Zelensky diz que não vai insistir para que a Ucrânia faça parte da Otan

Em entrevista a um canal de televisão americano, presidente ucraniano também considerou estar aberto ao diálogo com Vladimir Putin

Vinícius Tadeu, da CNN
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Em entrevista ao canal de televisão dos Estados Unidos ABC, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que não vai insistir para que Ucrânia faça parte da Otan. A possível adesão do país ao bloco ocidental é uma das principais questões que levaram à invasão do território ucraniano pelo exército da Rússia.

"Quanto à Otan, moderei a minha posição sobre essa questão há algum tempo, quando percebi que a Otan não estava pronta para aceitar a Ucrânia", disse o presidente ucraniano.

Zelensky explicou que não quer ser visto como o presidente de um "país que implora de joelhos" para ingressar na aliança militar do ocidente. De acordo com ele, "a aliança tem medo de tudo o que seja controverso e de um confronto com a Rússia".

Uma das principais causas da guerra no Leste Europeu é a firme oposição da Rússia à possibilidade de a Ucrânia ingressar na Otan e, consequentemente, estreitar laços com os países ocidentais.

O governo russo chegou a pedir garantias ao Ocidente de que a aliança não iria expandir mais para o Oriente — principalmente na Ucrânia. O pedido, no entanto, não foi atendido, o que frustrou o presidente russo, Vladimir Putin.

Diálogo com Putin

Durante a entrevista, Zelensky deu sinais de uma possível abertura a negociações com Moscou, e disse estar disponível para que um "compromisso" seja feito em relação aos territórios separatistas no leste da Ucrânia que foram reconhecidos como independentes por Putin.

Três dias antes de iniciar a invasão ao território ucraniano, a Rússia considerou de forma unilateral as regiões pró-Rússia de Donetsk e Luhansk como repúblicas soberanas e independentes.

Na última segunda-feira (7), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia pode interromper sua ação militar caso a Ucrânia cumpra algumas condições. Entre as exigências, estão o reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk como territórios independentes.

Quando foi perguntado sobre as exigências russas, o presidente da Ucrânia afirmou que está aberto ao diálogo. "Estou a falar de garantias de segurança. Penso que quando se trata destes territórios ocupados temporariamente (...), que só foram reconhecidos pela Rússia, (...) podemos discutir e chegar a um compromisso sobre o futuro destes territórios", explicou Zelensky.

O líder ucraniano classificou a questão como "complexa", e considerou que o mais importante é saber como as pessoas que moram nesses territórios e querem fazer parte da Ucrânia vão viver.

O presidente ainda criticou a falta de diplomacia de Vladimir Putin. "Esse é outro ultimato e nós rejeitamos ultimatos. O que é necessário é que o Presidente Putin comece a falar, inicie um diálogo, em vez de viver numa bolha", concluiu Zelensky.

Entenda o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

O que se viu a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.

Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

(*Com informações da Reuters e da CNN Internacional)