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    Governo russo diz que pode romper relações com EUA, segundo agência ligada ao Kremlin

    Diretor do departamento norte-americano do Ministério das Relações Exteriores da Rússia foi questionado se a possibilidade de diminuir as relações diplomáticas entre Moscou e Washington estava sendo considerada

    Prédio destruído após ataque russo em Mykolaivka, região de Donetsk, Ucrânia, em 04 de agosto de 2022
    Prédio destruído após ataque russo em Mykolaivka, região de Donetsk, Ucrânia, em 04 de agosto de 2022 Anadolu Agency via Getty Images

    Artur Nicocelido CNN Brasil Business

    em São Paulo

    O diretor do departamento norte-americano do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Darchiev, em entrevista à agência russa de notícias TASS, que é ligada ao Kremlin, disse que a Rússia alertou os Estados Unidos sobre um “ponto de não retorno” e uma possível ruptura das relações diplomáticas entre os países.

    Darchiev foi questionado se a possibilidade de diminuir as relações diplomáticas entre Moscou e Washington estava sendo considerada.

    “Eu não gostaria de entrar em especulações hipotéticas sobre o que é possível e o que não é possível na atual situação turbulenta, quando ocidentais liderados pelos Estados Unidos pisotearam o direito internacional e tabus absolutos na prática diplomática”, declarou Darchiev.

    “Nesse contexto, gostaria de mencionar a iniciativa legislativa atualmente em discussão no Congresso para declarar a Rússia um ‘país patrocinador do terrorismo'”. “Se aprovada, significaria que Washington teria que atravessar o ponto sem retorno, com sérios danos colaterais às relações diplomáticas bilaterais, até a sua redução ou mesmo o rompimento”, finalizou o diplomata.

    Em guerra

    A relação entre os países entrou em fase mais crítica depois que Vladimir Putin autorizou o que ele chamou de “operação militar especial” na região de Donbass (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

    No amanhecer do dia 24 de fevereiro, as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país, iniciando uma guerra contra a Ucrânia.

    O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.

    No dia da invasão, Putin se justificou por uma declaração gravada exibida na TV. O russo afirmou haver um “genocídio” em curso no leste ucraniano, promovido por tropas “neonazistas” do país contra russos étnicos e separatistas da região.

    O conflito ainda não tem uma perspectiva de se encerrar, já que sucessivos encontros entre representantes dos dois países fracassaram, até o momento, em garantir um cessar-fogo definitivo.

     

     

    Histórico de guerra

    A relação entre os dois países não é nova: eles têm uma história comum que remonta à Idade Média.

    Ambos os países têm raízes comuns no Estado eslavo oriental de Kievan Rus. É por isso que o presidente russo, Vladimir Putin, fala de russos e ucranianos como “um só povo”.

    Porém, estes países avançaram separadamente durante séculos, o que proporcionou o surgimento de duas línguas e culturas. Enquanto a Rússia estava se tornando um império, a Ucrânia não conseguiu estabelecer seu próprio Estado.

    No século 17, grandes áreas da atual Ucrânia tornaram-se parte do Império Russo, e os territórios foram reorganizados em províncias russas regulares administradas por governadores nomeados por São Petersburgo, de acordo com a Enciclopédia Britânica.

    A partir de então até o século 20, a Rússia e a União Soviética (URSS) realizaram um programa de “russificação” para desencorajar a identidade nacional ucraniana.

    Após a Revolução Russa de 1917 e o final da Primeira Guerra Mundial, a Ucrânia tornou-se brevemente independente, até o início da década de 1920, quando se tornou parte da União Soviética.

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o país foi ocupado pela Alemanha, até que a Rússia Soviética recuperou o controle do país em 1944 e expandiu suas fronteiras para incluir territórios tomados da Romênia, Polônia e Tchecoslováquia (atual República Tcheca).

    Em 1991, quando a União Soviética foi dissolvida, esse grande território que ocupava foi dividido em 15 repúblicas independentes. A Ucrânia é uma delas: em julho de 1990 havia declarado sua soberania.

    O Parlamento ucraniano declara a independência, aguardando um referendo em 1º de dezembro de 1991, que é finalmente aprovado com 90% dos votos. Assim, a Ucrânia adere à nova Comunidade de Estados Independentes, juntamente com a Rússia e a Bielorrússia.

    A partir de então, a Ucrânia voltou seus olhos para a Europa e seu interesse em ingressar na Otan.

    As tensões entre esses dois ex-estados soviéticos aumentaram no final de 2013 devido a um histórico acordo político e comercial com a União Europeia. Depois que o então presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych cancelou as negociações – aparentemente sob pressão de Moscou – protestos violentos eclodiram em Kiev por semanas.

    Então, em março de 2014, a Rússia anexou a Crimeia, uma península autônoma no sul da Ucrânia com forte lealdade russa, sob o pretexto de que estava defendendo seus interesses e os dos cidadãos de língua russa.

    *Com informações da CNN En Espanhol