Louis Vuitton revive corrida de carros clássicos pelas Dolomitas

Tradicional rali da grife francesa volta após 14 anos e reunirá alguns dos automóveis mais raros do mundo em um percurso de 600 quilômetros entre Veneza, as Dolomitas e o circuito de Monza

Tina Bini, do Viagem & Gastronomia
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Depois de 14 anos fora do calendário, a Louis Vuitton vai colocar novamente seus baús na estrada. A maison francesa anunciou o retorno da Classic Run, tradicional rali de carros clássicos promovido pela marca desde os anos 1990, que voltará a ser realizado entre os dias 1º e 4 de setembro de 2026.

Batizada de Louis Vuitton Dolomites Classic Run 2026, a nova edição percorrerá cerca de 600 quilômetros entre Veneza, as Dolomitas e Monza, reunindo alguns dos automóveis históricos mais importantes do mundo em uma prova de regularidade, modalidade em que vence quem mantém o ritmo mais preciso ao longo do percurso, e não necessariamente o mais rápido.

Mais do que uma competição, o evento resgata uma tradição criada pela Louis Vuitton em 1993 para celebrar sua histórica relação com o universo das viagens e do automobilismo. Ao longo das últimas décadas, a Classic Run passou por cenários como a Malásia, Toscana, China e Europa Central, sempre combinando patrimônio cultural, paisagens icônicas e carros de coleção. A última edição aconteceu em 2012, com chegada em Veneza, cidade que agora volta a servir de ponto de partida para o novo capítulo da iniciativa.

A largada oficial acontecerá na Villa Pisani, às margens da Riviera del Brenta, uma das mais elegantes áreas da região do Vêneto. De lá, os participantes seguirão pelas estradas sinuosas das Dolomitas, cadeia montanhosa reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, em um trajeto pensado para privilegiar tanto a condução quanto a paisagem.

O destino final será o lendário Autódromo Nacional de Monza. No dia 4 de setembro, os automóveis participantes desfilarão no circuito antes da abertura do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, aproximando dois universos separados por décadas, mas unidos pela paixão pela engenharia e pelo design automotivo.

Os carros também ficarão expostos ao público na Villa Reale de Monza, dentro do parque que abriga o circuito italiano, antes da cerimônia de premiação, que acontecerá no histórico Castello Sforzesco, em Milão.

Embora o evento tenha como protagonista os automóveis clássicos, a Louis Vuitton aproveita a ocasião para reforçar uma relação que mantém com o setor automotivo há mais de um século. Em 1897, Georges Vuitton, filho do fundador da maison, desenvolveu um dos primeiros baús de tampa plana voltados para automóveis, substituindo os volumosos modelos utilizados nas carruagens. Poucos anos depois surgiram os chamados Sacs Chauffeurs, bolsas circulares desenhadas para se encaixar perfeitamente no compartimento do estepe dos primeiros carros.

Essa ligação também ajuda a explicar a crescente presença da marca no universo do automobilismo contemporâneo. Nos últimos anos, a Louis Vuitton passou a produzir os baús que transportam troféus de competições como a Copa do Mundo da FIFA, Roland Garros, NBA, Ballon d'Or e o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, reforçando o conceito "A Vitória Viaja em Louis Vuitton".

Além do percurso, a edição de 2026 terá um componente cultural. A maison anunciou parcerias com instituições italianas como a Villa Pisani, a Villa Reale de Monza, o Castello Sforzesco e os Museus Cívicos de Veneza para apoiar iniciativas de preservação do patrimônio histórico e artístico do país.

Com o retorno da Classic Run, a Louis Vuitton recupera uma tradição que ajudou a consolidar sua imagem muito antes de o luxo se tornar sinônimo apenas de moda. Afinal, antes de vestir viajantes, a maison ficou conhecida justamente por criar malas e baús para acompanhar algumas das viagens mais emblemáticas do mundo. Hoje, mais de 170 anos depois de sua fundação, volta a transformar a estrada em parte da própria experiência.

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