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    A aposta de US$ 1 trilhão do Ocidente para acabar com a economia russa

    Nunca na história uma economia com a importância mundial da Rússia foi alvo de sanções desse nível, dizem analistas

    Entrada principal do banco central da Rússia em Moscou
    Entrada principal do banco central da Rússia em Moscou 15/06/2015. REUTERS/Maxim Zmeyev

    Charles Rileyda CNN

    Em Londres

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    O Ocidente respondeu à invasão russa à Ucrânia com uma série de sanções. A mais recente delas tem o intuito de desencadear uma crise bancária, sobrecarregar as defesas financeiras de Moscou e levar a economia russa a uma profunda recessão.

    Nunca na história uma economia com a importância mundial da Rússia foi alvo de sanções desse nível, segundo analistas que afirmam haver agora um alto risco de a Rússia enfrentar uma crise financeira que leve seus maiores bancos à beira do colapso.

    Autoridades ocidentais descreveram sua campanha como uma guerra econômica destinada a punir o presidente Vladimir Putin e transformar o país que ele lidera em um pária internacional –mesmo que as sanções demorem anos para destruir a fortaleza econômica da Rússia.”

    “Provocaremos o colapso da economia russa”, afirmou o Ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, para um canal de notícias local nesta terça-feira (1).

    A posição da Rússia como fornecedora mundial de energia tornará essa missão mais difícil. A Europa obtém quase 40% de seu gás natural e 25% de seu petróleo da Rússia, e qualquer interrupção nessas exportações faria com que os preços globais já elevados subissem ainda mais.

    Como o Ocidente está combatendo

    A invasão de Putin à Ucrânia foi recebida com uma resposta inédita dos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países. Até a Suíça, famosa por sua neutralidade e sigilo bancário, prometeu impor sanções à Rússia.

    O Ocidente cortou o acesso direto ao dólar americano de dois dos maiores bancos da Rússia, Sberbank (SBRCY) e VTB, além de tomar medidas para banir alguns bancos russos do sistema Swift, um serviço global de mensagens que conecta instituições financeiras e permite pagamentos rápidos e seguros.

    A coalizão está tentando impedir o Banco Central da Rússia de vender dólares e outras moedas estrangeiras para defender o rublo e sua economia. No total, quase US$ 1 trilhão em ativos russos foram congelados por sanções, segundo Le Maire.

    “As democracias ocidentais surpreenderam muitos ao seguir uma estratégia de intensa pressão econômica sobre a Rússia, eliminando-a efetivamente dos mercados financeiros globais”, afirmou Oliver Allen, economista de mercados da Capital Economics, em uma nota de relatório.

    “Se a Rússia continuar seguindo o caminho atual, é muito fácil ver que as sanções recentes podem ser apenas os primeiros passos para um corte severo e duradouro dos laços financeiros e econômicos da Rússia com o restante do mundo”, acrescentou.

    Os países ocidentais descartaram o envio de tropas para combate na Ucrânia, usando as sanções como o principal meio de provocar a Rússia. As medidas podem comprometer até 6% do produto interno bruto da Rússia, segundo a Oxford Economics.

    “Nossa estratégia, de maneira simplificada, é garantir que a economia russa retroceda se o presidente Putin decidir continuar com sua invasão na Ucrânia”, informou um funcionário do alto escalão do governo dos EUA a repórteres.

    A ‘fortaleza’ econômica da Rússia

    Desde 2014, quando os Estados Unidos e seus aliados ocidentais impuseram sanções a Moscou após a anexação da Crimeia e a queda do voo MH17 da Malaysian Airlines, Putin tem tentado proteger a economia de US$ 1,5 trilhão da Rússia, a 11ª maior do mundo, de sanções.

    Moscou tentou afastar sua economia dependente do petróleo do dólar, limitar os gastos do governo e estocar moedas estrangeiras.

    Os responsáveis pelo planejamento econômico de Putin também buscaram aumentar a produção nacional de alguns bens, bloqueando produtos equivalentes do exterior. Enquanto isso, o Banco Central da Rússia construiu um cofre de guerra de US$ 630 bilhões em reservas, incluindo moedas estrangeiras e ouro – uma quantia muito elevada em comparação com a maioria dos outros países.

    Essas medidas protetivas estão agora sendo severamente testadas.

    As sanções tornaram inútil cerca de 50% do estoque de reservas internacionais da Rússia, de acordo com a Capital Economics.

    “As condições externas mudaram drasticamente para a economia russa”, afirmou o Banco Central do país na segunda-feira (28) ao anunciar que praticamente dobraria as taxas de juros para 20%. “Isso é necessário para sustentar a estabilidade das finanças e dos preços e proteger as poupanças dos cidadãos da desvalorização”, acrescentou o banco.

    A Rússia também está impondo controles de capital. O Banco Central ordenou que as empresas vendessem moedas estrangeiras na segunda-feira (28) para apoiar o rublo, que teve uma queda recorde frente ao dólar americano. Putin está planejando um decreto que proibiria temporariamente empresas e investidores estrangeiros de vender ativos russos, que se tornaram tóxicos para muitos desde a invasão.

    “O cofre de guerra de mais de US$ 600 bilhões em reservas internacionais da Rússia só será poderoso se Putin puder usá-lo”, afirmou um funcionário do alto escalão do governo Biden a repórteres.

    O que vem a seguir

    Todos os olhos estão voltados para o sistema financeiro russo.

    No fim de semana, houve relatos de que os russos estariam em longas filas para sacar dinheiro dos caixas eletrônicos, aumentando a perspectiva de uma corrida aos bancos do país. Já o principal alvo das sanções, os bancos russos, pode sofrer uma pressão ainda maior se os tomadores não conseguirem pagar seus empréstimos à medida que a recessão inevitável atinja empresas e famílias.

    Liam Peach, economista de mercados emergentes da Capital Economics, comenta que os bancos russos podem ser forçados a reagir vendendo seus ativos, provavelmente a um preço baixo. O crédito pode se tornar escasso, fazendo com que as consequências econômicas das sanções sejam ainda piores.

    “A intensificação das sanções ocidentais no fim de semana deixou os bancos russos à beira da crise”, diz Peach.
    Uma das primeiras vítimas foi a subsidiária europeia do Sberbank, o maior credor da Rússia, que sofreu sanções de aliados ocidentais. O Banco Central Europeu disse na segunda-feira (28) que o Sberbank da Europa, incluindo suas filiais austríacas e croatas, estava quebrando, ou prestes a quebrar, devido a “retiradas significativas de depósitos” desencadeadas pela crise.

    Outro problema é que os bancos russos só têm caixa estrangeiro suficiente para cobrir cerca de 15% dos depósitos em moeda estrangeira em suas reservas. O Banco Central normalmente forneceria moeda estrangeira a esses bancos, mas com metade de seu cofre de guerra comprometido, talvez não consiga fazer isso e defender o rublo ao mesmo tempo.

    O Banco Central pode sofrer pressão por meses ou até anos.

    Graças ao petróleo e ao gás, as exportações da Rússia são muito maiores do que as importações, e os pagamentos realizados ao país são uma importante fonte de divisas. No entanto, investidores e empresas podem tentar retirar grandes quantidades de moeda estrangeira do país à medida que o rublo cai, forçando o Banco Central a utilizar até US$ 100 bilhões de suas reservas disponíveis este ano, segundo a Capital Economics.

    Enquanto isso, o Ocidente poderia pressioná-los ainda mais. Os Estados Unidos e seus aliados podem remover outros bancos russos do sistema Swift e restringir ainda mais seu acesso a dólares e euros, segundo o Instituto de Finanças Internacionais. Eles também poderiam cortar as exportações de energia da Rússia, embora isso fizesse com que os preços subissem.

    Uma nova escalada do conflito econômico pode ter grandes consequências.

    “Não se esqueçam que na história da humanidade as guerras econômicas muitas vezes se tornaram guerras reais”, ressaltou o ex-presidente russo Dmitry Medvedev na quinta-feira em resposta aos comentários de Le Maire.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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