Por dentro do Bar World 100: por que essa lista importa tanto para o setor?
Thiago Bañares analisa por que o Bar World 100, ranking anual da Drinks International, é o verdadeiro termômetro de quem realmente influencia a cena global dos bares

Todos os anos, a lista Bar World 100, publicada pela Drinks International, levanta debates e desperta curiosidade. Não à toa: ela é, hoje, um dos mais relevantes termômetros sobre quem realmente influencia a cena global dos bares. Mas, ao contrário do que se imagina, essa não é apenas uma lista de celebridades da coquetelaria. É uma análise profunda do presente da nossa indústria e da direção para onde estamos indo.
O principal valor do Bar World 100 está no que ele se propõe a medir: influência. Não se trata de premiações por performance técnica ou posição em rankings como o The World’s 50 Best Bars, mas sim de impacto. Quem está moldando tendências, liderando diálogos relevantes, criando espaços mais justos, mais criativos e mais inclusivos? Quem está, de fato, inspirando os outros a fazer diferente?
Para responder a essas perguntas, a curadoria da lista é realizada por mais de 100 especialistas de 64 cidades diferentes: jornalistas, educadores, consultores, organizadores de eventos e profissionais da indústria de bebidas. Esses votantes são escolhidos por sua visão crítica e independente, com cuidado para garantir representatividade geográfica, cultural e de gênero. Cada um deles vota em dez nomes que, em sua opinião, foram os mais influentes no último ano. Há regras claras: no máximo três nomes podem ser da cidade do votante, e cinco do seu país. Além disso, ninguém pode votar em si mesmo nem em parceiros comerciais.
O resultado é um retrato global da coquetelaria em movimento. A lista, embora estável em muitos nomes, se renova com frequência. Em 2025, dez novos nomes entraram, enquanto outros 11 retornaram após um tempo fora. Isso mostra tanto a continuidade do impacto de algumas figuras quanto a chegada de novas vozes com propostas inovadoras.
Entre os 100 nomes, dois terços são bartenders ou donos de bar, principalmente no topo do ranking. Mas há também educadores, consultores, jornalistas e profissionais ligados a marcas que entram não pela força das empresas que representam, mas por sua atuação pública e engajada. A presença de figuras como Danil Nevsky, Jean Trinh e Monica Berg comprova que, hoje, a influência no mundo dos bares vai além da bancada: ela passa por educação, justiça social, sustentabilidade e narrativas que transformam comunidades inteiras.
Na lista deste ano, o Brasil está representado por mim (Thiago Bañares), na 49ª posição, e pelo bartender Márcio Silva, na 52ª.
Estar na lista não é um troféu, é um sinal de que o trabalho de alguém tem ressonância no coletivo. O Bar World 100 é, sobretudo, uma celebração de pessoas que estão tornando a indústria de bares um lugar mais relevante, criativo e responsável.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.
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