Hospitais lotam nos EUA às vésperas de Colégio Eleitoral oficializar Biden

Estados Unidos vivem um dos momentos mais difíceis da pandemia da Covid-19

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
11 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 11 de dezembro de 2020 às 06:54
Médico Ashley Ferrel e fisioterapeuta Karen Miller cuidam de paciente da Covid-19 em UTI de hospital em Chicago, nos EUA
Foto: REUTERS/Shannon Stapleton

O presidente eleito Joe Biden, de 78 anos, chega às vésperas da sua oficialização como o próximo líder dos Estados Unidos diante de um país com pouco a se comemorar.

Os EUA vivem um dos momentos mais difíceis da pandemia da Covid-19, com dados preocupantes a respeito da ocupação de leitos e nos registros diários de casos e novas vítimas da doença causada pelo novo coronavírus. 

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As hospitalizações alcançaram o recorde nessa quinta-feira (10). Segundo dados do Covid Tracking Project, nada menos do que 107.248 americanos estavam internados no país para o tratamento da Covid-19.

A Universidade Johns Hopkins contabiliza que mais de 292 mil pessoas já morreram nos EUA em decorrência da doença.

O Colégio Eleitoral está previsto para se reunir na próxima segunda-feira, dia 14, para confirmar os resultados do pleito de 3 de novembro.

As projeções da CNN e de demais veículos especializados contabilizam 306 delegados favoráveis à confirmação de Joe Biden, com 232 caminhando com o presidente Donald Trump.

Ainda aguardando essa última etapa, Biden e a vice-presidente eleita, Kamala Harris, já buscam maneiras de lidar com a crise ascendente.

O governo incubente anunciou a criação de uma força-tarefa para lidar com a pandemia da Covid-19, que inclui a médica brasileira Luciana Borio.

Luciana deu uma entrevista recente à CNN, em que afirmou que conter o avanço da pandemia será a "prioridade máxima" do presidente eleito.

O próprio Joe Biden, no entanto, sabe que uma vacina eficaz é a pincipal possibilidade dos EUA para conter a Covid-19.

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Enquanto aguarda o imunizante, ele quer liderar uma campanha pelo uso de máscaras no país. O democrata calcula que as máscaras serão essenciais nos primeiros 100 dias do seu governo, ou até meados de maio, para evitar um iminente colapso do sistema de saúde e dispensar a necessidade de um lockdown prejudicial para a economia.

Nessa quinta-feira, o FDA (Administração de Drogas e Remédios, na sigla em inglês), o equivalente americano à Anvisa, deu o sinal verde para o uso emergencial da vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech.

Nos Estados Unidos, uma preocupação crescente é a resistência de parte da população às vacinas. Biden tem dito que ele e Kamala pretendem se vacinar em público como forma de estímulo, promessa também feita pelos ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama.

Números da pandemia

"As coisas estão realmente ruins", resumiu Ashish Jha, reitor da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade Brown.

"O que nós estamos vendo nas últimas semanas é um crescimento acelerado das infecções. E o que nós sabemos -- desde o começo da pandemia -- é que infecções precedem hospitalizações, que por sua vez precedem mortes", disse Jha à CNN.

Números mais recentes do Departamento de Saúde e Recursos Humanos dos Estados Unidos, que trazem um recorte da semana passada, mostram que ao menos 200 hospitais estavam lotados naquela altura.

E em um terço de todos hospitais, mais de 90% dos leitos de UTI estavam ocupados. Pacientes com o novo coronavírus correspondiam a 46% de todos leitos de terapia intensiva ocupados -- mais do que os 37% registrados na primeira semana de novembro.

O aspecto humano também tem um peso grande. "Os trabalhadores da saúde estão exaustos e os hospitais estão totalmente lotados", lamenta Kathleen Sebelius, ex-secretária de Saúde e Recursos Humanos.

A luz no fim de um longo túnel

Se de um lado a quinta-feira foi um dia de muita esperança, depois do comitê do FDA recomendar a vacinação emergencial com o imunizante da Pfizer/BioNTech, também foi um dos dias de maior preocupação.

A Universidade Johns Hopkins aponta que 3.124 pessoas morreram com a Covid-19 nos Estados Unidos na quarta-feira (9), o que representa o número mais alto de vítimas para um único dia desde o início da pandemia no país.

A recomendação dos especialistas do FDA aponta que os americanos que não participam de estudos clínicos possam começar a serem vacinados nas próximas semanas. A agência deve se debruçar sobre o assunto em breve.

Ainda neste mês, o mesmo comitê deve se reunir para discutir se dá sinal verde para um projeto de vacina, o da farmacêutica Moderna.

Enquanto a Pfizer estima em 95% a eficácia da sua vacina, a Moderna afirma ter uma vacina 94,1% eficaz em evitar a Covid-19, além de não ter tido registro de nenhum caso grave entre quem participa dos testes.

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São percentuais considerados altos. No caso da Pfizer, por exemplo, a eficácia de 95% significa a projeção de que, a cada 100 pessoas que tomarem a vacina, 95 produzam a proteção necessária para não desenvolver a Covid-19.

"As vacinas contra a Covid-19 são uma realmente significativa luz no fim do túnel", diz a ex-secretária Kathleen Sebelius. 

Esse panorama faz com que se volte ao ponto da resistência de parte dos americanos se vacine.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e conselheiro de Joe Biden para a saúde, afirma que só é possível esperar um impacto significativo da vacinação em 2021 se a adesão for significativa.

"Vamos dizer que consigamos 75%, 80%, da população vacinada. Eu acredito que se nós fizermos isso de forma eficiente até o segundo trimestre de 2021, a tempo de terminar até o final do verão, nós devemos ter uma proteção social suficiente que, no final de 2021, possamos alcançar algum grau de normalidade próximo ao que tínhamos antes", disse Fauci em evento virtual da Universidade de Harvard.

(Com informações de Holly Yan, Christina Maxouris e Deidre McPhillips, da CNN)