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    Israel tem tropas suficientes para lançar grande incursão em Rafah, dizem EUA

    Fontes do governo americanos dizem que Israel não chegou nem perto de fazer os preparativos adequados para evitar mortes de civis

    Veículos militares de Israel perto da fronteira Israel-Gaza
    Veículos militares de Israel perto da fronteira Israel-Gaza 09/05/2024REUTERS/Amir Cohen

    MJ LeeKylie Atwoodda CNN

    A administração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, avaliou que Israel tem tropas suficientes para avançar com uma incursão em grande escala na cidade de Rafah, nos próximos dias.

    Mas, integrantes do governo americano não sabem se os israelenses já tomaram uma decisão final sobre a operação. A medida vem em desafio direto ao líder americano Joe Biden, segundo fontes ligadas a administração americana disseram à CNN.

    Uma das autoridades também alertou que Israel não chegou nem perto de fazer os preparativos adequados – incluindo a construção de infraestrutura relacionada à alimentação, higiene e abrigo – antes de retirar mais de um milhão de habitantes que atualmente vivem em Rafah.

    Se Israel avançar com uma grande operação terrestre no sul de Gaza, estaria indo contra meses de avisos dos EUA para renunciar a uma ofensiva em grande escala na cidade densamente povoada.

    O próprio Biden expressou esse aviso na semana passada, dizendo a Erin Burnett da CNN que os EUA reteriam alguns carregamentos de armas para Israel se eles dessem esse passo.

    “O presidente deixou claro que não forneceria certas armas ofensivas para tal operação”, disse o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan a repórteres na Casa Branca nesta segunda-feira (13). “Isso ainda não ocorreu.”

    À medida que a guerra entra no oitavo mês, as autoridades dos EUA estão questionando cada vez mais a abordagem de Israel ao conflito, inclusive sugerindo publicamente que é improvável alcançar seu objetivo de destruir o Hamas e eliminar os líder do grupo.

    Na segunda-feira (13), Kurt Campbell, o oficial número dois do Departamento de Estado, disse que há tensões entre os dois países sobre “qual é a teoria da vitória.”

    “Às vezes, quando ouvimos os líderes israelenses, eles falam principalmente sobre a ideia de algum tipo de vitória abrangente no campo de batalha, vitória total. Eu não acho que isso seja provável ou possível”, disse Campbell.

    “Tem que haver mais de uma solução política. Essa é uma das razões pelas quais a equipe do presidente (dos EUA) tem estado tão envolvida com a região”, afirmou Campbell na Cúpula da Juventude da OTAN, organizada pelo Instituto Aspen.

    Ir “de cabeça para Rafah” pode ter consequências terríveis, alertou o secretário de Estado americano Antony Blinken, no domingo (12).

    EUA acreditam que o Hamas foi ‘significativamente destruído’

    E, embora os EUA acreditem que Israel será incapaz de destruir completamente o Hamas, os americanos acreditam que o governo israelense alcançou muitos de seus objetivos iniciais de guerra.

    O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matt Miller, disse na semana passada que o Hamas foi “significativamente destruído.”

    “Vimos a capacidade de lançar ataques como os de 7 de outubro significativamente destruídos, se não completamente eliminados”, disse ele. “Eles não poderiam lançar um ataque dessa escala hoje.”

    “Suas fábricas de produção de armas subterrâneas foram eliminadas. A maior parte da liderança de seu batalhão no norte e no centro de Gaza foi eliminada. Assim, Israel alcançou boa parte de seus objetivos militares”, continuou ele.

    Ainda não está claro se os líderes do Hamas estão presentes em Rafah, mas os EUA continuam ajudando Israel em sua missão de tentar erradicar o maior número possível dos comandantes do grupo, incluindo assistência de inteligência para localizar Yahya Sinwar, o líder do Hamas em Gaza.

    Enquanto Biden continua pedindo que Israel e o Hamas cheguem a um acordo temporário de cessar-fogo e libertação de reféns, em particular, altos funcionários dos EUA não chegaram a instar Israel a considerar o fim permanente dos combates.

    No entanto, o governo de Biden vem aumentando a pressão sobre Israel para começar a se concentrar nos planos de Gaza do pós-guerra – até agora, com pouco efeito.

    A falta de interesse de Israel pelos chamados planos do “dia seguinte” tem sido uma fonte de frustração crescente para os conselheiros de Biden, de acordo fontes da administração. Eles chegaram a dizer que Israel acredita que a guerra Gaza é um problema de outra pessoa.

    Israel não ofereceu pontos de vista claros sobre duas grandes questões: a governança do pós-guerra e quem supervisionaria a segurança da região assim que o conflito finalmente chegasse ao fim.

    Blinken pediu publicamente a Israel que se empenhasse mais no desenvolvimento de um plano para o pós-guerra em Gaza durante o fim de semana. Até agora, tem faltado engajamento, disse Blinken.

    “Temos trabalhado por muitas semanas no desenvolvimento de planos críticos para a segurança, para a governança, para a reconstrução. Não vimos isso vindo de Israel”, disse Blinken na CBS.

    “Temos trabalhado com países árabes e outras nações nesse plano. Precisamos ver isso também. Temos o mesmo objetivo que Israel. Queremos garantir que o Hamas não possa governar Gaza novamente”, afirmou.

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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