Sarasota: por que esta cidade na Flórida é a melhor dos EUA para se visitar

Sarasota está no topo do ranking da CNN Travel das melhores cidades dos EUA para se visitar em 2026, combinando praias e beleza natural no Golfo do México com uma cena cultural de excelência

Terry Ward, da CNN
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A Flórida é conhecida por seu sol, areia e mar. Mas Sarasota tem muito mais a oferecer do que apenas belas praias. O Condado de Sarasota é conhecido como a "Costa Cultural" do estado.

Foi esse prestígio que se mostrou irresistível para Tammy Hauser, uma "pessoa das artes" de 62 anos, como ela mesma se descreve. Hauser estava sentada em uma padaria francesa em Sarasota, saboreando um croissant, quando ligou para sua filha, que estava em casa em Minneapolis, para avisá-la de que iria se mudar para a cidade à beira do Golfo.

"Eu disse: 'Encontrei! Encontrei uma cidade com muitos aspectos interessantes. Além disso, é linda, fica à beira-mar e tem um centro urbano'", recordou Hauser sobre a visita de 2014.

Ela estava à procura de uma cidade para se mudar que tivesse ótimo teatro, música, dança e outras ofertas culturais, cultivadas por uma comunidade acolhedora. E queria uma "cidade menor com uma área central agradável e movimentada".

Tudo isso e muito mais está disponível em Sarasota, uma cidade de médio porte com cerca de 60 mil habitantes, a aproximadamente uma hora de carro ao sul de Tampa.

Chamar Sarasota de "Costa Cultural" da Flórida não é exagero, afirmou Brian Hersh, CEO da Arts and Cultural Alliance of Sarasota County.

"O que pode surpreender ao vir para cá é a incrível excelência artística. Algumas coisas que você pode ver aqui talvez não veja em nenhum outro lugar, ou só veria em uma grande área metropolitana", disse Hersh, que morou em Nova York e trabalhou no Lincoln Center antes de se mudar para Sarasota há 18 anos. E as deslumbrantes praias às portas de Sarasota também oferecem sol, areia e mar.

Um peso-pesado das artes e da cultura

No coração cultural da cidade, e inspiração para grande parte da criatividade que floresce por aqui, está o The John and Mable Ringling Museum of Art, museu oficial de arte do estado da Flórida. Mas o complexo, que se espalha por uma extensa área verde à beira-mar ao norte do centro de Sarasota, é muito mais do que um museu.

O local foi originalmente a residência de inverno do magnata do circo John Ringling, que deixou sua propriedade e coleção de arte para o estado da Flórida quando morreu em 1936 — e a quem Sarasota deve grande parte de sua evolução cultural.

Junto com sua esposa, Mabel, Ringling havia adquirido a propriedade em 1911 à beira-mar para construir sua futura residência, em uma época em que a cidade era pouco mais do que uma vila de pescadores. Em 1927, Ringling oficialmente transformou a cidade na sede de inverno do seu Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus, que tem suas raízes em Wisconsin. A operação, junto com centenas de artistas e animais de circo, mudou-se para a Flórida, saindo da sua base anterior em Connecticut.

Hoje, a antiga propriedade do casal é The Ringling, complexo de quase 27 hectares na Baía de Sarasota que abriga um Museu de Arte com coleções barrocas e renascentistas (incluindo uma das maiores coleções da América do Norte de pinturas do mestre flamengo Peter Paul Rubens) nas 21 galerias originais. Um pavilhão dedicado à arte em vidro, um centro de arte asiática e outras galerias também fazem parte do complexo.

Há também um Museu do Circo na propriedade, que abriga objetos históricos e modernos, arte circense e a maior maquete de circo em escala do mundo.

A suntuosa mansão veneziana-gótica Ca' d'Zan é uma peça central impressionante. A antiga residência de inverno do casal, com 3.344 metros quadrados e 56 quartos, foi construída em 1926 e apresenta tetos ornamentados de cipreste pintado e vitrais coloridos.

Entre as muitas outras instituições culturais de Sarasota estão a Ópera de Sarasota, a Orquestra de Sarasota, a única companhia de balé profissional da Costa do Golfo da Flórida, o Teatro de Repertório Asolo, uma companhia de dança contemporânea e um teatro experimental contemporâneo.

Some-se a isso o Museu de Arte de Sarasota, um museu contemporâneo e extensão do Ringling College of Art + Design, que ocupa um edifício gótico de 1926 e um anexo modernista.

Recentemente, o conjunto de música de câmara da cidade, o "ensembleNewSRQ", executou "Music for 18 Musicians", de Steve Reich, na Ópera de Sarasota, para marcar o 50º aniversário da peça, por ocasião do 90º aniversário do compositor.

"Quando vi essa obra, percebi, naquele momento, que esse é o tipo de coisa que você só estrearia na cidade de Nova York", disse Hersh. "É o único tipo de lugar onde você veria algo assim. E ali estava em Sarasota, com uma plateia que simplesmente a devorava."

Do circo ao turismo Amish

Foi graças a Ringling que Sarasota evoluiu para se tornar um lugar de riqueza, sofisticação e artes, disse Hauser.

"Ele realmente contribuiu tanto para Sarasota que as pessoas ainda apreciam isso hoje em dia", disse ela, observando que, além de doar toda a sua coleção de arte ao estado, John Ringling construiu a primeira ponte sobre a Baía de Sarasota para conectar a cidade às suas ilhas-barreira, ou "keys", incluindo St. Armands Key e a adjacente Lido Key.

St. Armands Circle, a principal área comercial de Sarasota, repleta de cafés e sede do restaurante mais antigo da cidade, o Columbia, também foi criação de John Ringling.

Projetada no formato de uma roda de carroça para homenagear o circo, a praça circular foi originalmente desenvolvida por Ringling como Harding Circle, quando ele tentava convencer o presidente Harding a instalar sua Casa Branca de inverno em Sarasota, disse Hauser. Embora não tenha conseguido atrair Harding, hoje a praça reúne pedestres, curiosos e observadores da vida urbana em seus cafés com mesas nas calçadas, lojas de roupas e bares.

A poucos minutos de caminhada, de frente para a praia de Lido Key, fica o Cirque St. Armands Beachside, hotel inspirado no universo circense, e o Ringside Restaurant, que homenageiam a história de Ringling com uma ambientação que remete à atmosfera dos tradicionais circos.

A empresa de Hauser, Discover Sarasota Tours, conduz passeios que mergulham no folclore circense da cidade, seus destaques arquitetônicos e outros temas. A empresa surgiu a partir de trabalhos de consultoria que Hauser realizava com o que hoje se chama Architecture Sarasota, e de sua surpresa ao constatar que o destino turístico não tinha passeios focados em sua arquitetura.

Ela então acrescentou passeios temáticos circenses que percorrem pontos históricos e a história dos maiores artistas de espetáculos que já viveram na cidade.

Além da história circense de Sarasota, os visitantes costumam se surpreender ao ver pessoas Amish pedalando triciclos e bicicletas de rodas grandes pelas ruas da cidade durante o inverno, quando elas se dirigem ao sul em busca de sol e uma pausa do trabalho agrícola em estados como Ohio, Pensilvânia e Indiana.

A poucos quilômetros a leste do centro de Sarasota, o bairro histórico de Pinecraft atrai visitantes Amish e Menonitas desde a década de 1920 para se aquecer no inverno.

"O único lugar no mundo onde eles vêm passar férias em massa é aqui em Sarasota", disse Hauser, referindo-se aos meses de inverno e início da primavera, quando milhares de visitantes Amish e Menonitas chegam. De novembro a abril, os turistas podem participar de passeios de 90 minutos com a empresa dela, chamados Amish Experience, que incluem lugares como o Der Dutchman Amish Kitchen Cooking, conhecido por seus "buffets improvisados" para almoço e jantar, e a loja de colchas Alma Sue's.

"Acho que o mais interessante em Sarasota é a combinação de todos esses elementos diferentes. Amish, circo, artes, beleza natural, turismo, atrações", disse Hauser.

Beleza natural em abundância

Em Sarasota, a natureza pode ser apreciada em ambientes cuidadosamente planejados ou completamente selvagens.

O Jardim Botânico Marie Selby, no coração do centro da cidade, ocupa seis hectares à beira da baía e abriga o que é considerado a melhor coleção de plantas vivas de epífitas tropicais quentes, incluindo samambaias nativas da Flórida, orquídeas e bromélias, bem como variedades globais que estão entre as plantas mais raras do mundo.

Após uma expansão de vários milhões de dólares (a primeira de um plano de múltiplas fases), o local estreou em 2024 como o primeiro jardim botânico com balanço energético positivo do mundo, gerando mais energia renovável do que consome.

Os visitantes podem fazer visitas guiadas para ver como as sementes de orquídeas são germinadas no laboratório e admirar espécies raras de plantas preservadas em álcool na vasta coleção do jardim, podendo ainda desfrutar de um almoço ou brunch no The Green Orchid. Este restaurante, movido a energia solar, serve pratos como wraps de alface coreanos e salada Cobb, preparados com produtos da horta orgânica no terraço.

Os maravilhosos mundos aquáticos da Baía de Sarasota, do Golfo do México e de outros ambientes oceânicos ganham vida no novo Mote SEA (Mote Science Education Aquarium), inaugurado em outubro de 2025, a cerca de 14 quilômetros a nordeste do centro de Sarasota.

"Quando olhamos para nossos cursos d'água, tanto os costeiros quanto os braços de mar são realmente uma parte central da identidade da comunidade", disse Kevin Cooper, vice-presidente de comunicações e iniciativas estratégicas do aquário.

Os leitos de ervas marinhas da Baía de Sarasota, local preferido dos peixes-boi para se alimentar, são uma parte fundamental do ecossistema e uma "área indicadora da saúde da ecologia costeira aqui na região", disse ele.

Além de laboratórios de ensino de ponta para ciências, tecnologia, engenharia e matemática, a nova instalação abriga uma Galeria Indo-Pacífica, uma colônia de pinguins-de-Humboldt e uma Galeria da Costa do Golfo de 1,5 milhão de litros, onde os visitantes podem ver tubarões, raias e tartarugas marinhas, além de tocar arraias em um tanque interativo. Lou, um peixe-boi resgatado que perdeu parte da cauda após ser atingido por um barco em 2000, também vive aqui.

Dito isso, muitas vezes tudo o que você precisa fazer para ver peixes-boi, golfinhos e outras criaturas da Costa do Golfo neste trecho da Flórida é se dirigir a uma das praias de areia branca ao longo de 56 quilômetros do Condado de Sarasota, em lugares como Manasota Key, Siesta Key, Lido Key ou Longboat Key.

Longboat Key fica a cerca de 15 minutos do centro de Sarasota e também é um destino favorito para passeios de um dia saindo de Tampa, oferecendo uma alternativa mais tranquila em relação a St. Pete Beach e Clearwater Beach, ao norte. Há uma variedade de acomodações à beira-mar para todos os bolsos, desde o luxuoso e novo St. Regis Longboat Key Resort até hotéis simples de gestão familiar que existem há décadas, como o SeaHorse Beach Resort, recentemente reformado e originalmente construído em 1960.

Qualquer visita a Longboat Key deve incluir um brinde com algo gelado, talvez um Hugo Spritz ou um mojito, e a degustação de um sanduíches ou tacos de peixe no Dry Dock Waterfront Grill, onde as mesas ao ar livre oferecem vista para a Baía de Sarasota, um paraíso para ecoturismo e passeios de barco para ver golfinhos. Não deixe de descer até a areia quando o sol começar a se pôr em direção ao Golfo do México no fim do dia.

É essa combinação do melhor dos dois mundos, natureza e cultura, que talvez seja o grande trunfo de Sarasota. "Você pode relaxar nas belas praias. Mas também pode ir a um espetáculo realmente moderno ou a uma exposição", disse Hersh.

"Você não consegue fazer isso em Nova York. Você simplesmente não vai se desconectar em Nova York da mesma forma."

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