ainda mais especial, repõe as energias e é bom para os músculos que sacolejam bastante nessa época. Esse do Marcão e da Socorro ainda vem com as conservas e geleinha, dando aquele respiro delicioso para o calor do nosso corpinho”, compartilha Bruna.

  • Bar do Antônio e Marcão

O Bar do Antônio e Marcão, no Vera Cruz, serve cerveja gelada com tira-gostos • Divulgação
O Bar do Antônio e Marcão, no Vera Cruz, serve cerveja gelada com tira-gostos • Divulgação

A casa tem mais de um século de vida. No início, funcionava também como mercearia e padaria. À medida que o bairro foi crescendo e os supermercados vieram com força, Marcão resolveu investir de vez na sua vocação botequeira. Com mesinhas na calçada e cerveja sempre gelada, é famoso pelos seus tira-gostos como o jiló empanado (R$ 36, com quatro unidades) e torresmo com conserva (R$ 50 a porção pequena e R$ 70 a grande). A almondêga recheada sai por R$ 43.

Bar do Antônio e Marcão: Rua Carmo da Mata, 644, Vera Cruz - Belo Horizonte / Horário de funcionamento no Carnaval: sábado, domingo e terça, das 12h às 20h; fechado na segunda / Mais informações no Instagram.

Felipe Martins, arquiteto e sócio do Made in Beagá

O arquiteto transforma a cultura urbana em produtos criativos como roupas e artigos de papelaria que celebram a identidade da capital mineira. Sua recomendação é o Chopp da Fábrica.

“Minhas escolhas são sempre lugares que têm uma comida que abraça. Comidas gostosas, cheias de afeto, do jeitinho que nós, belo-horizontinos, sabemos fazer. Minha indicação é o mexido e o tropeiro do Chopp da Fábrica”.

  • Chopp da Fábrica

Um clássico das madrugadas de BH, a unidade do Chopp da Fábrica do Santa Efigênia fica aberta até às 5h, servindo o tradicional mexidão  • Divulgação
Um clássico das madrugadas de BH, a unidade do Chopp da Fábrica do Santa Efigênia fica aberta até às 5h, servindo o tradicional mexidão  • Divulgação

Essa é uma indicação recorrente entre os belo-horizontinos. Com três décadas de história, é um dos lugares preferidos dos boêmios para o fim de noite. O reduto das madrugadas – fica aberto até às 5h - vai funcionar normalmente durante o Carnaval.

O mexidão é uma das especialidades da casa e vem com arroz, feijão, carne de boi desfiada, ovo, couve, torresmo e linguiça (R$ 49,80). O cliente ainda pode reforçar o prato com bife acebolado de porco, boi ou frango por R$ 14,90. Outro clássico é o parmegiana di spahghetti, macarrão a bolonhesa servido sobre um bife à milanesa (R$ 51,90).

Chopp da Fábrica - Santa Efigênia: Avenida do Contorno, 2736, Santa Efigênia - Belo Horizone / Horário de funcionamento: domingo a quinta, das 11h às 2h; sexta e sábado, das 11h às 5h / Mais informações no Instagram.

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