Palácio Rio Branco, em Salvador, será reaberto e abrigará hotel de luxo

Antiga sede do governo da Bahia, edifício histórico passará por restauração de R$ 250 milhões e ganhará 90 suítes, spa internacional e restaurantes com vista para a Baía de Todos-os-Santos

CNN Viagem & Gastronomia, do Viagem & Gastronomia
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O Palácio Rio Branco, antiga sede do governo da Bahia e um dos edifícios mais emblemáticos do Centro Histórico de Salvador, será reaberto após anos sem acesso público regular. Entregue à iniciativa privada, a construção passará por uma ampla restauração para abrigar um hotel de luxo. O projeto prevê o investimento de R$ 250 milhões.

Alexandre Allard, empresário e investidor franco-americano, é um dos responsáveis por encabeçar o novo plano, já que atua como CEO da Mata Holding, plataforma global de hospitalidade responsável pelo empreendimento. Allard é conhecido pelo desenvolvimento de grandes iniciativas, como o complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo, e a revitalização do Hotel Royal Monceau, em Paris.

A ordem de serviço para o início imediato das obras foi assinada nesta segunda-feira (1º) pela Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), pela Mata Holding e pela construtora André Guimarães, encarregada da execução do projeto.

Projeto do hotel

Intitulado Hotel Allard, o empreendimento terá 90 suítes, das quais 27 serão instaladas no edifício histórico. As demais ficarão em uma área anexa ao palácio.

O complexo ainda contará com piscina com vista para a Baía de Todos-os-Santos, um spa de bandeira internacional e três restaurantes.

Para Alexandre Allard, Salvador reúne atributos cada vez mais valorizados pelos viajantes de alto padrão.

"O mundo está migrando do consumo material para a busca por experiências profundas e transformadoras. Salvador reúne tudo o que o novo turista procura: cultura, espiritualidade, história e autenticidade. Quando unimos essa força com um palácio de quase 500 anos, a escolha da capital baiana para receber o nosso projeto se torna algo natural”, pontuou em nota.

Segundo os responsáveis pelo empreendimento, as obras devem gerar cerca de 2,5 mil empregos diretos. A previsão é que a restauração seja concluída entre 18 e 24 meses.

“O empreendimento vai atrair um público altamente exigente e fortalecer a posição de Salvador entre os principais destinos de luxo do mundo”, explicou Daniel Sande, o CEO da André Guimarães.

Um palácio que atravessa séculos

Localizado na Praça Tomé de Sousa, ao lado do Elevador Lacerda, da Prefeitura de Salvador e da Câmara Municipal, o Palácio Rio Branco ocupa um dos endereços mais simbólicos da história do Brasil.

Sua origem remonta ao século 16, quando o primeiro governador-geral do país, Tomé de Sousa, mandou construir no local a primeira Casa de Governo da colônia portuguesa. Ao longo dos séculos, o edifício serviu como sede administrativa, quartel e prisão, além de ter hospedado Dom Pedro II durante sua visita à Bahia.

No fim do século 19, a antiga construção colonial deu lugar a um edifício de inspiração neoclássica. Poucos anos depois, porém, o palácio foi severamente atingido durante o bombardeio de Salvador, em 1912, ordenado pelo então presidente Hermes da Fonseca.

A estrutura atual foi inaugurada em 15 de novembro de 1919 e recebeu o nome de Palácio Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco. O prédio permaneceu como sede do governo baiano até 1979, quando a administração estadual foi transferida para o Centro Administrativo da Bahia.

Nas décadas seguintes, o imóvel abrigou diferentes instituições públicas e culturais, incluindo a Fundação Pedro Calmon. O Palácio Rio Branco está fechado desde 2021.

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