Dentro de reserva natural, W Costa Rica é hotel onde mar e floresta se encontram

Fora do óbvio, Playa Conchal e Tamarindo, regiões da propriedade, são paraíso para amantes da natureza, sendo oportunidade para conhecer uma das áreas recônditas da América Central

W Costa Rica fica dentro de uma reserva de quase mil hectares com mais de 60 espécies de plantas
W Costa Rica fica dentro de uma reserva de quase mil hectares com mais de 60 espécies de plantas Divulgação

Saulo Tafarelodo Viagem & Gastronomia Playa Conchal, Costa Rica

Quatis atravessam a rua, veados correm pelos gramados, iguanas são vistas nos galhos e inúmeras aves de diferentes espécies colorem o céu e garantem uma sinfonia de sons guturais a qualquer hora do dia.

A entrada na Reserva Conchal já começa assim, rodeada por fauna, mas também por muita flora. São quase mil hectares de área conservada aos pés das areias da Playa Conchal, próxima de Tamarindo, umas das cidades litorâneas mais famosas da Costa Rica.

É aqui, em meio a diferentes espécies de plantas e animais e entre a floresta e as águas do Pacífico, que o W Costa Rica – Reserva Conchal está situado.

Inaugurado em 2018, o sofisticado hotel de 150 quartos carrega um tom descolado e faz parte do portfólio de luxo “lifestyle” do grupo Marriott, que opera outras 16 propriedades na Costa Rica.

Logo, se hospedar aqui é se deparar com algumas das melhores facetas deste país da América Central: natureza exuberante preservada, praia de águas agradáveis e um estilo de vida sem pressa.

A sensação de isolamento é um dos trunfos do hotel, assim como a oportunidade de sair da rotina e experimentar um ecoturismo focado numa incrível biodiversidade, marca registrada da Costa Rica.

Chegada em Tamarindo: uma aventura

Conhecida por ser refúgio de surfistas e pelo agito durante a noite, principalmente com festas aos finais de semana, Tamarindo, na costa oeste da província de Guanacaste, fica a cerca de 45 minutos de avioneta da capital San José e é a cidade mais próxima da Playa Conchal.

Mas a viagem para brasileiros começa muitas horas antes: caso queira chegar ao destino recôndito, o itinerário mais comum é um voo do Brasil para San José com conexão na Cidade do Panamá (não há voos diretos entre Brasil e Costa Rica).

O voo entre os dois países da América Central tem duração de uma hora e meia. Uma vez na capital costarriquenha, o ideal é separar um dia para conhecer os arredores.

Caso queira continuar a viagem, o visitante deve se locomover até o terminal nacional do aeroporto Juan Santamaría, onde a companhia regional Sansa oferece voos regulares até Tamarindo a bordo de um avião monomotor de capacidade máxima de 14 pessoas, contando piloto e copiloto.

Uma vez nas alturas, a vista lá de cima enche os olhos. É possível observar os terrenos altos e baixos repletos de áreas verdes típicas da Costa Rica.

O voo com o pequeno avião Cessna 208 é uma das maneiras mais populares de se fazer o trajeto entre a capital e o singelo aeroporto de Tamarindo – composto por uma única pista de 890 metros, cerca de um quilômetro a menos do que a pista principal do aeroporto de Congonhas, por exemplo.

O diminuto aeroporto fica numa área rural com direito a vacas e galinhas ao redor e o “saguão” é um galpão aberto com salinha da companhia aérea e banheiros.

É um prenúncio do que se encontra pela região: uma bem-vinda simplicidade aliada à rica natureza.

Vale ressaltar que o caminho a partir da capital também pode ser feito de carro, opção que leva cerca de seis horas e é mais comum entre os costarriquenhos. Tamarindo e Playa Conchal também ficam próximas do aeroporto de Libéria, que recebe voos nacionais e internacionais dos Estados Unidos e Canadá.

O centrinho de Tamarindo concentra hotéis, lojas de souvenirs, sorveterias e restaurantes variados, em que fica a cerca de meia hora do W Costa Rica.

Ele tem a cara dos pequenos centros típicos de cidades litorâneas, com rua central de paralelepípedo e luzinhas suspensas de atmosfera aconchegante.

A cidadezinha é um bom ponto para uma escapadinha ao longo da estadia, em que a praia que leva o mesmo nome é destino popular entre surfistas.

Na beira da areia há ainda alguns estabelecimentos de pegada cool para beber cervejas e sentar de frente para o mar.

A Reserva

São mais de 60 espécies de plantas espalhadas pelos cerca de mil hectares da Reserva Conchal, que funciona como um condomínio com casas, apartamentos, campo de golfe e hotéis – além do W há o Westin, também do grupo Marriott, resort all inclusive voltado à famílias com uma das maiores piscinas da América Central.

Para manter os princípios naturais preservados, o local mantém um centro de sustentabilidade com estação de compostagem e reutilização de resíduos, assim como desenvolve trabalhos de reflorestamento.

Os hóspedes também podem conhecer o espaço, importante para terem a noção de que a horta é comandada e administrada apenas por mulheres da região – as hortelãs usadas nos mojitos saem todas daqui, assim como pimentas e pepinos.

Reserva Conchal tem centro de sustentabilidade e também voltado à conservação da fauna e da flora / Divulgação

Várias trilhas e práticas de mountain bike também são incentivadas na área.

Por cerca de US$ 10 (aproximadamente R$ 53), um outro tour dentro da reserva ainda mostra a criação de abelhas sem ferrão e sua produção de mel, que é envasada sob o selo Blue Zone Nicoya.

Aqui vale um adendo: a península de Nicoya, onde está localizada a Playa Conchal, é uma das cinco únicas regiões do mundo reconhecidas como “áreas azuis”, locais onde os moradores apresentam maior longevidade e chegam a ultrapassar os 100 anos de idade de acordo com práticas específicas identificadas por cientistas e demógrafos.

É como uma amostra da potência da Costa Rica, país com cerca de 27% do território protegido por áreas de conservação.

O hotel

Passada a portaria do Reserva Conchal, condomínio dentro da área preservada a meia hora de Tamarindo, o carro anda mais alguns minutos e logo adentra um porte-cochère circular arrojado, com uma cor vermelha viva que carrega a letra ‘W” em uma das pontas.

Junto dos funcionários, a arquitetura ousada dá as boas-vindas aos hóspedes e, ao longo dos dias, descobre-se que ela é inspirada em símbolos do país.

Tome por exemplo toda a área comum, chamada de living room e que contém bar e restaurantes: ela tem formato da Guanacaste, árvore típica da Costa Rica que dá nome à província. Ou ainda o bar central, ideal para drinques antes do jantar, que é decorado com vidros coloridos que referenciam as cores de um beija-flor.

Luminárias pendentes no Cocina de Mercado, restaurante principal do hotel, são inspiradas em favos de mel. O local é amplo e arejado, de pegada mais casual, servindo desde café da manhã, passando pelo almoço e seguindo para o jantar.

Por falar no restaurante, suas entradas são ideais para dividir, como tacos de peixe (US$ 21) e ceviche (US$ 18); entre os principais há desde arroz com frutos do mar (US$ 25), filé mignon (US$ 23) até pizza de pepperoni (US$ 17). Para beber a dica é apostar numa limonada frozen em dias mais quentes.

O café da manhã – com opções buffet ou à la carte – costuma ficar rodeado de pássaros pelas mesas. De beleza notável, alguns avançam nas comida, assim como quatis ficam aos montes nos jardins.

Para jantares mais formais, o Latitud 10° Norte é a pedida, com criações com ingredientes locais de inspiração de diferentes cozinhas do mundo – há até menu-degustação em certas datas.

Uma das vantagens de se hospedar no W é que é possível usufruir dos restaurantes all inclusive do Westin, em que hóspedes do primeiro hotel não pagam nada a mais – já o contrário não vale.

Beach Club e Playa Conchal

Já mais próximo ao mar, em que é necessário pegar um carrinho de golfe para se locomover, o Zona Azul Beach Club é o espaço ideal para se desconectar durante o todo o dia e um dos cantos mais agradáveis do hotel.

O restaurante Zona Azul é local certo para bebericar à beira da piscina de borda infinita – pode ser uma cerveja Imperial, a mais tradicional do país, ou drinque do dia feito com Cacique Guaro, destilado mais vendido na Costa Rica que se assemelha à cachaça branca.

Se deseja almoçar por aqui, pokes (US$ 21) caem bem: vêm com arroz shari, manga, abacate e wakame e opção de camarões empanados ou atum cru.

A piscina de borda infinita com grandes guarda-sóis, espreguiçadeiras e chaises ao redor é voltada para o Pacífico, que fica um pouco escondido por conta das árvores à frente.

A Playa Conchal não é necessariamente uma das praias mais bonitas do mundo, mas carrega em si a vantagem de ter pouquíssimas pessoas em suas areias – o beach club do W Costa Rica e o do hotel-irmão Westin são as únicas construções com saída para a praia.

É um bom lugar para caminhadas tranquilas e mergulhos nas águas de temperatura agradável. Também é possível alugar aparelhos de stand-up paddle, kayaks e bikes.

Por falar em águas, o spa tem construção em formato de casulos de mariposas e possui piscina externa superquente e outra fria em meio à mata. Diversos tratamentos também estão disponíveis, assim como cuidados com unhas e cabelos e sauna seca e úmida.

Outra lembrança dos spas estão nos quartos: os banheiros de mármore têm chuveiros duplos com águas que caem do teto – alguns são até rodeados de vidro que dão totalmente para a natureza lá fora.

São 150 quartos de diferentes tamanhos e vistas, que podem se voltar para o jardim, para a floresta ou, os mais altos, para o mar. Eles estão divididos em três prédios logo atrás do “living room”, os quais, em teoria, são inspirados em peles de serpentes. Os quartos maiores e mais caros, inclusive, possuem até piscina privativa na varanda. 

Mas além das piscinas privativas e do clube de praia, uma outra se faz presente na área comum logo em frente ao restaurante.

Construída ao lado de um bar molhado na altura da copa das árvores, pássaros voam em bandos em cima dos hóspedes principalmente no cair da tarde e os lembram mais uma vez que estão integrados à natureza.

O local ainda conta com uma jacuzzi quentíssima – bom para ter um drinque refrescante em mãos.

Após o almoço e antes do sol se pôr, um DJ agita o pedaço diariamente e anima os norte-americanos que passam férias por aqui, o principal público do local, como um casal da Flórida, recém-casados do Texas e até grupos do Canadá que passam dias relaxando como prêmio da empresa que trabalham.

E como a região é úmida e abafada ao longo do ano, não tenha medo da chuva caso ela apareça.

Uma das melhores maneiras de entender a expressão “pura vida”, dita aos montes pelos costarriquenhos e que pode significar desde um “bom dia” a um “obrigado”, é deixar que as gotas caiam sobre o rosto e o corpo.

É revigorante, principalmente dentro das águas do Pacífico ou na piscina quente externa do spa, deixar que as elas nos refresquem e causem uma sensação de despreocupação.

Conhecendo a região

Conhecida pelo seu extenso litoral com belas praias e abundância de paisagens naturais, a província de Guanacaste guarda ainda passeios dignos de serem feitos a partir da Playa Conchal – há serviços de traslados e pacotes de um dia inteiro que podem ser tratados com uma agência dentro do hotel.

Vale ressaltar que as épocas turísticas no país são divididas entre dois períodos: de junho a setembro é a baixa temporada e de novembro a abril é a alta temporada – logo, vale se organizar entre essas duas divisões.

Bem próxima à propriedade fica a Marina Flamingo, de onde saem catamarãs que passeiam por praias vizinhas e adentram as águas do Pacífico. Durante o passeio, que pode durar a manhã inteira, é possível avistar golfinhos, mantas e grandes tartarugas.

A embarcação passa por grandes rochedos verdejantes e chega a parar para banhos de mar. Mas é preciso ficar atento ao tempo e escolher dias mais ensolarados.

A província guarda um dos vulcões ainda ativos da Costa Rica, o Rincón de La Vieja, abrigado dentro do parque nacional de mesmo nome.

Por lá, é possível visitar a cascata de La Cangreja (conhecida como Lagoa Azul devido à cor característica da água) e outras paisagens de tirar o fôlego. Hikes pelas florestas podem ser feitas em grupos e os preços saem cerca de US$ 120 (cerca de R$ 640) a partir da Playa Conchal.

As redondezas do Rincón de La Vieja ainda guardam águas termais, como as do Rio Negro.

Cascata do Rio Celeste, no Parque do Vulcão Tenório, é passeio que pode ser de forma bate-volta a partir do hotel / Wikimedia Commons

Se é amante da natureza e gosta de trilhas, o Parque Nacional Palo Verde é seu lugar. Uma das áreas de maior biodiversidade da Costa Rica, o parque reúne mais de 15 comunidades naturais diferentes e as zonas úmidas representam cerca de 50% da área. O passeio sai por cerca de US$ 100 (aproximadamente R$ 530).

É como um verdadeiro santuário para milhares de aves aquáticas, migratórias e não-migratórias e lar para mais de 750 espécies de plantas.

Mais ao norte do país, a cerca de uma hora de Libéria e já na província de Alajuela fica o Vulcão Tenório, de parque nacional de mesmo nome, que tem um dos passeios mais bonitos do país: a Cachoeira do Rio Celeste.

É uma trilha que se abre para a queda d’água de cores azuis intensas e que parece ter saída da ficção. Do hotel, sai por cerca de US$ 147 (cerca de R$ 780).

W Costa Rica – Reserva Conchal
Reserva Conchal, Guanacaste, Costa Rica, 50308
Tel.: +506 2-654-3600
Reservas via site.
Refeições não inclusas.

*O jornalista viajou a convite da Marriott International.
**Preços consultados em novembro de 2022.