Conflito entre Ucrânia e Rússia pode agravar crise mundial de refugiados, diz professor

Caso haja conflito, milhares podem deixar suas casas na Ucrânia e nas regiões russas próximas à fronteira, e procurar abrigo em países do Leste Europeu, em especial na vizinha Polônia

Ludmila CandalLuana Franzãoda CNN

Em São Paulo

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As tensões nas fronteiras entre Ucrânia e Rússia estão tomando as discussões diplomáticas mundialmente, e a ameaça de uma invasão tem sido comentada por líderes do Ocidente.

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (18), o professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Gunther Rudzit, avaliou que um dos maiores riscos de uma possível escalada de conflitos na região, além das baixas de soldados e combatentes, seria o grande aumento de refugiados na Europa.

Caso haja conflito, milhares podem deixar suas casas na Ucrânia e nas regiões russas próximas à fronteira, e procurar abrigo em países do Leste Europeu, em especial na vizinha Polônia. A crise mundial de refugiados já é um assunto de preocupação há anos nos órgãos internacionais. A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) estima que 84 milhões de pessoas foram deslocadas forçosamente até o meio de 2021, e dentre elas, 26,6 milhões são refugiadas.

“Um dos grandes temores de uma invasão em larga escala da Ucrânia, por parte da Rússia – cenário que eu considero muito pouco provável – é que levaria a dezenas de milhares de refugiados, não só na Polônia, mas para países do Leste Europeu”, afirmou.

Rudzit avalia que, apesar das discussões e declarações constantes de potências ocidentais sobre a iminência de uma invasão, um conflito entre potênciais é extremamente improvável. Entretanto, um agravamento da guerra civil que já ocorre entre ucranianos e grupos apoiados pelos russos na região leste da Ucrânia, é um cenário mais preocupante.

“O que alguns dizem de que vai ser uma terceira guerra mundial, não, não vai ser isso. Agora, o que existe é a possibilidade de uma escalada desse conflito, dessa guerra civil que tá no leste da Ucrânia, voltar”, disse.

Nos últimos dias, o governo russo anunciou a retirada de forças da área das tensões, mas os EUA e forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmam que há, na verdade, um aumento do deslocamento de soldados russos em direção ao local. A diferença entre as informações, o professor afirmou ser “parte do jogo”.

Membros das Forças Armadas ucranianas realizam exercícios militares na região de Kharkiv / 10/02/2022 REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy

“Toda essa discordância de números, se estão ou não estão, faz parte desse processo do rearranjo em que o presidente russo quer manter o máximo de pressão possível para fazer com que a Europa, capitaneada pelos Estados Unidos, negociem seriamente com a Rússia”, disse.

“O que a gente precisa entender é que o mundo mudou e que não estamos mais naquele período de paz pós Guerra Fria, a gente voltou a um mundo de disputa entre as grandes potências”. Nesta “nova fase” do mundo, a Rússia deseja reafirmar a sua influência no cenário internacional e discutir a estrutura de segurança europeia.

A Ucrânia, apesar de ser o palco do conflito, ganhou um papel coadjuvante. “Esse é o grande problema, a Ucrânia não tem muita voz nesse jogo. É o jogo das grandes potências, e essa não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que isso ocorre na história”.

Segundo Gunther Rudzit, a pressões sobre Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, vêm de todos os lados. “Se ele ceder demais, nacionalistas ucranianos se voltarão contra ele, e ele pode ser derrubado. Ele sofre a pressão dos dois lados, tanto da Rússia, quanto do Ocidente, e sofre ainda a pressão desses nacionalistas”.

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