World Class em SP: como café brasileiro brilhou no “Oscar” da coquetelaria
Melhor bartender do Brasil prova que café especial e coquetelaria não só podem, como devem andar de mãos dadas

Senta que lá vem história… E que história deliciosa! Em 2023, o Brasil virou passarela — ou melhor, balcão — do que há de mais sofisticado na coquetelaria mundial: o World Class, conhecido como o “Oscar” dos bartenders, desembarcou em São Paulo.
Imagine a cena: os melhores mixologistas do planeta, vindos de todos os cantos, estavam armados de bitters, infusões e aquele olhar de quem entende que um bom drinque pode ser mais poético que muita música por aí.
No meio desse festival de talentos, recebi um convite irrecusável do craque Nick Pietroluongo, que comanda a divisão World Class e o tal do Luxury Business na Diageo — aquela gigante que, vamos ser sinceros, manda no bar da noite mundial. A missão? Subir no palco e falar sobre o glorioso encontro entre coquetelaria e cafés especiais ao lado do mago curitibano das coqueteleiras, Ariel Todeschini.
Eu já conhecia o trabalho do Ariel, esse alquimista paranaense, e confesso: rolou aquela vontade de fazermos juntos a melhor masterclass do evento. E, modéstia às favas, conseguimos.
O público? Um mix de gringos e experts, todos saindo de lá com a cabeça feita: café especial e coquetelaria não só podem, como devem, andar de mãos dadas. Afinal, os dois mundos falam de excelência, de processos meticulosos e de algo que o Brasil sabe fazer bem, que é a hospitalidade.
Nossa palestra foi aquele sucesso que dá gosto. Mais que um papo, foi o plantio de uma semente. Há mais de uma década venho tentando aproximar esses dois universos que, quando se cruzam, criam magia.
Agora corta para 2025. O World Class volta a São Paulo, dessa vez para coroar o melhor bartender do Brasil, que vai carregar nossa bandeira até Toronto, no Canadá, entre setembro e outubro. Cheguei atrasado, culpa do trânsito, do tempo ou da vida, para a finalíssima no mítico Bar dos Arcos, escondido nas catacumbas do Teatro Municipal.
O pódio já estava formado. E adivinha? O campeão foi justamente ele, Ariel Todeschini, com um coquetel que tinha como estrela o café especial. Imagine a minha alegria? Além de ver o Ariel brilhando, pude saborear o gostinho doce de ver aquela velha semente germinando em grande estilo.
A verdade é que, com técnica afiada e paixão genuína, Ariel mostrou que dá, sim, para misturar genialidade, criatividade e o melhor café do mundo num copo. E que o Brasil, além de samba e futebol, sabe fazer drinque - e fazer bonito.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia
Sobre Caio Tucunduva

Engenheiro civil, Caio Tucunduva é especialista e mestre em sustentabilidade pela USP. Se apaixonou pelo mundo do café e, já especialista em hospitalidade, começou pelos cursos do Senac de barista e gestão de bares e restaurantes. Formou-se como degustador e classificador de café, tornando-se mestre de torra. Foi para a Austrália oferecer consultoria de torra de café brasileiro e aprendeu novas técnicas, como a blendagem de café verde, uma de suas marcas registradas. Ainda desenvolveu uma técnica de maturação de cafés especiais em madeiras e destilados. Hoje, percorre o país atrás de bons produtores.


